Salário mínimo. Rio fala em “demagogia”, Jerónimo exige que Governo cumpra acordo

PSD / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

O líder social-democrata considera que é “demagogia” querer aumentar o salário mínimo nacional. Já o secretário-geral do PCP diz que o Governo se prepara para não cumprir o valor do aumento do salário mínimo que tinha anunciado e que tal é “mau sinal”.

O presidente do PSD, Rui Rio, reafirmou esta quinta-feira é demagogia querer aumentar o salário mínimo nacional no atual contexto da economia, fragilizada pela pandemia de covid-19.

O país não precisa que eu faça demagogia, para isso estão cá outros. O que pretendo é defender ao máximo o emprego e os salários. E se vamos para lá das possibilidades que temos, estamos a criar mais falências, mais desemprego e mais infelicidade às pessoas, à custa de uma demagogia na qual não entro”, afirmou, em Faro, á margem de uma visita à Universidade do Algarve.

Rui Rio defendeu saber que “viver com 635 euros é pouco”, mas sublinhou que “viver com 400, 500 ou estar no desemprego é muito pior”, reforçando a ideia de que “infelizmente, tendo em conta o que se passou no país”, é necessário “ter os pés assentes na terra”.

O líder social-democrata sustentou que “é preciso defender todos, particularmente, os mais desfavorecidos”, o que significa “defender o emprego” e evitar que as empresas “fechem em catadupa”. “Criar mais custos às empresas quando elas quase não têm receita não me parece a melhor via”, frisou Rio, depois de na quarta-feira ter criticado, na Assembleia da República, a intenção do PS em aumentar o salário mínimo nacional.

Na sequência dessa crítica, na abertura do debate temático sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, o primeiro-ministro afirmou-se perplexo, defendendo que as empresas do futuro não são as empresas dos baixos salários.

Questionado pelos jornalistas sobre a alteração da sua posição sobre o aumento do SMN, Rui Rio notou que o defendia “quando a taxa de desemprego era baixíssima” e a “economia estava a crescer”, sendo na altura possível “pressionar os salários para cima”, mesmo aumentando a taxa de desemprego em “0,5% ou 1%”.

“Outra coisa completamente diferente é termos uma taxa de desemprego muito alta e que está a subir e a economia que levou um tombo como não há numa memória recente. Se, em cima disto, com as empresas que pouco vendem e nem sempre recebem pela crise das outras empresas, estamos a acelerar os custos dessas empresas, é gravíssimo. Não podemos comparar o que não é comparável” concluiu.

Será “mau sinal” se Governo “rasgar” acordo, avisa PCP

O PCP avisou esta quinta-feira o primeiro-ministro que seria um “mau sinal” se o Governo “rasgar” o compromisso de aumento do salário mínimo e pediu aos trabalhadores que saiam à rua para as manifestações de sábado da CGTP.

O aviso foi deixado pelo líder comunista, Jerónimo de Sousa, no final de uma sessão com militantes do PCP e dirigentes da CGTP na sede do Centro Vitória, em Lisboa, sobre a defesa dos direitos dos trabalhadores e do aumento dos salários, em que fez um apelo direto aos trabalhadores para que participem na jornada de luta da central, no sábado, em vários locais do país.

“O Governo prepara-se, pelo menos dá a entender, que não vai cumprir o valor do aumento do salário mínimo nacional que tinha anunciado. Isto constitui um mau sinal”, afirmou Jerónimo de Sousa, numa reunião que que os participantes, cerca de 20, respeitavam o distanciamento determinado pelas regras quanto à pandemia de covid-19.

O primeiro-ministro não o disse, anotou o líder comunista, e fez “o truque” no debate de quarta-feira no parlamento, em que o PSD apareceu como “mau da fita” a recusar o aumento do salário mínimo para depois o Governo do vir dizer que vai aumentar, mas sem dizer quanto.

Jerónimo já antecipa que será menos do que o anteriormente previsto porque “não pode ser mais”, face à crise causada pela pandemia. “À cautela”, acrescentou, “é melhor não esperar sentado” para “ver o próximo episódio” deste filme, e pediu “aos trabalhadores” que fiquem “atentos” e “dispostos para a luta”, como pede para ser feito no sábado, na jornada da CGTP.

Depois, usou um argumento político e ideológico, na lógica da “luta de classes”, entre os trabalhadores e os “patrões”, no caso o Governo. “Eles não nos dão nada. É dos livros, é da história, é da luta de classes: eles nunca nos deram nada, fomos sempre nós que conquistamos”, disse.

“Oportunismo inaceitável”

Esta quinta-feira à noite, no habitual espaço de comentário na TVI24, Manuela Ferreira Leite disse que, na sua ótica, o eventual aumento do salário mínimo seria uma “contradição“, lembrando o atual contexto de recessão da economia, “que será mais profunda e mais prolongada” do que inicialmente se possa ter pensado.

“Tomar uma medida que tem um peso muito grande nos orçamentos das pequenas e médias empresas”, quando por causa deste momento de crise e “imprevisibilidade” lhes estão a ser concedidos apoios para que consigam “suportar os custos do dia a dia”, seria contraditório, disse a comentadora, citada pelo Expresso.

Ferreira Leite manifestou ainda a sua perplexidade com o facto de António Costa ter dito que foi o aumento dos salários que levou ao crescimento do país, “quando este aconteceu pelo facto de a Europa estar a crescer e ter sido possível aumentar as nossas exportações e por causa do boom turístico”.

“Quando os salários mínimos serviram para baixar as estatísticas do desemprego, não fez mal”, afirmou ainda a comentadora, que considerou estarmos perante um “oportunismo inaceitável”.

“Só pode ter um significado: tentar obter a aprovação do Orçamento pela esquerda”.

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Há economistas que não sabem fazer contas. Se levarmos em conta que as despesas com salários representam 20% dos custos totais de uma empresa, e que, no total, os salários mínimos representam cerca de 50% da massa salarial total, um aumento de 10% no salário mínimo traduz-se num aumento de apenas 1% nos custos totais da empresa. É isso que põe em risco a sobrevivência da empresa?… Ele há cada um!…

    • O que diz não é real. Em muitas empresas o custo com o trabalho (salários+impostos+contribuições+outros encargos) ascende a valores bem superiores.
      Provavelmente estar-se-á a referir a empresas grossistas, retalhistas… Em empresas industriais, de mão-de-obra intensiva (como há muitas em Portugal), os encargos com o trabalho vão muito para além dos 20% que refere. Muito mais. O mesmo se passa em empresas de serviços (veja por exemplo os call centers).

    • Salários representam 20% dos custos totais de uma empresa?? Não sei onde foi buscar essa informação, mas garanto-lhe que está muito longe da realidade portuguesa, principalmente para as grande maioria das empresas, as micro e PME.

  2. E só fazer as contas, como dizia o outro.
    E a empresa consegue crescer apenas esse 1%, que seja?!
    Ah! Pois é.
    Dá-se tudo a todos. Igualzinho ao Pinóquio! E depois veremos….

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