Assassinos de Khashoggi foram aconselhados a ouvir música durante o desmembramento

Erdem Sahin / EPA

“Não consigo respirar”, terá dito repetidamente Jamal Khashoggi minutos antes de ser assassinado, avança a emissora norte-americana CNN. A transcrição dos últimos momentos de vida do jornalista saudita agora divulgada põe em causa a explicações dadas por Riade.

De acordo com a CNN, que avançou neste domingo detalhes sobre os últimos momentos de vida do jornalista saudita e ouviu uma fonte que teve acesso a uma transcrição de áudio, as novas revelações comprovam que a morte Khashoggi foi premeditada.

O relato da cadeia de televisão vai de encontro ao que até agora tinha sido difundido pelos média internacionais. De acordo com a CNN, a transcrição descreve os sons do corpo do jornalista a ser desmembrado com uma serra, sendo que o grupo de assassinos é aconselhado a ouvir música – como estaria a fazer o médico legista que segurava a serra – para se abstrair dos ruídos.

A mesma fonte revelou também que transcrição sugere que os assassinos receberam várias chamadas telefónicas com indicações precisas sobre como deviam avançar com a operação à medida que desmembravam jornalista no consolado.

A investigação turca acredita que estas ordens terão vindo diretamente de altas figuras do regime saudita, reforçando a tese de um alegado envolvimento do príncipe saudita Mohamed Bin Salmán, que sempre rejeitou estar associado ao crime.

Segundo o relato que é feito do áudio, Khashoggi apercebe-se de que algo está errado logo depois de entrar no edifício do consulado, notando a presença de um homem identificado como Maher Abdulaziz Mutreb, antigo diplomata e elementos dos serviços de informações sauditas.

Khashoggi questiona a Mutreb o que faz ali, e o saudita responde: “Vais regressar”. “Não podes fazer isso, estão pessoas à espera lá fora”, responde Khashoggi.

Depois desta troca de palavras, não há mais registo de diálogo. É descrito apenas o som de vários homens a tentar controlar fisicamente Khashoggi. O jornalista queixa-se, logo depois, da falta de ar. Ouvem-se várias vozes e, entre os homens ali presentes, as autoridades turcas identificam a voz de Salah Muhammad al-Tubaiqi, responsável de medicina forense do ministro do Interior saudita. Além de Mutreb e de Khashoggi, a voz do médico é a única identificada pelo nome.

Pouco depois, o médico legista, aconselha o grupo a colocar os auscultadores e a ouvir música, tal como o próprio já estaria a fazer. Será neste momento que o corpo do jornalista terá sido desmembrado, não ficando claro em que momento exato terá morrido.

Diz aos teus que isto está feito, está feito”, diz Mutreb numa das chamadas.

Todos estes detalhes já tinham sido revelados pela imprensa internacional, mesmo o alegado envolvimento do médico legista que terá desmembrado o corpo. O áudio, que Marcelo Rebelo de Sousa, disse recentemente circular entre Chefes de Estado, coloca em causa as explicações da Arábia sobre a morte de Khashoggi.

Inicialmente, as autoridades sauditas negaram qualquer envolvimento, admitindo depois que se tratou de um acidente e, por fim, ainda admitiram uma morte premeditada. Khashoggi desapareceu a 2 de outubro.

Riade recusa extraditar suspeitos sauditas

Riade recusa extraditar para a Turquia pessoas suspeitas de estarem envolvidas no assassínio do jornalista saudita afirmou este domingo o chefe da diplomacia saudita, Adel al-Jubeir, após um pedido de Ancara nesse sentido.

A Turquia pediu na quarta-feira a detenção de duas pessoas próximas do príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammed bin Salman, no âmbito do caso do assassínio de Khashoggi, em 2 de outubro, no consulado saudita em Istambul. “Não extraditamos os nossos cidadãos“, declarou Jubeir, numa conferência de imprensa em Riade.

Segundo a agência estatal turca Anadolu, a justiça turca emitiu mandados de detenção contra Ahmed al-Assiri et Saud al-Qahtani a pedido do procurador-geral de Istambul, que suspeita que os dois homens “fizeram parte dos que planearam” o assassínio.

Após ter afirmado inicialmente que o jornalista crítico do regime saudita tinha abandonado o consulado vivo, Riade reconheceu, sob pressão internacional, que Khashoggi tinha sido assassinado no interior da representação diplomática.

O mês passado, o procurador-geral saudita anunciou que 11 suspeitos detidos no âmbito do inquérito sobre o assassínio tinham sido acusados e pediu a pena de morte para cinco deles. A identidade dos suspeitos não foi divulgada.

A justiça saudita declarou-se pronta a cooperar com os investigadores turcos que também realizam uma investigação, mas desde o início do caso parece existir desconfiança de parte a parte. “Na nossa opinião, as autoridades turcas não têm sido tão cooperantes como deviam ser”, afirmou Jubeir.

“Acho interessante que um país que não nos dá informações (…) emita mandados de detenção” e queira que os suspeitos sejam extraditados, adiantou.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, exigiu já por diversas vezes a extradição dos suspeitos detidos por Riade, mas a Arábia Saudita tem insistido que todo o processo deve decorrer no país.

  ZAP // Lusa

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