“Declarações alarmistas”. ARS desdramatiza e diz que não há perigo de o Algarve fechar

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Praia da Ponta da Piedade

Na quinta-feira, o presidente da Ordem dos Médicos do Sul disse que, se houvesse mais de 100 casos de covid-19, seria necessário “fechar o Algarve”. Entretanto, a Administração Regional de Saúde do Algarve veio desdramatizar as declarações, dizendo que são “alarmistas”.

O presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algave, Paulo Morgado, afirmou à agência Lusa que “não há perigo de o Algarve fechar, de o Alentejo fechar ou de o país fechar” porque o que se verifica “neste momento é o aparecimento de pequenos surtos aqui e acolá“, o que pode acontecer em qualquer “ponto do território nacional” ou em outros países.

“São declarações alarmistas. Neste momento, a situação da pandemia e da epidemia em Portugal não está completamente controlada, é verdade, mas estamos numa fase descendente da curva. Podemos vir a ter uma segunda onda, como outros países onde a doença existe, mas se essa onda vai ser maior ou menor, ninguém sabe e ninguém é capaz de prever”, disse o presidente da ARS.

Paulo Morgado assegurou que “o Algarve tem capacidade de resposta“, como “teve para a primeira onda” da pandemia, quando “nunca esteve perto de esgotar a capacidade instalada” para tratar os doentes infetados pelo novo coronavírus. “Temos capacidade para ter cerca de 250 doentes covid internados nos nossos hospitais e o máximo que tivemos foi um décimo disso, em termos de capacidade de internamento”, exemplificou.

Paulo Morgado assegurou que, “para já, não há nenhum surto de 100 pessoas” e “está-se longe” desses números, acusando a Ordem dos Médicos do Sul de tomar uma “posição que é alarmista e não tem adesão à realidade“.

Cerca sanitária? “Já tínhamos fechado Lisboa”

Em declarações à Renascença, a Associação de Municípios do Algarve (AMAL) classificou de “incendiárias” as declarações do presidente da Ordem dos Médicos do Sul na entrevista de quinta-feira ao Diário de Notícias.

António Miguel Pina, presidente da AMAL, disse que o raciocínio de Alexandre Valentim Lourenço levaria a que já se tivesse fechado Lisboa. “Completamente incendiárias. Por essa ordem de ideias já tínhamos fechado Lisboa, já tínhamos fechado o resto do país. Não faz sentido nenhum”, afirma António Miguel Pina.

António Miguel Pina, que também é presidente da Câmara de Olhão, lamentou ainda o que apelida de “declarações no mínimo bombásticas, que perturbam uma região que trabalhou muito para ter números muito baixos, que necessita de restabelecer a sua economia”.

“O senhor representante da Ordem, no fim das suas declarações percebe-se que o que ele quer e o que pede é mais médicos. O que nós não precisamos é que utilizem a covid-19 e assustem as pessoas. Estas forças que são um misto de sindicatos e corporações, utilizam a política do medo para os seus combates e os seus direitos, eventualmente”, criticou.

Em relação a este assunto, a Ordem dos Médicos defendeu a necessidade de intensificar uma campanha de sensibilização para as regras de segurança face à covid-19 no Algarve, apontando que uma eventual cerca sanitária é decisão da tutela, mas ouvindo os autarcas.

“O Algarve é a imagem do país lá fora, é o local que provavelmente irá ter mais turistas estrangeiros. As medidas de reforço têm de ser grandes. Se as pessoas cumprirem, o vírus terá muita dificuldade em se propagar. No Algarve temos de insistir ainda mais nisto com uma campanha muito, muito, forte”, disse Miguel Guimarães.

Uma “vigilância muito apertada” e “dar informação constante e permanente a quem está e a quem chega ao Algarve” são medidas que a Ordem dos Médicos quer ver no terreno, bem como o reforço da ideia de que regras como distanciamento social, higienização e uso de máscara “são para cumprir”.

Festa ilegal de Lagos com 69 casos positivos

O número de casos de covid-19 associados a uma festa ilegal em Lagos já é de, pelo menos, 69, de acordo com informações da Câmara de Municipal de Lagos. Em comunicado, a autarquia informou que foram realizados testes a cerca de 1.100 pessoas.

O Algarve é das regiões do país com menos contágio de covid-19. Este mês, uma festa ilegal em Lagos foi vinculada a um surto de casos positivos de covid-19 no Algarve.

O evento foi organizado num clube recreativo de Odiáxere, a cerca de 15 minutos de Lagos, alugado com a justificação de que seria usado para uma festa de aniversário com um grupo de entre 10 a 15 pessoas. A festa decorreu entre as 18h e as 20h, até que foi interrompida pela GNR, chamada ao local devido a várias queixas. Estiveram presentes neste evento cerca de 100 pessoas.

ZAP // Lusa

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