Aposta no têxtil e apoios aos privados. Rio vai explicar o que faria com a “bazuca” europeia que Costa terá em mãos

Ricardo Castelo / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio

O PSD apresenta esta segunda-feira, no Porto, o seu “Programa Estratégico dos Fundos Europeus para a Década”, que deverá defender a prioridade às empresas exportadoras e apontar o investimento público como complementar.

De acordo com a agência Lusa, a apresentação, marcada para as 16:00, será feita pelo líder do PSD, Rui Rio, e pelo presidente do Conselho Estratégico Nacional (CEN) do partido, o economista Joaquim Miranda Sarmento.

No início de junho, o PSD apresentou o que chamou de “programa de recuperação económica para a fase pós-covid”, assente nas empresas e no investimento privado, e colocou como objetivo aumentar o peso das exportações para 50% do Produto Interno Bruto até ao final da legislatura.

Nesse programa, virado para uma fase mais imediata, os sociais-democratas defenderam a captação de “dois ou três grandes projetos” industriais de investimento estrangeiro, dando como exemplo o que representou a Autoeuropa para a economia portuguesa.

Em junho, o PSD prometeu que, quando fosse conhecida a resposta da União Europeia à crise económica, iria apresentar um programa estratégico para a próxima década, baseado nas propostas eleitorais apresentadas no ano passado, mas adaptadas às consequências da pandemia de covid-19.

Será neste documento que o PSD deverá abordar a questão das infraestruturas críticas para o país, mas Rui Rio já tem avançado que a aposta na ferrovia (nomeadamente de mercadorias) deve ser prioritária, até por existir um “consenso nacional”.

De acordo com o semanário Expresso, o PSD vai apresentar um documento com uma maior aposta no setor têxtil e mais apoios para o setor privado, havendo também um investimento no campo das tecnologias.

Fundos virados para as empresas

No final de setembro, e depois de uma reunião com o primeiro-ministro sobre o esboço do plano do Governo de Recuperação e Resiliência, o presidente do PSD defendeu que “o grosso” da utilização dos fundos europeus deve estar virado para as empresas.

“O que pretendemos é que – não é amanhã, mas no médio e longo prazo – Portugal pague melhores salários e tenha uma classe média mais robusta. Quanto mais forte e maior for a classe média, mais desenvolvido será o país”, disse.

Questionado se o esboço do plano que lhe foi apresentado por António Costa tinha essa componente forte voltada para as empresas, Rio admitiu que “provavelmente menos” do que o PSD desejaria.

Em 23 de setembro, no debate com o primeiro-ministro no parlamento sobre o plano de recuperação nacional, Rio questionou o Governo se pretende “fomentar o desemprego” com a promessa de um “aumento significativo” do Salário Mínimo Nacional, comparando essa atitude à do executivo socialista liderado por José Sócrates em 2009.

“Faz-me lembrar quando o Governo do PS do engenheiro Sócrates aumentou os funcionários públicos em 2,9% sem condições para o fazer e em seguida teve de cortar esses salários”, criticou Rui Rio, dizendo ser favorável a um aumento do SMN, mas num quadro de “desemprego baixo e com a economia a crescer”.

No encerramento de um debate organizado pelo Instituto Sá Carneiro, na sexta-feira, Rio voltou a defender que os fundos europeus devem ter como “objetivo principal fortalecer as empresas”, mas disse não ter “tabus ideológicos” contra o investimento público, que deve funcionar como “complementar”.

“As empresas em primeiro lugar, mas sem tabus ideológicos de dizer que tudo o que é público é mau. Se o que é público é mau, então é ao contrário, então temos de pôr bem, porque o que é público é também muito relevante na nossa vida coletiva”, disse, apontando como exemplos a necessidade de reforçar o setor da saúde e de investir na justiça, que considerou funcionar muitas vezes como ‘entrave’ à atividade económica.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Os fundos iriam portanto para os mesmos de sempre: os Lobbies privados. Rio a piscar o olho às portas giratórias entre o privado e os governantes. Perdeste o meu voto em 3 minutos, ò Rio.

    O dinheiro tem de ir de uma vez por todas é para medidas de justiça social, saúde e ambiente. Sempre a mesma mama para os mesmos Lobbies.

    • Exatamente, é preciso é enterrar os fundos nos sectores não produtivos e nos sectores que não gerem riqueza ao país.
      VOTA SOCIALISMO…

  2. Senhor Rui Rio canta bem mas não me alegra, a bazuca na mão do seu PPD ou PPD/CDS como na do PS vain parar aos bolsos dos mesmos que quando vieram aos milhões por dia desde 1985, são todos farinha do mesmo saco.

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