Na América Latina, a doença não é o único inimigo. É proibido pôr “covid-19” nas certidões de óbito

Nos países da América Latina, a informação sobre a pandemia de covid-19 é controlada e até manipulada pelos regimes revolucionários. Entre detenções e multas, os jornalistas tentam trazer a verdade ao de cima.

Numa altura em que a desinformação sobre a pandemia se espalha sem parar, as Nações Unidas reconheceram os jornalistas como um meio de o evitar. No entanto, nos regimes revolucionários da América Latina, a imprensa livre é um alvo a abater.

De acordo com o semanário Expresso, na Vezenezula, o objetivo é o monopólio dos meios de comunicação. No país, há 200 meios encerrados, jornais sem papel, rádios em silêncio e redes sociais manipuladas.  Recentemente, Vladimir Villegas, estrela do canal Globovisión, entrevistou um diplomata dos Estados Unidos. De seguida, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acabou com o programa.

Desde o início do ano até abril, o Instituto Imprensa e Sociedade venezuelano documentou 120 agressões contra profissionais da informação. Cerca de 20 jornalistas foram detidos arbitrariamente e há registos de agressões aos seus familiares.

Mas a Venezuela não é a única, conta o Expresso. Na Nicarágua, os jornalistas não se debatem apenas contra o regime, mas também contra a própria doença. A sua exposição para combater a desinformação no país já levou a três mortes por covid-19 e mais de uma dezena de infetados.

Recentemente, Gustavo Bermúdez, jornalista da Radio Corporacíon, morreu e, segundo o médico que o assistiu, é proibido colocar “covid-19” na certidão de óbito. Oficialmente, Bermúdez morreu por causa de uma “pneumonia atípica”. De acordo com o Expresso, é um dos 600 mortos causados pela covid-19. O regime só reconhece 46.

A organização Jornalistas e Comunicadores Independentes já se queixou de abusos de poder contra jornalistas que desvendam enterros clandestinos e noturnos.

Já em Cuba, o Presidente Miguel Díaz-Canel mostrou-se incomodado nas redes sociais por não ter sido incluído entre os melhores países na resposta à propagação da pandemia. “Será censura, esquecimento ou perversa intenção de não nos reconhecerem?”, perguntou.

Neste país, segundo o assessor principal do Observatório Cubano de Direitos Humanos, quem fizer comentários nas redes sociais e em meios independentes com visão crítica sobre a situação do país arrisca elevadas multas.

Ainda assim, apesar das detenções, interrogatórios e multas, os jornalistas continuam a tentar contar as histórias que ninguém conta.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Também gostava de saber o que se passa aqui ao lado, em Espanha. De um dia para o outro, deixou de haver óbitos por Covid-19? Quem é que querem enganar? E vamos abrir as fronteiras sem saber como está a pandemia do outro lado? Vão entrar assim à vontade sem qualquer controlo? A OMS não se pronuncia? Também, coitada da OMS que anda ao deus-dará desde o início, tal como já tinha acontecido com a Gripe A em que decidiram lançar o pânico afirmando que iria haver países a praticamente desaparecer. Mas ninguém exige a Espanha a divulgação dos dados reais ou, pelo menos, uma explicação para os dados apresentados? Porque é que no dia 25 de maio apagaram 1915 óbitos depois de terem anunciado, três dias antes, 688 a agora não há nenhum?

  2. Há o outro lado da moeda. Alguns governadores de estado, no Brasil, inflacionaram o número de mortes causadas pelo covid 19 para receber mais auxílio financeiro do governo federal.

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