Ambientalistas pedem demissão do ministro do Ambiente

Manuel Araújo / Lusa

Ambientalistas acusam o Governo de não ouvir a sociedade civil e afirmam ter perdido a confiança no ministro João Matos Fernandes.

Vários movimentos ambientalistas, concentraram-se esta quinta-feira, junto ao Ministério do Ambiente, em Lisboa, para pedir a demissão do ministro João Matos Fernandes e contestar a prospeção de petróleo na costa de Aljezur, sem um estudo prévio.

O pedido de demissão do ministro do Ambiente foi expresso numa carta aberta e entregue em mãos ao governante, que reuniu com os representantes das associações.

Viemos exigir a demissão do sr. Ministro do Ambiente”, anunciou Rui Horta, membro do movimento Futuro Limpo. “Representamos 35 movimentos de todo o país, todos os autarcas do Algarve e do sudeste Alentejo, associações económicas e empresariais e todas se manifestaram neste sentido”.

“Encontrámo-nos com o senhor ministro com uma posição muito dura. Pedir a demissão de um ministro não é algo que se faça de ânimo muito leve. Eu acho que ele ficou chocado com esta nossa atitude, mas a verdade é que está perdida a confiança”, afirmou aos jornalistas a escritora Lídia Jorge, que integra o movimento Futuro Limpo.

Na passada semana, no último dia do prazo previsto, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) dispensou de estudo de impacto ambiental a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur, no Algarve, pelo consórcio Eni/Galp.

O presidente da APA, Nuno Lacasta, justificou a decisão referindo que “não foram identificados impactos negativos significativos” na realização do furo de prospeção petrolífera.

No entanto, esta decisão, segundo sublinham os signatários desta carta, “contraria as recomendações da Assembleia da República, das Associações de Municípios do Algarve e Alentejo Litoral, autarquias e empresários do setor do turismo”, tratando-se de “um atentando ambiental“.

O consórcio liderado pela petrolífera italiana ENI prevê iniciar a pesquisa de petróleo na bacia do Alentejo entre setembro e outubro, após uma preparação com uma duração estimada de três meses, segundo o relatório enviado à APA.

A data de início do primeiro furo de pesquisa de hidrocarbonetos em Portugal “está estimada entre o fim do terceiro trimestre e o início do quarto trimestre de 2018, a duração das atividades de perfuração está estimada em 46 dias (incluída a mobilização)”, segundo o documento.

“Acho que se enganaram no destinatário”

João Pedro Matos Fernandes disse, também esta quinta-feira, que a cata não lhe devia ser dirigida e considerou “hipocrisia técnica” confundir descarbonização com exploração de petróleo.

“Recebi associações e fui confrontado com carta a exigir a minha demissão. Não é certamente a mim que uma carta dessas deve ser dirigida”, comentou o ministro. “Dirigirem-me a mim uma carta para me demitir, acho que se enganaram no destinatário a quem queriam entregar a carta.”

Questionado sobre se espera tempos difíceis a propósito da questão da prospeção de petróleo, o ministro afirmou que tem tido tempos difíceis desde que chegou ao ministério, acrescentando que “defender uma política ambiental é sempre um desafio enorme e nunca virarei a cara a esse desafio”.

ZAP // Lusa

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