Altos níveis de radiação obrigam a retirar robô do reator 2 de Fukushima

Miguel Tona / EPA

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A operadora da central nuclear de Fukushima divulgou hoje novas imagens do robô que conseguiu introduzir dentro do seu reator número 2, onde se detectaram níveis extremamente altos de radiação que obrigaram à retirada do aparelho.

O robô, operado por técnicos da Tokyo Electric Power Company (TEPCO), acedeu na quinta-feira ao interior do recipiente de contenção do reator após uma tentativa anterior fracassada, com a missão de analisar o estado das instalações e de separar obstáculos para continuar a exploração com outro autómato.

No entanto, os operários tiveram que retirar o aparelho antes de cobrir toda a zona prevista devido aos altíssimos níveis de radiação, estimados pela TEPCO em torno dos 650 sieverts por hora e capazes de danificar a sua parte eletrónica, informou hoje a empresa em comunicado.

Estes níveis “parecem ser maiores que o esperado”, segundo a TEPCO, que acrescentou que é necessário “continuar com as investigações” para determinar se a origem da radiação é, como se suspeita, a presença de combustível fundido no fundo do recipiente de contenção.

A empresa explicou que se trata de um nível muito elevado por ter sido medido pela primeira vez muito perto do núcleo do reator, e recalcou que no exterior do mesmo, os níveis de radiação não variaram nem se detectaram novas fugas.

Uma dose de um só sievert por dia pode causar danos graves na saúde humana e até à morte, pelo que os níveis estimados nesse ponto do interior das instalações nucleares impossibilitam o acesso de operários humanos.

Os reatores 1, 2 e 3 sofreram fusões parciais dos seus núcleos devido ao desastre originado pelo terremoto e o tsunami de março de 2011, e conhecer o estado exato das barras de combustível radioativo é fundamental para o seu manejo e retirada.

No caso da unidade 2, os técnicos da TEPCO acreditam que o combustível se fundiu o suficiente para perfurar o recipiente de pressão e acumular-se no fundo do de contenção.

A TEPCO deve em breve realizar mais análises e introduzir outro robô para continuar com a avaliação do lugar.  Os altos níveis de radiação nas instalações vão dificultar a retirada das barras de combustível do reator, um dos passos necessários para o seu desmantelamento, que calcula-se que irá durar entre 30 e 40 anos.

A crise atómica de Fukushima, desencadeada pelo terremoto e posterior tsunami que castigaram o nordeste do arquipélago japonês, foi o pior acidente nuclear desde o de Chernobyl em 1986.

// EFE

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