Adeus, Pillar of Shame. Memorial do massacre de Tiananmen desmantelado durante a noite

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Jerome Favre / EPA

Monumento Pillar of Shame, na Universidade de Hong Kong

Pillar of Shame, na Universidade de Hong Kong

A escultura Pillar of Shame foi um testemunho das liberdades de Hong Kong, mas a mais antiga instituição de ensino superior do território retirou do seu campus, durante a noite, o memorial às vítimas do massacre de Tiananmen.

A Universidade de Hong Kong retirou o Pillar of Shame (“Pilar da Vergonha”, em português) do seu campus, um memorial dedicado às vítimas do massacre de Tiananmen, em exposição desde 1997.

Segundo a CNN, a escultura foi desmantelada e retirada durante a noite, de quarta para esta quinta-feira.

O memorial era o último vestígio público em Hong Kong de uma data que Pequim tem tentado apagar da História.

“A sua criação, em 1997, foi um marco de liberdade em Hong Kong; a sua destruição em 2021 será a lápide da liberdade em Hong Kong”, afirmou ao britânico The Guardian Samuel Chu, presidente da ONG pró-democracia Campaign for Hong Kong.

A história do movimento pró-democracia de 1989 é um assunto tabu na China, menos em Hong Kong, que foi a casa de um monumento imponente, com cerca de oito metros de altura, que recordava aos estudantes, professores, visitantes e turistas um passado que o Partido Comunista chinês quer apagar da memória das pessoas.

O monumento foi erguido em 1997 para assinalar o 8.º aniversário da repressão de Tiananmen, quando as tropas governamentais entraram no centro de Pequim e mataram centenas de manifestantes e outros civis.

Um ano depois do massacre, os estudantes realizaram uma sondagem para que a estátua fosse colocada permanentemente na Universidade de Hong Kong.

Em 2008, ativistas pintaram a escultura de cor de laranja para protestar contra as violações dos direitos humanos na China, antes dos Jogos Olímpicos de Pequim.

O monumento e a sua presença dentro de uma universidade de elite, financiada pelo Governo chinês, provavam que a dissidência política podia coexistir com o estabelecimento no centro financeiro asiático, ao contrário do que se verificava na China Continental.

Aliás, à medida que a liderança chinesa foi alargando a sua influência sobre Hong Kong, após a transferência de soberania em 1997, as universidades continuaram a proporcionar um espaço livre de discussão política.

Agora, e numa altura em que as autoridades tentam eliminar o que encaram como ameaças à segurança nacional, os campus estão a sofrer mudanças profundas – e a remoção do Pillar of Shame é um exemplo disso mesmo.

A universidade já garantiu que a estátua ficará guardada, mas o autor da obra, o artista plástico dinamarquês Jens Galschiøt, exigiu que a peça lhe seja devolvida.

  ZAP //

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