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Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar
O núcleo inesperadamente denso e quente de Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar, é há muito tempo uma fonte de mistério para os astrónomos.
As teorias convencionais têm sugerido durante anos que o denso interior do gigante gasoso foi formado na sequência de uma enorme colisão com um planeta primitivo.
A teoria do “impacto gigante” sugere que cerca de metade do núcleo de Júpiter teve origem nos restos de tal planeta, explicando o que os investigadores acreditam ser o seu estranho interior “difuso”.
Num novo estudo, uma equipa internacional de cientistas descobriu agora que a teoria pode afinal não ter fundamento, eventualmente comprometendo a forma como compreendemos a formação de Júpiter.
Os resultados do estudo foram apresentados num artigo publicado recentemente na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Na estudo, a equipa tentou explicar a mistura gradual das camadas de hidrogénio de Júpiter, observada pela primeira vez pela sonda Juno da NASA. Os cientistas debatem há muito tempo como tal estrutura poderia ter surgido.
Os investigadores simularam as condições que existiriam durante um impacto planetário usando um supercomputador, e colocaram a questão de saber se o “núcleo diluído” de Júpiter é realmente o resultado de uma colisão massiva.
Curiosamente, nenhuma das suas simulações de impacto gigante, mesmo sob as circunstâncias mais extremas, resultou nas misturas graduais de gás que atualmente parecem compor o núcleo do planeta, comprometendo as teorias atuais de impacto.
Em vez disso, explica o Science Daily, descobriram que a nuvem resultante de material rochoso e núcleo gelado se assentaria em camadas distintas, não numa mistura gradual.
A investigação lança nova luz — e controvérsia — sobre como uma das maiores e mais extremas estruturas do nosso sistema solar veio originalmente a ser.
Os autores do estudo propõem no seu artigo que o núcleo de Júpiter se formou gradualmente à medida que atraiu elementos pesados e leves ao longo do tempo, “como parte da formação e evolução prolongadas de planetas gigantes, em vez de através de impactos gigantes extremos e de baixa probabilidade.”
“É fascinante explorar como um planeta gigante como Júpiter responderia a um dos eventos mais violentos que um planeta em crescimento pode experimentar”, explica Thomas Sandnes, cientista planetário da Universidade de Durham e autor principal do artigo.
“Vemos nas nossas simulações que este tipo de impacto literalmente abala o planeta até ao núcleo — apenas não de uma forma que permita explicar o interior de Júpiter que vemos hoje”, acrescentou.
Os cientistas descobriram ainda que o outro gigante gasoso do nosso sistema, Saturno, segundo maior planeta do nosso sistema, pode também ter um núcleo diluído semelhante.
“O facto de Saturno também ter um núcleo diluído reforça a ideia de que estas estruturas não são o resultado de impactos raros e de energia extremamente elevada, mas formam-se gradualmente durante o longo processo de crescimento e evolução planetária”, diz o astrofísico português Luis Teodoro, investigador da Universidade de Oslo e coautor do estudo.
As mesmas descobertas poderiam até aplicar-se a outros gigantes gasosos que orbitam estrelas distantes, sugerindo que os seus núcleos também têm interiores complexos.
“Os impactos gigantes são uma parte fundamental da história de muitos planetas, mas não podem explicar tudo!”, conclui Jacob Kegerreis, investigador do Instituto SETI e co-autor do estudo.