EUA acusam China de querer “apagar as memórias” de Tiananmen

Brookings Institution / Flickr

Antony Blinken, Secretário de Estado norte-americano

Blinken acusa China de querer “apagar as memórias” da repressão de Tiananmen, em 1989, ao impedir hoje uma vigília em Hong Kong, no 33.º aniversário dos acontecimentos.

“Hoje, a luta pela democracia e liberdade continua a ressoar em Hong Kong, onde a vigília anual para comemorar o massacre de Tiananmen foi proibida pela República Popular da China e pelas autoridades de Hong Kong, numa tentativa de apagar as memórias desse dia”, disse o secretário de Estado norte-americano, em comunicado.Há 33 anos que o exército chinês dispersou os protestos liderados por estudantes, na praça Tiananmen, no centro de Pequim, a pedir reformas democráticas para o país, provocando mortos — e ainda hoje é objeto de discussão.

As estimativas chegam às dez mil vítimas, mas Pequim defende que a repressão dos “tumultos contrarrevolucionários” tenha levado à morte de duas centenas de civis.

Na homenagem aos “corajosos manifestantes“, Antony Blinken deixou claro que os protestos “não seriam esquecidos”.

A polícia de Hong Kong fechou parcialmente o parque Vitória esta sexta-feira, onde, até 2019, decorria uma vigília à luz de velas para assinalar a data.

As autoridades da região semiautónoma chinesa já tinham alertado que a maioria dos espaços, onde habitualmente decorrem estes eventos, estariam encerrados entre a noite de sexta-feira e as primeiras horas de domingo.

Macau e Hong Kong eram os únicos territórios chineses onde as homenagens às vítimas de 4 de Junho de 1989 eram toleradas.

Em 2020, as autoridades proibiram  — pela primeira vez em 30 anos — a realização da vigília em espaço público em Macau e Hong Kong.

A decisão foi justificada com os trabalhos de prevenção da pandemia de covid-19, sendo que a proibição se manteve no ano passado.

“Continuaremos a expor as atrocidades e violações dos direitos humanos cometidas pela República Popular da China, incluindo em Hong Kong, Xinjiang e Tibete, e a exigir responsabilidade”, prometeu Blinken.

  ZAP //

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