“Xi Jinping fora!”. Partido enfrenta a maior ameaça desde o massacre de Tiananmen

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Mark R. Cristino / EPA

O Partido Comunista Chinês enfrenta a maior ameaça ao seu poder desde os protestos que levaram ao infame massacre de Tiananmen.

Cerca de mil pessoas protestaram este domingo, junto à zona das embaixadas em Pequim, contra as restritivas medidas de prevenção contra a covid-19 vigentes na China, enquanto alguns manifestantes criticaram diretamente a governação do Partido Comunista Chinês.

“Não queremos mais confinamentos, queremos ser livres”, gritaram os manifestantes, condenando ainda a realização quase diária de testes PCR em massa, no âmbito da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 imposta pelo Governo chinês.

A maioria dos manifestantes era constituída por jovens, que exibiam folhas de papel em branco, numa crítica implícita à censura exercida pelo regime chinês, que apaga das redes sociais comentários críticos e vídeos e fotografias suscetíveis de denegrir a sua imagem.

As palavras de ordem foram sobretudo dirigidas à estratégia chinesa de ‘zero casos’ de covid-19, que inclui o confinamento de bairros e cidades inteiras, por vezes ao longo de meses, e a realização constante de testes PCR em massa.

No entanto, testemunhou-se também críticas diretas ao Partido Comunista (PCC), partido único do poder na China, desde a fundação da República Popular, em 1949.

Sob a presidência do atual líder chinês, Xi Jinping, o PCC assumiu, nos últimos anos, um controlo quase absoluto sobre a sociedade, ensino ou produções artísticas da China. Xi obteve, no mês passado, um terceiro mandato, cimentando o seu estatuto como um dos líderes mais fortes na História moderna da China.

“A China é um país e não um partido”, lançou uma manifestante. “A China pertence ao seu povo, e não a eles”, atirou outro, erguido em cima de um muro, com o punho no ar, arrancando aplausos dos manifestantes.

Os manifestantes começaram pelas crítica à política, mas rapidamente os protestos alargaram ao regime comunista chinês. “Xi Jinping fora!”, gritam os manifestantes.

Nenhuma manifestação chegou perto da dimensão dos protestos anti-confinamento desde o infame massacre de Tiananmen em 1989, diz Dominic Waghorn, da Sky News.

Os protestos que levaram ao massacre foram liderados por estudantes entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989, sendo que este último dia assistiu ao ápice da repressão violenta do Estado.

Os manifestantes acreditavam que o governo do Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto e que as reformas económicas na China tinham sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam a dificultar as suas vidas.

  ZAP // Lusa

4 Comments

  1. Eu ainda me lembro de Tianamen e do senhor à frente do tanque.
    Consequências para a China? Zero.
    No último congresso, o Sr. Xi Jiping viu reforçado o seu poder.
    Se agora ele decidir carregar em cima do Povo Chinês, como vai reagir o Ocidente?
    Reagirá da mesma forma que reagiu com Zelensky e com a Ucrânia que desde 2014 massacra o Povo do Donbass e de Lugansk?
    Eu espero que a calma e o bom-senso imperem na China, caso contrário vamos ter mais uma vez o Ocidente com dois pesos e duas medidas.

    • No Caso da CHINA a NATO, EUA e EUROPA metem o Rabinho entre as Pernas e nem Piam com Medo .Pois começam logo a pensar que pode despoletar a 3º Guerra, como o Sr. diz, vai ser dois pesos e duas medidas porque a Europa e os EUA dependem financeiramente do Dinheiro que devem á CHINA

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