António Mendonça Mendes acusa o Governo de fazer uma “manipulação grosseira” das tabelas de retenção do IRS e “brincar com a estabilidade dos portugueses”, colocando-lhes dinheiro no bolso antes das eleições autárquicas, mas tirando-o depois.
À semelhança do que aconteceu em 2024, em que o IRS também baixou a meio do ano, o Governo voltou, este ano, a ajustar as tabelas de retenção na fonte em agosto e setembro para compensar o imposto pago a mais nos primeiros meses do ano.
No entanto, segundo especialistas, as novas tabelas de retenção do imposto vão, em regra, reduzir os reembolsos ou aumentar o valor a entregar pelos contribuintes na hora do acerto do imposto em 2026.
Em julho, em entrevista à Lusa, Joana Garrido, da equipa fiscal da PwC, explicou que “a diminuição significativa” do valor retido em agosto e setembro “implicará, em quase todos os casos analisados, uma diminuição do reembolso de IRS ou um aumento do IRS adicional a pagar”.
Agora, em entrevista à Antena 1, o antigo secretário de Estados dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, acusou o Governo de estar a brincar com a estabilidade do portugueses, com um truque que faz acreditar que as pessoas tenham mais dinheiro no bolso em vésperas de eleições autárquicas.
“O Governo está a colocar dinheiro no bolso dos portugueses apenas com o único objetivo de ter mais votos nas eleições autárquicas de 12 de outubro“, acusou.
“Manipulação grosseira” pré-eleições
O deputado socialista aponta que esta descida de IRS é manipuladora e alerta que irá implicar um acerto maior no próximo ano.
“Se o Governo objetivamente quisesse pagar retroativos, podia fazê-lo: ou diluindo os retroativos ao longo dos meses até dezembro ou pagando logo no primeiro mês. E, em segundo lugar, aquilo que está a ser dado aos portugueses em agosto e setembro não são os retroativos de uma descida de impostos; é algo que os portugueses terão de devolver ao Estado a partir de abril“, explica.
“Há uma manipulação grosseira das tabelas de retenção em agosto e setembro, como será visível já em outubro, quando os portugueses voltarão a ter o seu salário ao nível do que tiveram antes de agosto. E isto é brincar com a estabilidade das famílias portuguesas e com a organização da sua tesouraria“, considera.
Em agosto e setembro, as taxas de retenção são mais baixas do que as aplicadas de janeiro a julho. Depois, em outubro, novembro e dezembro, voltam a mudar, para valores superiores aos de agosto e setembro, mas, ainda assim, inferiores aos praticados nos primeiros sete meses de 2025.
Mas António Mendonça Mendes considera que este “é um acerto de tal forma manipulador que vai levar a generalidade dos contribuintes a ter que pagar IRS no próximo ano; e isto é grave porque as pessoas organizam as suas finanças de acordo com a previsibilidade daquilo que são as entradas de dinheiro”.
“Já nem estamos a falar de as pessoas terem reembolsos mais pequenos no próximo ano; já estamos a falar de as pessoas terem de pagar imposto, o que significa que o dinheiro que o Governo lhes está a colocar no bolso agora é dinheiro que lhes vai sair do bolso no próximo ano, para pagarem o IRS que pagaram a menos este ano”, conclui.
Na sua análise, no mês passado, a fiscalista Joana Garrido confirmou que há uma aproximação “cada vez” maior do IRS retido mensalmente ao imposto anual, o que diminui “as situações em que ocorreriam reembolsos de IRS”.
Em declarações feitas também à agência Lusa, Mendonça Mendes referiu-se às palavras do ministro da Economia, Castro Almeida, na Universidade de Verão do PSD, esta semana, em que se manifestou convicto de que os portugueses continuarão a votar no PSD se “sentirem que têm mais dinheiro no bolso”.
“Acho que Castro Almeida disse aquilo que é a estratégia do governo, que é pôr dinheiro no bolso dos portugueses para ganhar votos, mas neste caso em concreto, o dinheiro que estão a pôr no bolso dos portugueses é dinheiro que lhes vai ser retirado dentro de poucos meses“, criticou.
Claro que sim..
Esta com receio de fazer exactamente o que o PS fez e sempre faz…
Este tipo é uma vergonha. Tal como o ex-chefe, é alérgico a reformas. Em vez de ser pedagógico e explicar que as devoluções de IRS mais não são que o excesso de retenção de IRS feito mensalmente, retido nos cofres do Estado, SEM JUROS, e devolvido, quando existe lugar a devolução, até ano e meio após a retenção, vem com esta ladaínha. O que está a ser feito, e bem, é ajustar a retenção mensal de IRS ao valor efectivamente liquidado aquando a apresentação da declaração de IRS no ano seguinte ao ano fiscal a que corresponde a declaração. A devolução de IRS não é um 15º mês de vencimento, é sim a devolução da retenção feita em excesso.
Vergonha é o que o governo está a fazer, levar os portugueses ao engano.
Porque foi feito o acerto do valor retido apenas agora, mês de agosto e setembro? Vai haver eleições a seguir!
Vergonha vai ser para o ano quando a maioria do portugueses tiveram de repor quantias de dinheiro que nunca pensaram que teriam de pagar.
É inadmissível que os portugueses no mês de agosto praticamente não tenham pago IRS. É uma vigarice de todo o tamanho.
Sejam sérios e façam os acertos adequados.
Tenham vergonha…
Sempre a tentar enganar os Portugueses, só que o tiro pode sair pela culatra!!
Presentes envenenados , é o que os sucessivos governos sempre usaram para nos irem forte e feio ao nosso bolso !
O PS que meta malaguetas no cu.
A Esquerda deveria ir dar uma volta no carrossel…