50 anos de monarquia e uma guerra de dias. A pandemia “matou” a micronação mais antiga da Austrália

O reinado de 50 anos de uma micronação na Austrália chegou ao fim devido ao impacto económico da pandemia de covid-19, que fez com que o autodeclarado principado se rendesse ao país.

Hutt River, um principado autodeclarado em 1970, que nunca foi reconhecido como um estado soberano, rendeu-se à Austrália devido ao impacto económico da pandemia de covid-19.

As origens de Hutt River como micronação datam de 1970, quando o falecido príncipe Leonard Casley afirmou que explorou um “loophole” legal para criar o principado numa parte isolada da Austrália Ocidental, a 500 quilómetros ao norte da capital do estado, Perth.

Situado em 75 quilómetros quadrados de terras agrícolas, tinha mais do que o dobro do tamanho de Macau, mas era habitado por menos de 30 pessoas.

O principado agiu como uma nação independente. O seu governo concedeu vistos e cartas de condução, emitiu passaportes e moeda, produziu os seus próprios selos, criou a própria bandeira e, segundo consta, operou 13 escritórios no exterior em 10 países diferentes, incluindo os Estados Unidos e França.

Em 1977, quando souve que o Governo australiano estava a perseguir o princiopado por impostos por pagar, o príncipe Leonard decidiu declarar guerra à Austrália. No entanto, a Royal Hutt River Defence Force só foi estabelecida 11 anos depois e incluía exército,  marinha e uma faculdade militar, que desenvolveu manuais de artilharia e programas de treino que foram adotados por afiliados do Exército dos Estados Unidos.

A guerra do príncipe Leonard contra a Austrália durou apenas alguns dias.

Quando o príncipe Leonard morreu em fevereiro do ano passado, deixou para trás uma conta de impostos de 2,15 milhões de dólares, o que obrigou o seu filho e sucessor, o príncipe Graeme Casley, a anunciar na semana passada que o principado venderia as suas terras para pagar a dívida.

“É muito triste ver o seu pai a construir algo durante 50 anos e depois ter de acabar com ele”, disse Casley, em declarações à CNN. “Estamos a viver tempos muito difíceis economicamente e em termos de saúde em todo o mundo devido à covid-19 e estamos a sentir isso também.”

Embora desapontado, Casley diz estar “muito orgulhoso” do que seu pai realizou e espera que a sua história seja lembrada por gerações futuras. “Tenho tantas memórias maravilhosas de viver aqui”, disse. “Depois de a minha mãe falecer (em 2013), passei cinco anos a trabalhar em tempo integral com o meu pai e era mais do que apenas uma relação pai-filho, tínhamos uma relação de trabalho muito profunda. O que ele criou aqui nos últimos 50 anos é incrível, é realmente uma história única sobre a qual as pessoas ao redor do mundo leram e que não será esquecida”.

Micronações são entidades que afirmam ser Estados soberanos, mas não são legalmente consideradas independentes, ao contrário de microestados como a Cidade do Vaticano, que têm soberania reconhecida internacionalmente.

O peculiar principado de Hutt River

A Austrália gerou muito mais micronações do que a maioria dos países. Nas últimas décadas, dezenas dos seus cidadãos declararam independência da Austrália e estabeleceram a sua própria nação dentro de uma nação.

No entanto, nenhuma é tão conhecida como o principado de Hutt River. Enquanto o Príncipe Leonard decidiu separar-se da Austrália por causa do seu desacordo com os regulamentos agrícolas, transformou o principado numa atração turística única, com visitantes a chegar para comprar passaportes, moedas e selos.

A autoproclamada “Família Real” de Hutt River fez um grande esforço para tornar a sua micronação intrigante para os turistas. Os visitantes que chegavam à propriedade eram recebidos por um membro da família, que os ajudava a conseguir o visto de entrada, que custava 2,50 dólares.

Os turistas eram acompanhados pelos edifícios principais do principado por um membro da equipa que explicava a história local. Os viajantes podiam visitar os Correios do principado para enviar uma carta ou comprar selos do Hutt River, ver o Departamento de Memorabilia e na Sociedade Histórica e desfrutar de uma refeição leve nos salões de chá.

Outras atrações incluíram uma capela não denominacional e o Santuário Educacional Sagrado da Princesa Shirley. Com o nome da esposa do Príncipe Leonard, exibia descobertas relacionadas com a religião e a física e foi estabelecido com a ajuda de académicos do Royal College of Advanced Research do principado.

Os visitantes também podiam comprar e gastar o dólar do Hutt River.

Como os destinos turísticos em todo o mundo, o principado ficou vulnerável devido ao impacto económico da pandemia. O turismo foi uma das principais fontes de receita de Hutt River, principalmente nos últimos 15 anos, à medida que a Internet ajudava a espalhar a sua estranha história pelo mundo. O principado está fechado a viajantes desde janeiro.

ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

Cientistas medem temperatura a 4 mil borboletas (e revelam a influência do clima no seu habitat)

Um grupo de cientistas do Reino Unido recolheu 4 mil borboletas selvagens para medir a sua temperaturas, alertando que algumas das espécies mais reconhecidas do país estão em ameaça de colapso, e em risco de …

Teia da morte. Cientistas desenvolvem nova forma de matar células cancerígenas

Um novo estudo sugere que, através de uma interrupção direcionada e localizada da estrutura das células cancerígenas, o seu mecanismo de autodestruição pode ser ativado. As células cancerígenas multiplicam-se de forma incontrolável, levando a um crescimento …

Boavista 2-0 Porto | “Manita” em 45 minutos demolidores

Goleada do “dragão” no Bessa. No dérbi portuense entre Boavista e FC Porto, os campeões nacionais sentiram dificuldades na primeira parte, não conseguiram sequer enquadrar qualquer um dos seus remates, mas na segunda parte tudo …

Magawa, o rato que deteta minas, ganhou uma medalha de ouro

Magawa, um rato gigante africano, foi treinado para descobrir minas terrestres e tem estado ao serviço no Camboja. O animal foi agora proclamado herói e premiado por salvar vidas naquele país. A instituição de caridade britânica …

Cientistas descobrem nova espécie de crustáceo no lugar mais quente da Terra

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova espécie de crustáceo de água doce durante uma expedição ao deserto de Lute, no Irão, também conhecido como o lugar mais quente do planeta. Hossein Rajaei, do Museu Estadual …

Furacão Sally fragmentou parte de uma ilha da Florida em três

A passagem do furacão Sally fragmentou parte de uma ilha na costa da Florida, no Estados Unidos, criando assim três pequenas porções de terra. Na prática, tal como explica o portal USA Today, o furação abriu …

Benfica 2-0 Moreirense | “Águia” vence e convence cónegos

Após ter perdido e empatado nas duas últimas recepções ao Moreirense, o Benfica voltou a vencer o emblema de Moreira de Cónegos na Luz. Este sábado, em duelo relativo à segunda jornada do campeonato, as “águias” …

"Surpreendente e fascinante". Descoberta pela primeira vez uma aurora sobre um cometa

A nave Rosetta da Agência Espacial Europeia (ESA) detetou uma aurora boreal sobre o cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko (67P / C-G). Em comunicado, os cientistas envolvidos na deteção frisam que esta é a primeira vez quem …

Austrália não quer que turistas caminhem na famosa rocha sagrada Uluru (nem no Google Maps)

A Austrália pediu ao Google que remova do seu serviço Maps fotografias tiradas do topo de Uluru, o monólito aborígine sagrado que os visitantes estão proibidos de escalar desde o ano passado. De acordo com a …

NASA vai procurar aquíferos nos desertos com tecnologia já usada em Marte

Uma parceria entre a NASA e a Fundação Qatar tem como objetivo procurar as cada vez mais escassas águas que estão enterradas nos desertos do Saara e da Península Arábica. Este processo deverá ser desenvolvido …