100 mil vacinados por dia na próxima semana. Doentes em consultas externas podem ser inoculados nos hospitais

Mário Cruz / Lusa

O coordenador da task force da vacinação contra a covid-19 anunciou esta terça-feira que os doentes acompanhados em consultas externas vão poder ser vacinados nos próprios hospitais, um processo que deve iniciar-se na próxima semana.

“Estamos a organizar um processo em que todos os doentes que estão em consulta externa, porque são doentes mais graves, também sejam vacinados no contexto hospitalar imediatamente dentro das próprias consultas dos hospitais”, afirmou o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, em entrevista à RTP3.

Segundo o responsável do plano de vacinação, que se iniciou no final de 2020, este procedimento “facilita muito o processo” de vacinar as pessoas com doenças e contribui também para uma “vacinação mais segura”.

“Estamos a preparar o processo. Não costumámos demorar muito tempo a preparar estes processos”, disse Gouveia e Melo, que admitiu que esta vacinação em contexto hospitalar possa arrancar já na próxima semana.

Para a próxima semana está previsto “começar a vacinar mais de 100 mil pessoas por dia”, “caso não haja contratempos na entrega das vacinas”, acrescentou o coordenador da task force.

Se não existirem contratempos na entrega das vacinas que estão previstas chegar a Portugal, a meta de ter 70% da população vacinada com a primeira dose contra o vírus SARS-CoV-2 será atingida entre o final de julho e agosto.

Recuperados vacinados após seis meses

Esta terça-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou a norma da vacinação, ficando agora definido que os doentes que já recuperaram de covid-19 podem ser vacinados após ter terminado a vacinação das pessoas com mais de 60 anos, desde que tenham passado pelo menos seis meses sobre a data em que lhes foi feito o diagnóstico. Os recuperados serão chamados de acordo com a faixa etária a que pertencem.

De acordo com o jornal Público, a versão anterior referia que os seis meses eram contados a partir do dia em que era dada alta de isolamento. Com a nova versão, fica definido que “os seis meses são contados desde o dia da notificação do caso”. Independentemente da vacina, será administrada aos recuperados apenas uma dose.

Já as pessoas que ficaram infetadas após a primeira dose “devem ser vacinadas com uma dose da mesma vacina, após seis meses da notificação da infeção por SARS-CoV-2”.

A vacinação das pessoas entre os 16 e os 79 anos que decorre por ordem descendente de idade decorre “em paralelo” com a das pessoas com 16 ou mais anos que tenham pelo menos uma das doenças que as tornam prioritárias nesta segunda fase. Estas lista inclui-se cancro cativo, transplantação, diabetes, VIH e esclerose lateral amiotrófica.

Quanto ao grupo de resiliência, a lista atual ficou concentrada nos “profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados a doentes e profissionais envolvidos no sistema de resposta à pandemia”, como os profissionais envolvidos na prestação de cuidados a doentes, no seu transporte – bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa –, profissionais diretamente envolvidos em serviços de apoio hospitalar e cuidados de saúde primários e estudantes do último ano dos cursos de Medicina e de Enfermagem.

Maioria das pessoas maiores de 65 tomou uma dose

De acordo com os números divulgados pela task force de vacinação, citados pelo semanário Expresso, 93% das pessoas em Portugal com 80 anos ou mais já tomaram pelo menos uma dose da vacina – valor que é de 71% entre quem tem 65 e 79 anos.

Em relação à vacinação completa, 82% das pessoas com 80 ou mais já tomaram as duas doses, enquanto apenas 7% da população entre os 65 e os 79 tem a vacinação completa.

Na população com 50-64 anos, 19% tomou uma dose e 4% as duas; nos 25-49, 11% tomou uma e 4% as duas; nos 18-24 é de 4% e 2%, respetivamente.

Além disso, 386 pessoas até aos 17 anos tomaram uma dose e 232 já têm a vacinação completa.

Assim, 25% da população já tomou uma dose, o que significa que três em cada quatro pessoas em Portugal ainda não iniciaram o processo de vacinação. Quase um milhão de pessoas (9% da população) já tomou as duas doses.

O processo está mais avançado no Centro e no Alentejo, onde 30% e 32% da população já tomou uma dose, valor que é respetivamente de 12% e 13% entre quem tomou as duas. Seguem-se a Madeira (27% tomou uma dose e 9% as duas) e o Algarve (22% e 8%). Na região Norte, 24% da população tomou uma dose e 8% as duas, valor que é respetivamente de 23% e 8% em Lisboa e Vale do Tejo. Nos Açores é onde menos pessoas tomaram a primeira dose (20%), sendo que 9% tomaram as duas.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto revelou que a intenção de ser vacinado contra a covid-19 foi maior nas pessoas com 60 ou mais anos e menor nos indivíduos entre 40 e 49 anos.

O documento conclui que a grande maioria dos inquiridos (90%) “manteve a intenção de ser vacinada contra a covid-19”. A intenção de ser vacinado foi “sempre mais frequente” entre os participantes com 60 ou mais anos (entre 92% e 95%) e menos nos indivíduos com idades entre os 40 e 49 anos (84% e 85%).

Os inquiridos com “maior rendimento” mantiveram-se também mais favoráveis à vacinação, não tendo existido diferenças regionais “notórias”.

Maria Campos, ZAP // Lusa

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