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Virologista avisa que podem surgir mais casos de reinfeção por covid-19

Mahmoud Khaled / EPA

Embora admita que até ao momento são raros, o virologista português Celso Cunha admite que há a possibilidade de surgirem mais casos de reinfeção por covid-19.

Especialistas holandeses e belgas confirmaram hoje a identificação de pelo menos um caso de reinfeção pelo novo coronavírus nos respetivos países, um dia depois de investigadores de Hong Kong terem divulgado o primeiro caso deste tipo a nível mundial.

“Os casos documentados de reinfeção são relativamente raros até agora, embora não queira já dizer que não possam vir a ser mais frequentes do que aquilo que estamos agora a observar. Tratam-se de pessoas que foram diagnosticadas uma vez e depois, passado algum tempo, voltaram a ser diagnosticadas depois de testes negativos”, disse Celso Cunha à TSF.

Pequenas mutações no vírus podem levar a mais casos de reinfeção. O virologista considera que não é surpreendente, já que também é algo comum noutros vírus.

“Não me parece que seja uma situação totalmente inesperada. Nos vírus que causam doenças respiratórias, como o vírus da gripe, podem acontecer reinfeções ainda durante a mesma época do ano. É vulgar termos uma constipação, com algum corrimento nasal, num determinado momento e passados alguns meses voltamos a ter uma mesma constipação que pode ser causada por um vírus da mesma família ou não”, explicou o especialista.

OMS: Reinfeções são muito raras

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse hoje que os relatórios que recebeu sobre pessoas que foram reinfetadas com o novo coronavírus são muito raros, após ter conhecimento de um homem de Hong Kong que foi infetado duas vezes.

“De vez em quando, recebemos relatos anedóticos de pessoas que fizeram o teste com resultado negativo e depois positivo, mas não ficou claro até agora se isso é um problema com o teste em si ou se houve pessoas que realmente foram infetadas pela segunda vez”, disse a porta-voz da OMS Margaret Harris.

Contudo, em qualquer caso, as possíveis reinfecções mencionadas “representam um número muito, muito baixo”.

“Estamos perante um caso documentado entre mais de 23 milhões de casos confirmados”, lembrou a porta-voz numa referência ao caso do homem de Hong Kong que contraiu o vírus duas vezes.

De acordo com Harris, outros podem surgir após o caso de Hong Kong, mas isso “não parece ser uma ocorrência comum”.

A OMS recebe diariamente os resultados das milhares de investigações que estão a ser realizadas no mundo sobre diferentes aspetos da pandemia de covid-19, entre elas, a relacionada à imunidade que um doente gera após ter superado a doença.

“Precisamos de entender o que isso significa em termos de imunidade e por isso há muitos grupos que estão seguindo as pessoas, medindo seus anticorpos e tentando perceber quanto tempo dura a proteção natural”, explicou a porta-voz.

Essa imunidade, adiantou, é diferente da produzida pelas vacinas, que provocam um estímulo imunológico muito preciso “mais potente e que dezenas de empresas farmacêuticas e de biotecnologia estão a tentar recriar em seus laboratórios para encontrar uma vacina contra o novo coronavírus”.

A duração da imunidade gerada pela vacina só pode ser estabelecida após vários anos de monitoramento das pessoas imunizadas.

  ZAP // Lusa

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