Na primeira fase, será possível administrar 400 mil doses de vacinas “numa semana a dez dias”. Segunda ronda pode ser crítica

Elza Fiúza / Flickr

Os especialistas já fazem previsões. Se por um lado a primeira fase da vacinação contra a covid-19 se adivinha rápida, a segunda será poderá ser muito complicada.

Os representantes dos profissionais dos centros de saúde – onde vão ser vacinadas logo na primeira fase do plano de imunização contra a covid-19 cerca e 400 mil pessoas – estão confiantes de que em poucos dias conseguem concluir esta tarefa.

Em declarações ao jornal Público, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), calcula que “bastará uma semana a dez dias para vacinar (com a primeira dose) os doentes indicados. Serão cerca de 400 doses por unidade de saúde”.

A opinião é partilhada pelo enfermeiro Diogo Urjas, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN). “Na primeira fase, se mantiverem estes grupos de risco, as 900 unidades funcionais e algumas extensões em locais mais isolados têm capacidade para vacinar com rapidez”, realça.

Ainda assim, os dois especialistas alertam que a segunda fase – em que está prevista a imunização de 2,7 milhões de pessoas, as que têm mais de 65 anos e 900 mil doentes crónicos – é um desafio bem mais complicado que implicará a contratação de mais enfermeiros.

Reunidos pela primeira vez esta sexta-feira com os responsáveis pelo grupo de trabalho do plano de vacinação, que é coordenado pelo ex-secretário de Estado da Saúde Francisco Ramos, Rui Nogueira e Diogo Urjais aproveitaram para apresentar alguns problemas que terão que ser resolvidos para que o processo de vacinação decorra sem vicissitudes.

Segundo os especialistas, não vale a pena ir a correr para os centros de saúde para ser vacinado, pois is cidadãos incluídos nos grupos prioritários serão convocados e será agendada a sua vacinação, com os intervalos necessários para a administração da segunda dose.

Reforço para a segunda fase

Na segunda fase, com mais de cinco milhões de doses a administrar, a tarefa pode ser bem mais complexa. Por isso, os dois especialistas concordam que vai ser necessário contratar mais profissionais, enfermeiros, e, sobretudo, secretários clínicos.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, acredita que os profissionais que representa conseguem dar conta do recado, até porque esta é, afinal, “outra campanha” de imunização “em massa”.

Reunida na semana passada com Francisco Ramos, Ana Rita Cavaco disse que já sugeriu que, em vez de se alargar os horários dos centros de saúde, se organize a vacinação noutros locais. “Facilmente conseguimos montar postos de vacinação em qualquer lado”, defende.

António Lacerda Sales também já deixou definido que são os enfermeiros do SNS que “prioritariamente vão vacinar”. Sobre a possibilidade de os centros de saúde terem que alargar os horários de funcionamento, admitiu que isso “é possível”, mas ressalvou que a decisão cabe às unidades locais de saúde e aos seus diretores.

“Na primeira fase haverá 1200 pontos de vacinação e na fase posterior podemos pensar noutros pontos de vacinação, nomeadamente se for preciso uma vacinação mais maciça, com campanhas em escolas, em pavilhões ou noutros pontos de proximidade que possam dar um melhor acesso aos doentes”, adiantou o secretário-geral da Saúde.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Afinal… 400 mil ou 950 mil? Decidam-se, caramba!
    Andam a brincar com o sistema de saúde? Parece!
    Mais outro ponto que me está a fazer detestar Portugal, governado por populistas e por papagaios.

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