Urgência do Hospital Santa Maria está a chegar ao limite

Ivendrell / Wikimedia

Hospital de Santa Maria, Lisboa

A urgência dedicada aos casos suspeitos de covid-19 do Hospital Santa Maria, em Lisboa, reflete a evolução da pandemia em Portugal com doentes a avolumarem-se à porta para realizar o teste e no interior a capacidade quase esgotada.

Os contentores brancos onde funciona a urgência dedicada à covid-19 do maior hospital do país estão instalados em frente à Urgência Central e separados do edifício principal para garantir a segurança dos outros doentes que ali vão fazer os seus tratamentos, consultas e cirurgias.

A nova ala foi criada já depois da primeira fase da pandemia, concentrando os serviços que eram assegurados até então pelas tendas da Cruz Vermelha, pelo espaço na receção central do hospital e por um pré-fabricado.

O que se pretendeu foi “separar os doentes suspeitos dos não suspeitos com a criação de circuitos separados”, diz à agência Lusa o médico Jacques Santos, adjunto da direção do Serviço de Urgência.

À pergunta se tem aumentado a afluência de doentes com covid-19 ou suspeitos de estarem infetados, o médico afirma que “tem sido de dia para dia, cada vez mais”.

“Temos capacidade para 26 doentes e, neste momento, a capacidade está quase preenchida no ‘covidário’, embora estejam doentes a aguardar transferência para os serviços”, explica.

Terça-feira o movimento era visível à porta da urgência, com ambulâncias do INEM estacionadas, profissionais de saúde equipados com fatos de proteção e algumas dezenas de pessoas a aguardar para fazer o teste à covid-19 – uns sentados nos pilares que ladeiam o passeio, enquanto outros preferem esperar de pé a sua vez.

Lá dentro, os profissionais de saúde desdobram-se na zona de triagem, onde fazem as zaragatoas e circulam pelas várias divisórias individuais, onde estão os doentes em situação mais grave, deitados em macas à espera de serem transferidos.

“Estamos a internar muitos doentes em cuidados intensivos”, adianta Jacques Santos, recordando que no início da segunda vaga parecia haver menos doentes graves, porque a população infetada era mais jovem, mas “foi um erro acreditar nisso”.

“No meio de tantos doentes novos dá aquela sensação de que o vírus está a ser menos agressivo”, mas “a gravidade dos doentes não é menor”, observa.

Segundo o presidente do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Daniel Ferro, todos dias passam pela urgência entre 100 a 150 utentes e ter a urgência separada ajuda porque se evita “ao máximo” o contacto com a instituição, que monitoriza os dois terços que recorreram à urgência e foram enviados para casa, mas ainda podem desenvolver sintomas.

Apesar dos longos meses de pandemia e do cansaço expresso na cara de muitos profissionais de saúde, a vontade de ajudar permanece.

“Em termos de enfermagem mantemos o mesmo perfil desde março até hoje”, disse à Lusa Carlos Neto, enfermeiro gestor dos Serviços de Urgência, que tem estado no combate à pandemia desde o primeiro dia.

Para o enfermeiro, as maiores dificuldades estão “na pressão da insegurança” que os profissionais têm e “na incerteza relativamente ao futuro”, devido ao prolongamento da situação, o que se vai “notando na equipa no seu todo”.

“Mas não baixamos a guarda”, garante Carlos Neto, considerando que os maiores desafios que os profissionais têm de enfrentar são manter os “perfis de segurança, evitar a contingência de dificuldades de material e de meios humanos e prestar a assistência”.

É uma situação que exige “um grande esforço” e apesar de os profissionais ainda não estarem em exaustão tudo isto “vai deixando umas marcas pela extensão temporal da pandemia e certamente pelo que virá, porque ainda vai demorar uns meses”.

Para o médico Jacques Santos, o problema é que os profissionais não tiveram um período em que estiveram “ausentes da infeção”.

Fazendo uma comparação com a gripe A, o médico diz que aí sabia-se que havia “um período longo” de acalmia (a primavera, o verão e o outono), o que não aconteceu com este vírus.

Em Portugal, morreram 2.428 pessoas dos 132.616 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

// Lusa

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