UE avança com sanções contra Bielorrússia. Candidata da oposição apela a “massivas manifestações”

Patrick Seeger / EPA

Ursula Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia

Os chefes de diplomacia da União Europeia (UE) acordaram esta sexta-feira impor sanções ao regime de Minsk na sequência das eleições presidenciais de domingo passado, visando os responsáveis pela alegada fraude nos resultados e pela repressão violenta das manifestações.

A decisão de desencadear o processo de instauração de novas sanções contra dirigentes da Bielorrússia foi tomada durante uma reunião extraordinária dos chefes de diplomacia dos 27, realizada esta sexta-feira por videoconferência, e anunciada pelo Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, na sua conta oficial na rede social Twitter.

A UE não aceita os resultados das eleições. Começam os trabalhos para sancionar os responsáveis pela violência e falsificação” dos resultados, escreveu o chefe da diplomacia europeia, que na passada quarta-feira decidiu convocar este Conselho extraordinário, sobretudo face ao agravamento da repressão das manifestações que têm ocorrido um pouco por toda a Bielorrússia a contestar os resultados oficiais das eleições.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, congratulou-se com a decisão de aplicar sanções aos responsáveis pela falsificação dos resultados eleitorais e subsequente violência na Bielorrússia. “É bom que os ministros dos Negócios Estrangeiros tenham acordado unanimemente definir sanções adicionais contra os responsáveis. A Europa tem de promover ativamente os seus valores”, escreveu no Twitter.

Com a “luz verde” dada esta sexta-feira pelos 27, terá início o processo para selecionar os responsáveis a serem sancionados, isto depois de a UE ter levantado em 2016 a maior parte das sanções contra o regime de Minsk por considerar que estavam a ser dados “passos positivos”.

Desde o passado domingo que a Bielorrússia é palco de uma onda de protestos contra a reeleição do Presidente, Alexander Lukashenko, que muitos, incluindo a UE, consideram fraudulenta. Mais de 6.700 pessoas foram detidas durante ações de protesto.

A Comissão Eleitoral Central bielorrussa informou na segunda-feira que Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, obteve 80,23% dos votos, que lhe permite cumprir um sexto mandato presidencial consecutivo, um resultado rejeitado pela oposição.

A principal candidata da oposição, Sviatlana Tsikhanouskaya, cujas ações de campanha atraíram multidões de eleitores frustrados com o governo autoritário de 26 anos de Lukashenko, terá obtido 10% dos votos. Durante a semana, refugiou-se na Lituânia, de onde lançou um apelo para a realização de “massivas manifestações pacíficas” em todo o país durante o fim de semana.

“Os bielorrussos não querem continuar a viver com o poder anterior. A maioria não acredita na vitória (de Lukashenko)”, afirmou, acrescentando que, nas assembleias de voto onde a “contagem foi justa”, obteve entre 60% e 70% dos votos, razão pela qual exorta Lukashenko a ceder o poder. “Peço a todos os autarcas para organizarem nos dias 15 e 16 de agosto massivas concentrações pacíficas em cada uma das cidades da Bielorrússia.

Esta semana, a UE já aprovara uma declaração na qual denunciava que as eleições presidenciais não foram “nem livres nem justas” e ameaçava adotar sanções contra os responsáveis pela violência exercida contra manifestantes pacíficos.

“As eleições não foram nem livres nem justas. Procederemos a uma revisão aprofundada das relações da UE com a Bielorrússia. Poderá implicar, entre outras, a adoção de medidas contra os responsáveis das violências registadas, das detenções injustificadas e da falsificação dos resultados das eleições”, anunciaram em comunicado os 27 países.

  ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Esperemos que a UE e a ONU sejam assim coerentes quando o Trump roubar as eleições presidenciais nos EUA, algo que aliás já está a fazer com a sabotagem dos Correios norte-americanos pelo lacaio que ele colocou a chefia-los para impedir os votos por correio… Espeto honestamente que caso se confirme este escândalo sem precedentes, que a UE e a ONU não sejam lacaios dos EUA e coniventes com o crime que o Trump está prestes a perpetrar…

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