Se a UE responder com austeridade, teremos “mais uma década perdida”

Tiago Petinga / Lusa

O ministro da Economia defendeu esta terça-feira que, se a resposta da União Europeia (UE) a uma crise com estas características for austeridade, com redução de despesa e aumento de impostos, será “mais uma década perdida”.

“Se a resposta da União Europeia forem políticas de austeridade, podem ter certeza que vamos ter mais uma década perdida”, disse o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que falava perante os deputados da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, sobre as consequências económicas da covid-19 e das medidas de combate à sua propagação.

“Na resposta a uma crise com estas características, políticas de austeridade agravam a recessão e não podem ser impostas aos países. Isto é claro e inequívoco”, sublinhou.

Admitindo que “provavelmente” se vai observar um crescimento do desemprego, o ministro da Economia garantiu que as orientações políticas do Governo português na resposta a esta crise não são para diminuir as despesas e aumentar os impostas.

Lembrando que os critérios de convergência europeus estão suspensos, “seguramente para os próximos dois anos”, Siza Vieira considerou que o esforço que Portugal tem agora de fazer é o de “digerir o custo da recessão” sem contaminar esses critérios estabelecidos para os Estados-membros da União europeia e que têm de se verificar para que estes pertençam à União Económica e Monetária.

Para Pedro Siza Vieira, a resposta à crise económica motivada pela pandemia de covid-19 “não é uma questão de solidariedade europeia”, mas antes “uma questão de interesse próprio de toda a União Europeia”.

No entanto, o ministro da Economia ressalvou que é necessário prudência na gestão da política económica e que o Estado não vai conseguir assegurar a cobertura de toda a quebra da atividade económica, mas sim garantir a proteção e preservação da capacidade produtiva das empresas, para quando houver retoma.

“Nas microempresas, vamos ter muitas que não vão conseguir sobreviver”, admitiu o ministro, salientando, porém, o dinamismo do mercado das microempresas em Portugal, onde, segundo os dados disponíveis de 2018, se criaram mais 15% e se extinguiram 11% deste tipo de negócios. “Não estou a dizer que devemos regatear despesas, mas não podemos gastar sem critério”, acrescentou.

“Cenários pesados para o turismo”

Na mesma intervenção na Assembleia da República, o ministro da Economia admitiu “cenários pesados para o turismo”, setor que vai ter a retoma mais lenta de todos, apesar de estar convencido de que comece a acontecer já no próximo ano. “Temos de assumir isto, [vamos ter um] período de um ou dois anos em que os níveis da atividade turística vai estar muito abaixo daquilo a que nos habituámos”, afirmou Pedro Siza Vieira.

“Estou convencido de que no próximo ano haverá retoma, mas não quero esconder nada, temos cenários pesados para o turismo”, sublinhou.

Lembrando que o turismo representa 14% do volume de negócios e 8,8% do Produto Interno Bruto (PIB) português, Siza Vieira admitiu que o Governo está preocupado com o impacto da pandemia no setor, mas quis também “contrariar a ideia de que o país está excessivamente dependente do turismo”.

Apesar da importância da atividade turística no equilíbrio da balança externa e na criação de emprego, o governante considerou que o setor “está longe” de assegurar a atividade exportadora do país, devido à diversificação da atividade económica a que se tem assistido nos últimos anos. Assim, Siza Vieira defendeu que terão de ser outros setores a dar um maior contributo para as exportações portuguesas nos próximos tempos.

O ministro com a pasta de Economia considerou, ainda, que esta crise, primeiro sanitária e depois económica, veio demonstrar a necessidade de alteração dos estilos de vida. “Se há alguma coisa boa que podemos tirar no meio desta desgraça toda […] é percebermos que, bem mobilizada, a população consegue adaptar-se a novos estilos de vida”, defendeu.

O caminho a seguir, disse, não passa por reforçar a economia extrativa de antes, mas sim aumentar os apoios à transição digital, a uma economia circular e mais justa. “O maior recurso ao teletrabalho, provavelmente, vai reduzir as deslocações dentro dos centros urbanos, reduzindo emissões de CO2, por exemplo”, apontou.

ZAP // Lusa

 

PARTILHAR

RESPONDER

Metro de Nova Iorque pede à Apple para melhorar sistema de reconhecimento facial

A autoridade que gere o metro de Nova Iorque, nos Estados Unidos, pediu à gigante tecnológica Apple para melhorar o reconhecimento facial dos seus dispositivos depois de serem observados vários passageiros a retirar a máscara …

Rival da Tesla diz que o seu carro terá uma autonomia de 832 quilómetros

A empresa Lucid Motors, concorrente direta da Tesla no mercado automóvel elétrico, afirma que o seu carro Air terá uma autonomia de 832 quilómetros. A confirmar-se a autonomia deste carro, o automóvel da Lucid Motors ultrapassará …

Moradores das Maurícias estão a cortar o próprio cabelo para ajudar a evitar um desastre ambiental

Moradores das Maurícias estão a cortar o seu próprio cabelo para para tentar minimizar os danos causados pelo derrame de petróleo de um navio janponês encalhado nos recifes de coral ao largo da ilha. Estima-se que …

Atalanta 1-2 PSG | Reviravolta épica vale bilhete para as “meias”

Um final impróprio para cardíacos e o epílogo perfeito num excelente jogo. O PSG esteve a perder desde o minuto 27, mas em apenas três minutos dos descontos deu a volta ao texto diante da …

Um emblemático transplante nos EUA aconteceu graças a um coração "roubado"

Um dos primeiros transplantes de coração realizados no mundo aconteceu no Estados Unidos. O que muitos não sabem é que este caso de sucesso também deu aso ao primeiro processo civil no país por homicídio …

"Pandemia de sem-abrigo" nos EUA. Há 30 milhões de pessoas sob risco de despejo

Nos Estados Unidos da América avizinha-se uma "pandemia de sem-abrigo". Até ao final de setembro, 30 milhões de norte-americanos estão em risco de despejo devido à covid-19. Nos Estados Unidos, a pandemia de covid-19 pode estar …

Tráfego nas autoestradas cai para quase metade. Foi o pior trimestre de sempre

A rede da Associação Portuguesa das Sociedades Concessionárias de Autoestradas ou Pontes com Portagens (APCAP) registou de abril a junho "o pior trimestre de circulação e tráfego médio desde que há registos", recuando 46% devido …

Bielorrússia cortou acesso à internet e tentou fazer com que parecesse um acidente

No seguimento da reeleição de Alexandr Lukashenko na Bielorrússia, multiplicam-se os apagões de internet. O Governo diz que se trata de um ataque cibernético, mas há suspeitas de que seja um plano do presidente. Os protestos …

Resgatados 28 cães sem registo ou vacinas de barracões onde também vivia a proprietária em Lisboa

Vinte e oito cães foram retirados pela PSP terça-feira de barracões em Lisboa onde também vivia a proprietária, avança a agência Lusa, detalhando que os animais serão depois colocados para adoção.  Os animais foram posteriormente recolhidos …

Pela primeira vez em 300 anos, é possível visitar esta ilha em Cabo Cod

Pela primeira vez em 300 anos, uma ilha ao largo da costa de Cabo Cod, península em forma de gancho no estado norte-americano de Massachusetts, está aberta ao público. A Ilha Sipson é propriedade privada desde …