Os turistas estão a destruir os sítios que adoram. E o Porto não escapa

A revista alemã Der Spiegel dá o exemplo da cidade do Porto, mais concretamente da famosa Livraria Lello, para explicar como os “turistas estão a destruir os sítios que tanto adoram”.

As conclusões são de um artigo, publicado na terça-feira, pela Der Spiegel. A revista alemã aborda o facto de o turismo já não ser um bem de luxo como antigamente e de as companhias aéreas low cost como a Ryanair e a Easyjet terem contribuído para um fenómeno de turismo em massa em várias cidades da Europa.

Alguns desses exemplos são Barcelona, Roma e, no caso português, o Porto, cidades que, de acordo com a publicação, começam a fazer com que os próprios moradores se sintam mais “estrangeiros” do que os turistas que as visitam.

A revista começa por abordar o caso da Livraria Lello, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da “invicta” e que, graças ao grande fluxo turístico, cobra agora entrada (valor dedutível caso o visitante queira comprar um ou mais livros no prazo máximo de um mês após a aquisição do bilhete).

Descrita no artigo como “um edifício neogótico de dois andares com muita madeira escura, abundância de livros antigos, ornamentação e vitrais, uma escada curva no meio (…) e por onde passou J.K. Rowling (criadora da saga Harry Potter) quando morava no Porto”, a Der Spiegel não deixa de lado os pontos negativos.

“O Porto não é uma grande cidade – cerca de 200 mil habitantes – e o centro histórico é facilmente fácil de conhecer. A primeira coisa que se vê quando chegamos à Livraria Lello são as longas filas à entrada. Turistas japoneses, mochileiros escandinavos, famílias de França, casais da China, americanos e alemães”, lê-se.

Para além das filas, a revista também se queixa das barreiras de controlo na loja, como se a entrada da livraria fosse uma espécie de “balcão de check-in de aeroporto” e fala daquilo que parece ser mais evidente no interior: ninguém quer saber dos livros, “parecem estar todos a tirar fotos com os seus smartphones”.

A revista recorda que, resultado da crise económica, a Lello esteve à beira da falência, há quatro anos. Os números atuais parecem uma loucura quando se olha para trás: durante o verão, a livraria recebe quatro e cinco mil pessoas por dia. Em 2017, o estabelecimento recebeu 1,2 milhões de visitantes e faturou mais de sete milhões de euros.

Segundo a Der Spiegel, o turismo na cidade já pode ser apelidado de “predador”, embora o Porto ainda não atinja os níveis de saturação de turistas de outras cidades europeias como Barcelona e Amesterdão.

Este é mais um aviso de que como o turismo em massa está a retirar o que há de mais genuíno nas cidades e a criar sérios problemas aos que lá habitam. No início do mês, o Diário de Notícias abordou a questão do lixo que “quase dá pelos pés” em Lisboa.

Sacos de lixo que se acumulam junto a contentores, copos de plástico com restos de bebidas, garrafas de vidro, sofás velhos no meio da rua e um cheiro nauseabundo são algumas das queixas feitas pelos moradores de alguns dos bairros mais turísticos da capital.

ZAP ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. O problema não são os turistas pois esses melhoram a economia do país.o problema são os labregos dos decisores políticos que nao se adaptam às novas realidades das cidades. Ao invés de renovarem os seus gabinetes e frotas de automóveis deveriam aumentar as frotas de carros do lixo contratar mais pessoal realizar limpezas com maos regularidade.. enfim basta irem a Espanha e aprendem qualquer coisa

  2. Não percebo a lógica da peça. Então os turistas são maus porque, verdadeiramente, asseguram a sobrevivência da Livraria Lello, é isso?
    Sim, porque se antes estava à beira da falência, pelo facto de os “locais” nem sequer comprarem lá livros, sem os turistas dificilmente ainda hoje existiria, ou então estaria tão degradada que nem quero imaginar…

  3. Concordo em absoluto – até fui ler o artigo original.
    É um artigo bastante interessante sobre um assunto pertinente e, qualquer pessoa minimamente atenta, percebe onde querem chegar!
    Quem não percebe é porque não entende… ou não quer entender!…

  4. Cada um que interprete a notícia como quiser ou for capaz.
    Eu acho que ela, notícia, descreve o que se vem passando. Exactamente o que também sinto.
    E quanto à livraria LELLO, que conheço muito bem, por mais de uma vez que lá não entrei à procura de certas obras (que não encontrava noutras livrarias) por falta de condições para o efeito, tantas eram os estrangeiros que atafulhavam aquele belo espaço livreiro.
    E como diz na peça, «ninguém quer saber dos livros». E eu acrescento, e também ninguém fica a conhecer a livraria. Em tais situações, não há tacto nem olfacto, nem olhos nem ouvidos que possam fruir o e do que quer que àquele espaço respeite. O que é pena!

  5. Tudo isto é verdade, no caso de lisboa é demais, o cheiro a mijo, das ruas na zona da expo, o mau cheiro das estações do metro, são sintomas de falta de limpeza, não basta recolher é preciso lavar.

  6. tipico portugues,quando tem fome quer o prato de sopa,depois de saciado cospe no mesmo! a imcompetencia da cameras e os contatos dubios com as empressas de recolha e tratamento de residuos,o turismo da emprego a muitos pobers ( que querem trabalhar)estamos a assistir a um boom de turismo pobre,do hostel,que dorme em camaratas,a preços do tipo 15 euros noite,fica 5 dias numa cidade e vai 3 vezes ao restaurante e nao 10 !nao aluga carro e evita taxi,anda em transportes publicos,sobrecarrega infraestruturas e deixa pouco dinheiro,deita-se por volta das 23h apesar de jovem !o dinheiro nao chega para sair muito a noite,faz compras no supermercado pois sai mais barato,diferente de outro turismo como por exemplo do golf,que deixa gorjetas de 30 euros,mas como tambem nao temos nem foram criadas condiçoes para atrair mais turismo de classe media alta e alta! ainda bem que temos estes !

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