Trump segue os passos de Nixon e usa a “teoria do louco” contra a Coreia do Norte

Gage Skidmore / Flickr

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump

A “Madman Theory”, ou Teoria do Louco em português, oferece um novo olhar sobre a crescente tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. E já há quem defenda que é esta a estratégia que está a ser utilizada por Donald Trump.

A ser verdade que Donald Trump está a utilizar a “Teoria do Louco”, o facto de Kim Jong-un ter dito que o presidente dos Estados Unidos era “mentalmente perturbado” pode até ter sido uma conquista para Trump, avança a BBC.

A ideia da “Teoria do Louco” é posicionar-se como alguém imprevisível ou disposto a tudo e a qualquer custo numa tentativa de dissuadir o inimigo. Se um dos lados acredita genuinamente que o outro é capaz de dar início a um combate, pode ceder às demandas dele para evitar o pior, como, por exemplo, um ataque nuclear.

A “Teoria do Louco” prevê que o comportamento supostamente irracional seja deliberado, ou seja, o comportamento supostamente imprevisível – que passa a impressão de que uma loucura pode ser cometida a qualquer momento – não é verdadeiro, mas credível o suficiente para enganar o inimigo. Assim, nunca se sabe ao certo se a pessoa apenas se faz passar por louca ou se de facto é um indivíduo instável.

As especulações de que Trump tenha seguido essa estratégia no que toca à política externa surgiram antes mesmo dele assumir a presidência dos EUA em janeiro. Ainda durante a campanha, ele lançou a carta da imprevisibilidade ao posicionar-se sobre temas internacionais.

Temos que ser imprevisíveis. Somos muito previsíveis e o previsível é mau”, respondeu Trump em entrevista no ano passado sobre o que pretendia fazer em relação à expansão chinesa.

Mas as suspeitas de que Trump aplica a Teoria do Louco na política externa quando prometeu responder com “fogo e fúria” a ameaças da Coreia do Norte.

Os motivos para acreditar que o norte-americano é adepto da estratégia da imprevisibilidade ganharam ainda mais força esta semana quando na Assembleia Geral das Nações Unidas e Trump disse que os Estados Unidos estão preparados para “destruir totalmente” a Coreia do Norte.

No sábado, um dia após o segundo lançamento, pelo regime de Kim Jong-un, de um míssil intercontinental, a tensão escalou quando bombardeiros B-1B americanos, escoltados por jatos de combate, sobrevoaram a península coreana, naquilo que o Pentágono classificou de uma “demonstração de força”.

Mas será que Donald Trump realmente quer que Pyongyang o veja como louco? Qual o risco de enfrentar um regime tão fechado que alega ter armas nucleares?

Trump segue os passos de Nixon

A imagem do ex-presidente Richard Nixon (1969-1974) há anos que é associada à Teoria do Louco. Este foi o primeiro presidente dos EUA a quem se atribuiu o uso da estratégia, supostamente para intimidar a União Soviética e a Coreia do Norte. A ideia era fazer com que os membros do bloco comunista pensassem que o então presidente americano era inconstante e irracional.

H.R. Haldeman, chefe de gabinete de Nixon, escreveu que o ex-presidente lhe falou sobre a teoria quando disse querer que os vietnamitas do norte pensassem que ele poderia fazer “qualquer coisa” para por um fim à Guerra do Vietname, sabendo que tinha nas mãos o “botão nuclear”.

Trump tem salientado que também controla ferramenta similar. Fez isso no dia seguinte ao comentário em que prometeu “fogo e fúria”, palavras que integrantes do governo norte-americano descreveram como espontâneas.

Enquanto o secretário de Estado, Rex Tillerson, tranquilizava aliados negando que houvesse uma ameaça iminente à Coreia do Norte, Trump usou a conta no Twitter para afirmar que sua primeira ordem como presidente foi “renovar e modernizar” o arsenal nuclear dos EUA.

“Espero que nunca precisemos de usar esse poder, mas nunca haverá um tempo em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo“, postou em 9 de agosto.

Diversos analistas americanos comentam abertamente sobre a possibilidade de Trump estar a seguir a linha de Nixon para tentar amedrontar os norte-coreanos. “Eu acho que pode ser muito eficaz, desde que não esteja realmente louco“, disse David Brooks, colunista do jornal The New York Times no programa PBS Newshour.

Como se trata de uma estratégia não anunciada, haverá sempre dúvidas sobre se Trump está ou não a usar a “Teoria do Louco”. Se calhar Trump está mesmo a falar a sério quando alerta para o risco de uma guerra devastadora com a Coreia do Norte se os EUA forem obrigados a, como disse na Assembleia da ONU, “defender-se ou defender os seus aliados”.

ZAP ZAP //

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