Trump terá qualificado latinos e negros de “estúpidos”. Kamala Harris acusa-o de viver numa “realidade diferente”

Stefani Reynolds / EPA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O Presidente dos Estados Unidos terá qualificado os latinos e os negros de “estúpidos” entre outros comentários racistas, segundo o livro de memórias de Michael Cohen, ex-advogado pessoal de Donald Trump.

No livro “Disloyal: A memoir” (Desleal: Uma memória), obtido pelo jornal norte-americano The Washington Post antes da sua publicação prevista para terça-feira, Trump soma novos ataques à comunidade latina, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Cohen, condenado por fraude, entre outros crimes, conta que os três filhos mais velhos de Trump foram ao seu gabinete depois de o empresário ter anunciado a intenção de se candidatar à nomeação republicana no verão de 2015 e que queriam que o pai se retirasse da campanha.

Trump disse na altura que o México mandava para os Estados Unidos traficantes de droga, criminosos e violadores, justificando a instalação de um muro na fronteira com o país do sul, temendo os seus filhos que esta retórica “matasse a empresa”.

Cohen indica que o magnata não estava preocupado com a possibilidade de a campanha afetar os seus negócios. “Além disso, nunca terei o voto hispânico. Como os negros são demasiado estúpidos para votarem Trump. Não são a minha gente”, terá dito o presidente norte-americano, de acordo com o livro de Cohen.

Michael Cohen foi condenado a três anos de prisão por violar as leis de financiamento da campanha eleitoral, ao comprar com dinheiro o silêncio de mulheres que afirmavam ter tido relacionamentos com Trump, bem como por evasão fiscal e declarações falsas a um banco.

Antes de ser preso, o advogado testemunhou no Congresso e relatou numerosas mentiras e crimes que alegadamente cometeu para proteger Trump, que considerou “um racista” e “uma fraude”.

Kamala Harris acusa Trump de viver “realidade diferente”

Donald Trump vive numa “realidade diferente” quando o tema é racismo. As acusações foram feitas por Kamala Harris, candidata do Partido Democrata à vice-presidência dos EUA.

Para a número dois de Joe Biden, o adversário de Trump nas presidenciais, o chefe de Estado e o procurador-geral, William Barr, “passam todo o seu tempo numa realidade diferente”, havendo “dois sistemas jurídicos diferentes”: um para negros e outro para brancos.

Kamala Harris fez história ao tornar-se na primeira mulher de ascendência negra e indiana a aceitar a nomeação como candidata a vice-presidente dos Estados Unidos por um grande partido, com vista às eleições presidenciais de 3 de novembro.

No entanto, a atual senadora pelo estado da Califórnia chegou a ser criticada por ter alegadamente sido muito dura com as minorias quando era procuradora naquele estado antes de ser eleita para o Senado, em 2017.

” xistem desigualdades raciais nos Estados Unidos e um sistema que participou no racismo, em termos de aplicação da lei. Não nos serve de nada negá-lo. Precisamos de falar sobre isso, sejamos honestos”, sublinhou a senadora, de 55 anos.

Durante uma visita esta semana ao estado do Wisconsin — que regista tensões raciais desde que Jacob Blake, um afro-americano, foi alvejado sete vezes nas costas por um polícia, encontrando-se nos cuidados intensivos e paralisado —, Donald Trump recusou-se a falar de racismo quando foi questionado por um jornalista.

“Volta sempre ao tema oposto. Devemos falar de violência”, respondeu o Presidente norte-americano a propósito das inúmeras manifestações antirracistas dos últimos meses no país.

Simultaneamente, William Barr defendeu numa entrevista esta semana que a Justiça é a mesma para todos os cidadãos dos Estados Unidos e sublinhou que “é preciso ter cuidado quando se levanta a ideia de racismo”, por considerar que “não é tão comum como as pessoas dizem”.

Jacob Blake, 29 anos, foi atingido a tiro em 23 de agosto. O caso desencadeou protestos que tornaram o Wisconsin centro do debate por todos os Estados Unidos da América sobre violência policial e injustiça racial.

O debate, e os protestos por todo o país, foram desencadeados pelo caso de George Floyd, um afro-americano que morreu asfixiado por um polícia branco em maio passado, em Minneapolis.

ZAP ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

        • Exacto.
          Pelos vistos, ele nem falou em “latinos” mas sim em “hispânicos” (que é um pouco mais correcto) – que são os americanos oriundos de países da América “hispânica” – e que, obviamente, não inclui os espanhóis!

      • Nos EUA chamam latinos aos americanos da América Central e do Sul!
        Os verdadeiros latinos (portugueses, italianos, etc) lá não são latinos; são europeus.

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