Trump avisou primeiro a Rússia de operação que matou al-Baghdadi antes dos líderes do Congresso

Kevin Dietsch / EPA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Antes de avisar os líderes do Congresso de que os Estados Unidos estavam a preparar uma operação militar na Síria que viria a culminar na morte do líder do Estado Islâmico, Donald Trump terá notificado a Rússia.

Segundo a edição desta segunda-feira do jornal Público, a revelação foi feita pela líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, após a conferência de imprensa do Presidente dos Estados Unidos, na qual confirmou a morte de Abu Bakr al-Baghdadi.

Na sua intervenção, Donald Trump justificou o secretismo da operação com o desejo de “ter a certeza de que o ataque permaneceria secreto”. Neste tipo de operações, o Presidente segue um protocolo que envolve entrar em contacto com os líderes congressistas, independentemente da cor política.

Citada pela NBC News, Nancy Pelosi afirmou que “a Câmara [dos Representantes] tem de ser notificada desta operação militar da qual os russos sabiam de antemão, mas não a liderança do Congresso”.

Pelosi acrescentou ainda que os russos também souberam em primeira mão da estratégia que a administração Trump tem para esta região do Médio Oriente. “As nossas forças armadas e aliados merecem uma liderança forte, inteligente e estratégica de Washington.”

Já Donald Trump afirmou que a Rússia foi avisada porque as forças norte-americanas iriam sobrevoar certas zonas controladas pelo Exército russo. Contudo, de acordo com o The Washington Post, o general Igor Konashenkov, porta-voz do ministro da Defesa da Rússia, afirmou que este ministério não tem “informação credível” sobre esta ação militar.

Quando questionado sobre se avisou a líder da Câmara dos Representantes sobre a ação militar, o Presidente norte-americano admitiu que deixou Pelosi “às cegas”. “Washington é uma máquina de fugas de informação. Disse ao meu staff: ‘Não os vamos informar até que os nossos soldados saiam. Não quero que eles sejam recebidos com fogo inimigo’.

Operação recebeu nome de americana torturada pelo Daesh

A operação militar que resultou na morte de Abu Bakr al-Baghdadi recebeu o nome de Kayla Mueller, a trabalhadora humanitária que foi presa, torturada e abusada sexualmente pelo próprio al-Baghdadi. A informação foi avançada este domingo pelo conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Robert O’Brien, e citada pelo Expresso.

Mueller, natural do Arizona, trabalhava como voluntária quando foi raptada em Alepo, na Síria, em agosto de 2013. Em fevereiro de 2015, soube-se que tinha morrido aos 26 anos sob a custódia do Estado Islâmico.

A organização terrorista disse que Mueller morrera num ataque aéreo da Jordânia na cidade síria de Raqqa e o seu corpo nunca foi recuperado.

Carl Mueller, pai de Mueller, disse, em declarações ao The Arizona Republic, que al-Baghdadi a sequestrou. “Ela esteve detida em muitas prisões. Ela esteve em solitária. Ela foi torturada. Ela foi intimidada. E acabou por ser violada pelo próprio al-Baghdadi.”

Ou a matou ou foi cúmplice do seu assassínio. Vou deixar as pessoas que leem este artigo decidir como um pai se deve estar a sentir”, acrescentou.

Quando a sua morte foi confirmada, a família de Kayla Mueller tornou pública uma carta que ela enviara do cativeiro. “Já vi as trevas e a luz. E aprendi que mesmo na prisão se pode ser livre. Estou grata. Cheguei à conclusão de que há coisas boas em todas as situações, às vezes só é preciso procurar.”

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Por pouco e, contra todas a indicações, quase que anunciava primero no Twitter – mesmo antes da confirmação dos militares!…
    Mas, o que se pode esperar de quem até quer fazer muros no Colorado?

  2. Eu teria muita cautela com os avisis e infos dos amérikas, como a história já por milhões de vezes demonstrou nos amérikas nunca confiar.

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