May marcou votação do Brexit para janeiro. Trabalhistas contra-atacam com moção de censura

Andy Rain / EPA

O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn

O líder do principal partido da oposição do Reino Unido, o Trabalhista, Jeremy Corbyn, apresentou na segunda-feira no parlamento uma moção de censura à primeira-ministra, Theresa May.

Corbyn divulgou a sua decisão depois de May ter anunciado que o parlamento só votaria a separação da União Europeia na semana de 14 de janeiro, mais de um mês depois do que estava previsto inicialmente.

“Esta câmara não tem confiança na primeira-ministra, uma vez que fracassou em permitir um voto imediato sobre o acordo de saída e o enquadramento para a relação futura entre o Reino Unido e a UE”, assinalou Jeremy Corbyn, citado pelo Público. “É inaceitável que tenhamos de esperar quase um mês antes de votar neste assunto tão crucial para o futuro do país”.

Mas, ao contrário de uma moção de censura ao governo, um voto sobre May não tem o poder de derrubar o governo e forçar a realização de eleições.

Para além de procurar beliscar a autoridade de May, o objetivo é forçá-la a marcar a votação decisiva para o futuro do divórcio para esta semana, uma vez que o Parlamento britânico suspende a atividade a partir de quinta-feira, por causa do Natal.

A moção dificilmente será apoiada na Câmara dos Comuns, já que o European Research Group – o grupo de conservadores eurocépticos – já vieram garantir que não vão aderir à “votação inútil do Labour”. Nesse sentido, os votos dos trabalhistas, dos nacionalistas-escoceses, dos liberais-democratas, entre outros partidos na oposição, provavelmente serão insuficientes para embaraçar May.

Ainda antes do seu anúncio inesperado, Corbyn acusou May de ter guiado o Reino Unido para uma “crise nacional”, quando tomou a decisão de suspender a votação e regressar a Bruxelas a fim de “obter garantias legais e políticas” para a controversa solução encontrada para evitar uma fronteira física na ilha irlandesa.

Theresa May rejeitou, no entanto, estas insinuações e acusou-o de estar a mover-se por “interesses partidários” ao invés do “interesse nacional”. A primeira-ministra voltou a sublinhar que não lhe passa pela cabeça convocar um novo referendo ou oferecer aos deputados a possibilidade de votarem entre vários cenários, caso o acordo seja chumbado.

Não quebremos a fé do povo britânico ao tentarmos organizar um novo referendo. Uma nova votação causaria danos irreparáveis à integridade da nossa política, porque diria a milhões de pessoas que confiaram na democracia, que a nossa democracia não cumpre”, defendeu a primeira-ministra.

Entretanto, o Partido Democrático Unionista, da Irlanda do Norte, cujos 10 deputados permitem a May governar em minoria, pediu mais “clareza” quanto às concessões que este espera obter da UE para melhorar o Brexit.

“Precisamos de clareza por parte da primeira-ministra para saber exatamente o que se preparar em relação a questões-chave como a vinculação legal indefinida que tem a salvaguarda”, afirmou o dirigente unionista.

Doods reiterou a recusa do seu partido ao acordo subscrito por Londres e Bruxelas, devido à inclusão da designada salvaguarda, concebida para manter aberta a fronteira entre as duas Irlandas, depois do Brexit agendado para 29 de março.

A garantia estabelece que, se não houver um acordo comercial bilateral no final do período de transição, em dezembro de 2020, todo o Reino Unido forma uma união aduaneira, mas a província britânica da Irlanda do Norte terá um estatuto especial, mais alinhado com o mercado único europeu, para evitar a chamada fronteira dura com a República da Irlanda.

Para o DUP, esta previsão ameaça a relação da região com a Grã-Bretanha, que inclui a Escócia, o País de Gales e a Inglaterra, e ameaçou recusar o acordo.

A chefe do governo britânico disse na segunda-feira aos deputados da Câmara dos Comuns, que o debate sobre o tema vai ser reiniciado em 7 de janeiro, quando o parlamento reabrir depois das férias do Natal, adiantando que a votação será feita na semana seguinte.

A votação sobre os termos da saída do Reino Unido da União Europeia foi anunciada também na segunda-feira por May para a semana que começa em 14 de janeiro, mais de um mês depois do que se admitiu. A votação deveria ter ocorrido na semana passada, mas May cancelou-a quando se tornou claro que o acordo para o Brexit seria rejeitado.

May está a procurar obter garantias adicionais por parte da União Europeia, para ganhar o apoio dos deputados eurocéticos, mas Bruxelas já assegurou que é impossível qualquer renegociação.

ZAP //

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