Teixeira dos Santos diz que crise da dívida não explica queda do GES

José Sena Goulão / Wikimedia

O ex-ministro das Finanças e da Economia, Teixeira dos Santos

O ex-ministro das Finanças e da Economia, Teixeira dos Santos

O antigo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, afastou esta quarta-feira a possibilidade de a crise da dívida soberana ter sido a grande responsável pelo colapso do Grupo Espírito Santo (GES).

“Não me parece que essa possa ser uma explicação”, afirmou perante os deputados que integram a comissão de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do GES. Segundo o ex-governante, “a exposição à dívida soberana do BES é algo que, com certeza, teve impacto no seu desempenho financeiro, tal como nos outros bancos”, mas “o BES não esteve exposto de forma diferenciada de outras instituições, porque é frequente que as instituições bancárias detenham dívida pública”.

Teixeira dos Santos sublinhou que o agravamento da situação da dívida soberana ocorreu principalmente em 2011 e na primeira metade de 2012, e que foi isso que levou o conselho europeu a avançar em junho de 2012 com a União Bancária e à célebre declaração de Draghi de que tudo faria para salvar o euro.

“Se a dívida pública fosse capaz de criar uma situação dessa natureza, não seria nesse prazo. Há um timing [na derrocada do GES] que não joga com a evolução dos spreads da dívida pública“, realçou. E acrescentou: “Os problemas com que os bancos se têm confrontado nos últimos dois anos são o estreitamento da sua margem financeira, que afeta a sua rendibilidade. E o outro fator que afetou muito a banca foi o aumento do crédito de cobrança duvidosa”.

O responsável vincou que este indicador, “devido à crise, aumentou de 5% em 2011 para 14% em 2013. A audição de Teixeira dos Santos abre um dia em que as luzes do holofote da comissão mudam dos supervisores (já foram ouvidos o governador do BdP, Carlos Costa, bem como Carlos Tavares, líder da CMVM, e José Almaça, presidente do Instituto de Seguros de Portugal) para a esfera política.

À tarde, a partir das 15h, será a vez de a comissão contar com a participação da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. A comissão terá um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado, e tem por intuito “apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades.

Será também avaliado, por exemplo, o funcionamento do sistema financeiro e o “processo e as condições de aplicação da medida de resolução do BdP” para o BES e a “eventual utilização, direta ou indireta, imediata ou a prazo, de dinheiros públicos”.

A 3 de Agosto, o BdP tomou o controlo do BES, após o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades.

No chamado banco mau (bad bank), um veículo que mantém o nome BES, ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas, enquanto no banco bom, o banco de transição que foi designado Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.

/Lusa

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