Syriza será força dominante no Parlamento grego

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Alexis Tsipras, líder do Syriza

Alexis Tsipras, líder do Syriza

O Syriza pode eleger até 147 deputados e terá condições para governar a Grécia mas o seu principal problema será a relação com a União Europeia (UE), disse à Lusa um académico especialista em sociologia eleitoral.

“Obtenha ou não maioria absoluta, o Syriza será a força dominante no Parlamento”, garantiu à Lusa Ilias Nikolakopoulos, 67 anos, professor de Ciência política na universidade de Atenas, especialista em sociologia eleitoral e estudos de sondagens de opinião.

“Dos 300 lugares no Parlamento, terá no mínimo 140. Provavelmente, mesmo que não obtenha maioria absoluta, terá 145, 147. Assim, é uma maioria relativa mas muito alta, e com essa maioria penso que poderá governar”, precisou o académico, também investigador em temas de história contemporânea da Grécia e um dos mais respeitados observadores políticos da realidade helénica.

São três os fatores que explicam, na sua perspetiva, o “terramoto eleitoral” que a Grécia conhece desde 2009, ano em que o Partido Socialista Pan-Helénico (PASOK) venceu as legislativas com 43,92% dos votos e garantiu 160 dos 300 lugares no Parlamento, também beneficiando do bónus de 50 lugares concedido ao partido mais votado, uma benesse ainda em vigor.

Na ocasião, o Syriza, partido da esquerda radical e já dirigido por Alexis Tsipras, recolheu 4,60% dos votos (13 deputados). Hoje está à beira da maioria absoluta, enquanto o PASOK, que desde 2012 integra a coligação governamental os conservadores da Nova Democracia (ND), luta por garantir os 3%, a barreira para a entrada no Parlamento.

“A Grécia é um caso particular, primeiro porque houve uma queda do PIB de 25% durante os últimos quatro, cinco anos. Uma queda de 25% é a Alemanha da década de 1930 e os Estados Unidos depois da grande crise. Não há um fenómeno semelhante na Europa”, assinala.

A elevada taxa de desemprego, que nos últimos três anos tem oscilado entre os 25% e os 27% – apesar de cerca de 100 mil jovens, na maioria licenciados terem emigrado no mesmo período -, e o falhanço das práticas governamentais aceleraram a crise, e impulsionaram a mudança.

“O governo socialista (PASOK) devia enfrentar a crise e falhou completamente na sua política. Acrescentaria que a União Europeia teve previsões erradas em todos os memorandos, se tivessem formulado previsões justas não aceitariam uma queda do PIB de tal amplitude, nem um desemprego tão elevado”, acrescenta.

“Quando vieram em maio de 2010 e redigiram o primeiro memorando fizeram um certo número de previsões, mas que se agora forem analisadas dir-se-ia que estamos num outro país”.

A “desastrosa campanha eleitoral” da ND, o partido conservador do primeiro-ministro Antonis Saramas e que lidera a coligação desde junho de 2012, foi outro fator determinante.

“O governo fez uma campanha eleitoral desastrosa, privilegiou a questão do medo do Syriza, o medo do comunismo, etc., foi algo que foi já jogaram em junho de 2012 e não podemos repetir a mesma peça. Mesmo no teatro, quando se repete a mesma peça, os espectadores aborrecem-se”, diz Ilias Nikolakopoulos.

O desejo de renovação política e económica pretendido pelo eleitorado grego constitui ainda um motivo suplementar para a emergência do Syriza, que desde 2012 tem reforçado a sua votação, até garantir o primeiro lugar nas europeias de maio de 2014.

“E ainda a renovação do pessoal político. Esta renovação é representada pelo Syriza. Quem amplitude terá, vamos sabê-lo no domingo. Se terá ou não uma maioria absoluta no Parlamento, e isso depende de diversos fatores”.

No entanto, Ilias Nikolakopoulos não prevê vida fácil para o partido de Alexis Tsipras, e logo a partir do “dia seguinte” às eleições.

“O problema principal que o Syriza deverá enfrentar é a relação com a União Europeia. Isso será a verdadeira aposta, e difícil porque a UE não é homogénea, há várias políticas, a política dura, e a política um pouco mais social, digamos. Quem vai ganhar e que forma tomará o confronto?”.

No final, emite outro sinal. “Espero que tudo corra bem. Mas isso não significa que seja no imediato, será um período difícil e durante esse período penso que a solidariedade europeia, ou da esquerda europeia, é absolutamente importante“.

/Lusa

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