Syriza exclui saída do euro por implicar rutura e mais austeridade

guengl / Flickr

Alexis Tsipras, líder do Syriza

Alexis Tsipras, líder do Syriza

O Syriza exclui uma saída da Grécia do euro porque isso conduziria à rutura da zona euro e a mais austeridade, precisamente o que o partido grego quer combater se vencer as eleições de 25 de janeiro.

Yannis Miliós, um dos quatro economistas responsáveis pelo programa económico do partido de esquerda grego, recusou em entrevista à agência espanhola EFE a ideia transmitida pelo governo conservador de Antonis Samaras de que o Syriza tem uma “agenda oculta” de que faz parte uma saída do euro.

Não é possível sair do euro sem quebrar a zona euro por completo. Seria passar de um sistema de moeda única para um de taxas de câmbio fixo, como tivemos na década de noventa”, explicou.

“Somos contra a depreciação das condições de vida da maioria das pessoas e uma depreciação monetária seria equivalente a aplicar um plano de austeridade“, acrescentou.

Sobre a renegociação da dívida, um dos “cavalos de batalha” do partido liderado por Alexis Tsipras, Miliós explicou que existem múltiplos instrumentos técnicos para o fazer.

A ideia do Syriza, disse, é a de uma moratória do pagamento da dívida para todos os países, com juros nulos e um prazo de pagamento que se prolongaria por cerca de quatro décadas, até que as respetivas dívidas tivessem baixado para 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Banco Central Europeu (BCE) trocaria os juros da dívida de todos os países por obrigações de cupão zero, ou seja, que não pagam juros até ao pagamento integral. Segundo Miliós, uma operação destas custaria apenas 1,3 milhões de euros, porque o BCE não trocaria a dívida mas apenas os juros.

Entre as reformas fundamentais que um governo Syriza aplicaria, o economista, catedrático de Economia na Universidade Politécnica de Atenas, destacou o regime fiscal e a administração pública.

“Temos previsto, por exemplo, reduzir o número de Ministérios de 18 para 10 e introduzir um setor público regido por critérios de eficácia”, disse, sublinhando que, na Grécia, “não há funcionários a mais, estão é mal distribuídos” e dando como exemplo a falta de funcionários na inspeção fiscal.

O programa económico do Syriza, batizado “Programa de Salónica“, assenta, explicou, em três pilares – “a luta contra a crise humanitária”, “o relançamento da economia e a estabilização do mercado” e “a reforma do Estado” – e tem um custo total de 12 mil milhões de euros.

O primeiro pilar, com um custo avaliado em 2 mil milhões, contempla o fornecimento gratuito de eletricidade a 300 mil casas de famílias desfavorecidas, a emissão de vales de alimentação e títulos de transporte público para os mais pobres e o restabelecimento do 13º mês para todos os pensionistas que recebem menos de 700 euros por mês.

O programa laboral, acrescentou, inclui o restabelecimento do salário mínimo de 750 euros vigente há quatro anos (atualmente é de 586 euros) e a criação de um banco de investimento para resolver o problema das dívidas ao fisco e à segurança social acumuladas pelas pequenas e médias empresas.

Quanto à dívida privada, o objetivo é possibilitar acordos extrajudiciais que permitam a cada devedor pagar um máximo correspondente a 30% do respetivo rendimento e congelar a restante dívida até que esteja em condições de a saldar.

“Com este tipo de acordos esperamos recuperar 20 mil milhões de euros em sete anos, 3 mil milhões no primeiro ano”, explicou Miliós, sublinhando que o objetivo é “não produzir défice”.

Segundo o economista, os 12 mil milhões necessários à aplicação do programa económico poderiam ser financiados através da evasão fiscal recuperada (3 mil milhões), a recuperação de dívidas de cobrança duvidosa (3 mil milhões), o fundo de estabilidade financeira grego (3 mil milhões) e os fundos de coesão europeus (1,7 mil milhões). Os restantes 1,3 mil milhões poderiam ser negociados com os parceiros europeus.

/Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Ora bem!! Ja está a ganhar um cadinho de juizo…é que ele anda mesmo com falta dele!! Estes Politicos…todos iguais…falam falam, falam, mas sabem bem, que o que dizem nao é praticavel NEM lhes interessa!! Nem so em Portugal ha doidos… :p

RESPONDER

Um medicamento comum utilizado para tratar a diarreia pode ajudar a combater células cancerígenas agressivas

Um fármaco comum prescrito para tratar a diarreia pode ajudar a combater um tipo agressivo de cancro cerebral (glioblastoma), sugere uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Em causa está …

"Bola de fogo" cruzou o céu sobre o Mediterrâneo a 105 mil quilómetros por hora

Uma "bola de fogo" atravessou o mar Mediterrâneo e o norte de Marrocos na noite de quarta-feira, a 105.000 quilómetros por hora. A bola de fogo foi observada por um projeto científico espanhol a uma velocidade …

Duterte rejeita que a filha o vá suceder na liderança das Filipinas. "Isto não é para mulheres"

O líder das Filipinas, Rodrigo Duterte, descartou, na quarta-feira, a hipótese de a filha o vir a suceder no próximo ano, acrescentando que a presidência não é tarefa para uma mulher por causa das …

"Uma memória a flutuar no oceano." Encontrada, dois anos depois, uma mensagem numa garrafa

Uma mensagem no interior de uma garrafa sobreviveu a uma viagem de dois anos pelo oceano. Recentemente, chegou às mãos de um ativista ecológico, enquanto limpava uma praia da Papua Nova Guiné. Em novembro do ano …

As células imortais de Henrietta Lacks revolucionaram a Ciência

O ano de 1951 foi muito importante no campo da biotecnologia e, surpreendentemente, tudo começou com a chegada de Henrietta Lacks a um hospital norte-americano. Descendente de escravos, Loretta Pleasant nasceu a 1 de agosto de …

Humanidade não será capaz de controlar máquinas superinteligentes, avisam cientistas

Uma equipa de investigadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano sugere que seria impossível controlar máquinas superinteligentes. A tecnologia de Inteligência Artificial (IA) continua a evoluir de vento em popa, enquanto alguns cientistas e …

Em 1950, a vacinação em massa salvou a Escócia

Em 1950, Glasgow, na Escócia, viu-se a braços com um surto de varíola e o cenário era muito semelhante ao que vivemos hoje: as autoridades sanitárias tentavam rastrear todos os contactos de pessoas portadoras do vírus, …

Japonês aluga-se a si próprio "para não fazer nada". E tem milhares de clientes

Um homem japonês que ganha a vida a alugar-se a si próprio “para não fazer nada” atraiu milhares de clientes. O negócio começou em 2018. Por 10.000 ienes (cerca de 79 euros) - mais despesas com …

Documentos de vacinas roubados por hackers também foram "manipulados"

A Agência Europeia do Medicamento, entidade reguladora da União Europeia (UE), informou este sábado que os documentos da vacina contra a covid-19 roubados e colocados na Internet por hackers foram também "manipulados". A manipulação aconteceu depois …

Há 11 anos que não se consumia tanta eletricidade num só dia. A culpa é do frio

O país está a bater recordes de energia, tanto em termos de pico como de consumo diário. A culpa é da vaga de frio que assolou Portugal neste Inverno. O consumo de eletricidade bateu, na quarta-feira, …