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“Super pedido” de destituição chegou à Câmara dos Deputados. Bolsonaro diz que “mentiras” não irão derrubá-lo

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palaciodoplanalto / Flickr

Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil

Partidos políticos brasileiros, parlamentares da oposição, ex-aliados, movimentos sociais e entidades da sociedade civil entregaram esta quarta-feira, na Câmara dos Deputados do Brasil, um “super pedido” de destituição do Presidente, Jair Bolsonaro.

A apresentação do “super pedido” de destituição contou com discursos de líderes da oposição, como da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada Gleisi Hoffmann, e de adversários políticos de Jair Bolsonaro, como os deputados Kim Kataguiri e Joice Hasselmann, ambos ex-aliados do chefe de Estado.

O documento, entregue num momento em que o Governo é atingido por denúncias de alegada corrupção na compra de vacinas contra a covid-19, consolida os mais de 120 pedidos de destituição contra Bolsonaro já apresentados à Câmara dos Deputados.

“Protocolamos o super pedido de impeachment [destituição] de Bolsonaro. Já são mais de 100 pedidos com denúncias crimes de responsabilidade. (…) Vamos pressionar pela aceitação! Ninguém aguenta mais esse Governo da morte, que brinca com a saúde do brasileiro e destrói o país”, escreveu Gleisi Hoffmann no Twitter.

Bolsonaro é responsável pelas mais 500 mil mortes por covid-19 e cometeu crimes contra a saúde pública, as instituições, a democracia e as finanças públicas. Fora Bolsonaro, para o Brasil sair da crise”, acrescentou a deputada.

A presidente nacional do PT disse ainda que o pedido de destituição “contém 21 crimes de responsabilidade” alegadamente praticados por Bolsonaro e “enquadramento em 23 tipos legais”.

As recentes suspeitas de corrupção no contrato de compra da vacina indiana contra a covid-19 Covaxin são citadas no pedido.

No documento constam ainda acusações de Bolsonaro cometer um ato de hostilidade contra nação estrangeira; de atentar contra o livre exercício dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Poderes constitucionais dos Estados; e de cometer crime contra a segurança nacional, ao endossar manifestações que conclamavam a intervenção militar ou encerramento do Congresso do Supremo.

O texto aponta também interferência indevida na Polícia Federal para a defesa de interesses pessoais e familiares; de agravar a pandemia com práticas negacionistas e agressões ao direito à saúde, entre outros.

O deputado Kim Kataguiri, coordenador do grupo Movimento Brasil Livre (MBL), importante grupo de direita que apoiou Bolsonaro na sua chegada ao poder, destacou que, em condições normais, não estaria a dividir o palanque com diversos partidos de esquerda, mas ressaltou que é um momento que une partidos de todos os espetros políticos.

Já a deputada Joice Hasselmann, que já foi líder do Governo no Congresso no primeiro ano do Governo de Bolsonaro, afirmou que o apoio ao pedido de destituição não é uma questão ideológica, afirmando que Bolsonaro agiu de maneira inacreditável na condução da pandemia.

“Poderíamos ter 200 mil mortos a menos no país se tivéssemos vacina, distanciamento e uso de máscara (…) Duzentos mil mortos é o equivalente ao que a bomba atómica matou em Hiroshimna e Nagazaki. Ele deitou duas bombas no país. Quem tem amor por esse País não pode aceitar isso”, argumentou a parlamentar.

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“Não pode o Congresso ficar de mãos atadas para tantos crimes cometidos por um Presidente. Não se trata de achar o Governo bom, ruim, regular. Trata-se de não permitir que um Governo cometa crimes“, disse, por sua vez, o deputado de esquerda Marcelo Freixo.

Entre os signatários do pedido estão também representantes da Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia (ABJD), da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) ou do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Cabe agora ao presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, eleito para o cargo com o apoio de Bolsonaro, decidir se aceita ou não o pedido.

Presidente diz que não serão “mentiras” a tirá-lo do poder

Bolsonaro afirmou que “mentiras” não irão derrubá-lo do poder e classificou de “bandidos” senadores que investigam falhas na gestão da pandemia de covid-19.

“Não conseguem nos atingir. Não vai ser com mentiras ou com a CPI [comissão parlamentar de inquérito do Senado], integrada por sete bandidos, que vão nos tirar daqui”, disse, referindo-se à ala maioritária da comissão de inquérito, durante um evento em Mato Grosso do Sul.

“Temos uma missão pela frente: conduzir o destino da nossa nação e zelar pelo bem-estar e pelo progresso do nosso povo”, acrescentou, citado pela imprensa local, sem mencionar diretamente os escândalos de alegadas irregularidades na compra de vacinas.

No seu rápido discurso, Bolsonaro exaltou ainda as Forças Armadas: “Só tenho paz e tranquilidade porque sei que, além do povo, tenho as Forças Armadas comprometidas com a democracia e a nossa liberdade. Pode ter certeza de que temos uma missão pela frente e vamos cumpri-la da melhor maneira possível”.

Diretor do Ministério da Saúde do Brasil demitido

O diretor de logística do Ministério da Saúde do Brasil, Roberto Ferreira Dias, foi demitido do cargo esta quarta-feira no meio de crescentes denúncias de supostas irregularidades cometidas na compra de vacinas contra a covid-19.

A decisão, assinada pelo ministro da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, e antecipada pelo Ministério da Saúde, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), embora os motivos da demissão não tenham sido divulgados.

Esta demissão ocorre poucos dias depois de o diretor ter sido envolvido em denúncias de irregularidades e corrupção na compra de vacinas contra a covid-19, que vieram à tona durante declarações na comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado que investiga possíveis omissões do Governo de Jair Bolsonaro na pandemia.

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Dias foi acusado de pressionar funcionários do Ministério da Saúde para que acelerassem a importação da vacina indiana Covaxin, feita pela empresa Bharat Biotech, apesar dos indícios de possíveis irregularidades no contrato, que prevê a aquisição de 20 milhões de doses a um preço total de 1,61 mil milhões de reais (cerca de 270 milhões de euros) em 25 de fevereiro, mas os prazos de entrega do produto não foram cumpridos e, somente no último dia 4, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador, aprovou a sua importação com restrições.

Além disso, na terça-feira o jornal Folha de S. Paulo garantiu que o funcionário teria pedido suborno a um representante da Davati Medical Supply em troca da aprovação da compra de milhões de doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca.

  ZAP // Lusa

2 Comments

  1. Não serão as doces mentiras a derruba-lo e sim, a amarga verdad de sua inconsequência! Vidas importam sim; muito mais do que quaisquer bens materiais!

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