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Pelo menos sete mortos no aeroporto de Cabul. Alguns caíram de avião que levantava voo

Stringer / EPA

Aeroporto Internacional Hamid Karzai

Esta segunda-feira, duas pessoas caíram de um avião que tinha descolado no aeroporto de Cabul e três civis e um combatente talibã terão sido mortos num tiroteio entre as forças talibãs e norte-americanas.

Esta segunda-feira, pelo menos sete pessoas morreram no aeroporto de Cabul quando tentavam fugir dos talibãs, incluindo várias que alegadamente caíram de um avião em voo, com testemunhas a admitirem troca de tiros entre norte-americanos e rebeldes.

Militares norte-americanos, que falaram sob condição de não serem identificados por não estarem autorizados a discutir a operação em curso, disseram à Associated Press (AP) que o caos provocou sete mortos, incluindo vários que caíram de um avião que tinha descolado.

Num vídeo que se tornou viral nas redes sociais vê-se o que parecem ser dois corpos a cair de um avião que tinha acabado de descolar do aeroporto de Cabul.

Num outro vídeo, centenas de pessoas estão a correr ao lado de um avião militar norte-americano em andamento na pista, com algumas delas a conseguirem agarrar-se ao aparelho.

Os vídeos do drama vivido em Cabul multiplicam-se pelas redes sociais e mostram o desespero de milhares de pessoas que tentam fugir e entrar num avião.

Uma das pessoas que caíram do avião foi Fida Muhammad, um dentista de 22 anos da província de Cabul, segundo a agência EFE. “Ele saiu hoje [segunda-feia] de casa para ir trabalhar, mas descobrimos horas depois que morreu quando caiu do avião”, disse Ahmad, familiar da vítima.

Uma testemunha disse à EFE ter visto “três civis e um combatente talibã serem mortos num tiroteio entre as forças talibãs e norte-americanas”, disse a agência EFE.

Segundo o relato de Mirwais Yusufi, o tiroteio foi desencadeado depois de um talibã ter ordenado a vários civis afegãos que abandonassem o aeroporto. Quando recusaram obedecer à ordem, o talibã disparou contra eles, desencadeando uma resposta das forças norte-americanas, que abriram fogo sobre o rebelde, matando-o no local.

“Depois do tiroteio todos começaram a correr e depois vimos três civis serem mortos, não sei se foram mortos pelos soldados americanos ou pelos talibãs”, acrescentou a testemunha citada pela EFE.

Após a queda de Cabul para os talibãs no domingo, milhares de pessoas correram para o aeroporto da capital afegã na esperança de conseguirem fugir do país, a maioria sem vistos, bilhetes de avião comerciais ou mesmo passaportes.

Embora se tenham concentrado na parte civil do aeroporto, milhares de pessoas invadiram as pistas e obrigaram as forças norte-americanas a enviar soldados para tentarem desimpedir as pistas da zona militar.

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“Milhares de pessoas, homens, mulheres e crianças, passaram a noite dentro do aeroporto de Cabul tentando deixar o país, mas a situação tornou-se caótica pela manhã” após o tiroteio, disse Mirwais Yusufi.

Massouma Tajik, uma analista de dados de 22 anos, descreveu à AP cenas de pânico que testemunhou no aeroporto. Depois de esperar seis horas, ouviu tiros, quando uma multidão de homens e mulheres tentava subir a bordo de um avião.

Tajik disse que as tropas norte-americanas pulverizaram gás e dispararam para o ar para dispersar a multidão depois de as pessoas terem escalado os muros e invadido as pistas. A AP indicou que o tiroteio podia ser ouvido nas mensagens de voz enviados por Tajik.

Todos os voos comerciais do Aeroporto Internacional de Cabul foram suspensos, anunciou a Autoridade da Aviação Civil do Afeganistão.

Shafi Arifi, que tinha um bilhete para viajar para o Uzbequistão no domingo, não pôde embarcar porque o avião estava cheio de pessoas que tinham corrido através da pista e subido a bordo, sem polícia ou pessoal do aeroporto à vista. “Não havia espaço para ficarmos de pé”, disse a jovem de 24 anos à AP.

“As crianças choravam, as mulheres gritavam, os homens jovens e velhos estavam tão zangados e chateados, que ninguém se conseguia ouvir. Não havia oxigénio para respirar”, acrescentou.

Depois de outra mulher desmaiar e ser levada para fora do avião, Arifi desistiu e regressou a casa.

Entre os que se apressaram a entrar no aeroporto encontram-se afegãos que trabalharam para as forças dos EUA e da NATO durante os últimos 20 anos, incluindo aqueles cujos pedidos de visto foram rejeitados.

Mas a maioria são pessoas comuns que foram para o aeroporto guiadas pela ideia de que os EUA e o Canadá, que estão a retirar o seu pessoal do país, iriam fazer o mesmo aos afegãos.

“Soube ontem [domingo] à noite que três aviões retiraram pessoas que não tinham passaporte ou visto, por isso vários dos meus amigos e eu viemos de manhã ao aeroporto e ficámos lá durante horas” antes de regressar a casa sem sucesso, disse à EFE Tamim Ansar, um afegão que também afirmou ter testemunhado a troca de tiros entre militares dos EUA e talibãs.

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Na noite de domingo, o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, anunciou que Portugal vai integrar as operações da União Europeia e da NATO para proteger os cidadãos afegãos que colaboraram com as forças militares internacionais que ao longo dos últimos 20 anos estiveram naquele país.

O governante admitiu mesmo a possibilidade de estes cidadãos virem para Portugal.

“Como a maioria da comunidade internacional acompanhamos com grande preocupação. O nosso objetivo imediato é apoiar e criar condições para que possam sair do país em segurança os funcionários que trabalharam com a NATO, com a União Europeia e com as Nações Unidas. Nessa matéria, Portugal participará evidentemente no esforço coletivo que se está agora a desenhar”, admitiu, em declarações à RTP.

Augusto Santos Silva também confirmou que “Portugal vai integrar a operação da União Europeia para garantir a proteção de cidadãos afegãos”.

Esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou à Lusa que 12 dos 16 civis portugueses que estavam no Afeganistão já tinham sido retirados, adiantando que “falta retirar alguns portugueses que ainda estão em atividade operacional no aeroporto”.

  ZAP // Lusa

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