A segunda vaga já chegou a Portugal (e há “uma diferença muito importante”)

Hugo Delgado / Lusa

Os especialistas não duvidam que a segunda vaga de covid-19 já chegou a Portugal, mas apontam que há diferenças significativas relativamente ao início da pandemia, em Março.

“Há uma diferença muito importante nesta segunda vaga que se prende com o perfil demográfico e por isso temos muito menos mortalidade e severidade da doença”, analisa em declarações ao Jornal de Negócios o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia.

A médica intensivista Paula Coutinho, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, refere na mesma publicação que “agora os infectados são em média mais jovens, sobretudo população em idade activa”.

Isso ajuda a explicar que, apesar do aumento do número de novos casos, não se tenha verificado um acréscimo tão relevante em termos dos internamentos e dos doentes em Cuidados Intensivos.

O “número médio de internados nos últimos sete dias ronda os 450″ quando no final de Março era de 627 e a 10 de Abril era superior a mil, como evidencia o Negócios.

Nos Cuidados Intensivos, tem havido um ligeiro aumento dos internamentos, mas longe dos números de Março e de Abril. O número médio era de 58 a 16 de Setembro quando em Março rondava os 113 e em Abril, os 253.

Quanto ao perfil dos doentes em Unidades de Cuidados Intensivos, Paula Coutinho explica ao Negócios que é “muito parecido” ao início da pandemia, com “pessoas entre os 50 e os 80 anos, quase sempre com outras doenças associadas”.

Também a curva de mortes tem vindo a manter-se em níveis bem inferiores aos de Março e Abril, registando uma queda muito significativa no escalão etário acima dos 80 anos, onde passou de 19,2% em Julho para 6,1% na primeira quinzena de Agosto, conforme dados consultados pelo Negócios.

Estes números podem ter a ver com uma “melhor gestão clínica” da pandemia, segundo diz Ricardo Mexia ao jornal.

“A experiência clínica demonstra que conseguimos reduzir a mortalidade e o tempo de internamento dos doentes”, acrescenta Filipe Froes à mesma publicação. “No início usávamos fármacos que agora já não usamos e os que usamos agora demonstram maior eficácia”, diz ainda este especialista.

A média de mortes também revela dados animadores. Nos últimos dias, tem rondado as 4 por dia, apesar do aumento verificado nesta quinta-feira. No final de Março, era de 18 e a 10 de Abril andava nas 27.

Quanto aos novos casos de contágio que, nesta quinta-feira, registaram o valor mais alto desde 10 de Abril, estarão relacionados com o facto de ter aumentado o número de testes realizados, embora também sejam um reflexo natural do desconfinamento do país.

O Negócios atenta que a “curva de contágio baixa se for tido em conta o aumento do número de testes” que “duplicou desde Abril”.

A “percentagem média de testes com resultado positivo nos últimos sete dias ronda os 3,2%”, enquanto em Abril era de 7,5%, ainda de acordo com a mesma publicação.

Contudo, é preciso analisar os dados em perspectiva, tendo em conta que “antes a testagem era menor e era feita sobretudo a doentes com sintomas ou hospitalizados, tipicamente mais velhos”, como repara Filipe Froes ao Negócios.

Aquele cenário aumentava a probabilidade de haver testes positivos. Actualmente, há muitos testes que se fazem por razões protocolares, como a quem tem que fazer exames ou cirurgias, o que reduz a percentagem de positivos.

Apesar dos dados poderem ser encarados com algum ânimo, embora ainda seja cedo para perceber, nomeadamente, o impacto da reabertura das escolas na evolução da pandemia, é preciso ter em conta que a solução para o problema pode tardar.

“Não vai aparecer nenhum tratamento milagroso”, alerta Paula Coutinho.

“Demorámos mais de 20 anos para encontrarmos fármacos eficazes para combater o HIV. Os antivíricos são medicamentos muito mais difíceis de produzir do que os antibacterianos”, acrescenta a médica intensivista, assumindo-se “francamente céptica sobre a capacidade de ter um eficaz no combate a este coronavírus”.

ZAP ZAP //

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41 COMENTÁRIOS

  1. Deixem vir o inverno e logo verão como tudo isto ficará. Não se preparem agora e depois venham queixar-se de falta de meios. Isto vai rebentar no final do ano / princípio de 2021.

    • Concordo totalmente. Basta atentar aos hospitais de Madrid onde neste momento (meados de setembro) já todos os hospitais têm as UCIs a 65% e um deles já está mesmo a 100%. E o Inverno ainda nem chegou.
      Quanto ao Eu!, continua na linha da palermice que já se lhe reconhece. Pergunto-me se essa criatura não terá mesmo qualquer capacidade de raciocinar e/ou argumentar. Um profundo vazio de ideias. Tenho pena dele.

  2. Pois foram as férias e ao que se vê todos os dias os encontros em todo o lado de jovens a beber, a fazer festas, etc…

    Depois quase de certeza que vamos começar a ter novamente a população mais idosa a ser contaminada por estes jovens…

      • Que chatice haver gente jovem que não se importa de ser contagiado e depois ir contagiar os familiares mais velhos e provocar-lhes a morte

        • Ninguém provoca a morte a ninguém, a morte pode ser relacionada com a situação de vida atual, mas todos estão sujeitos a poderem ser apanhados no reboliço da vida, é preciso no entanto continuar a viver , ou ficaremos todos loucos. O que é preciso é que cada um tome as suas precauções de acordo com a sua situação pessoal (como sempre).

      • Os jovens gostam de viver, protejam-se é irão viver muito mais caso contrário além de poderem não viver tanto. Além de ficarem caros ao cofre publico contaminao a família é os que os rodeiam

    • Acho isso um falta de respeito para com os jovens pois desde que a pandemia começou o que deu para entender é que a população mais idosa não respeitou as regras de confinamento. O que mais se viu foi mais idosos nos autocarros e nos hipermercado e também suas famílias a aproveitarem se de certas regalias que os mais idosos tinham de passarem em frente de que fosse mais novo mas esquecem se que os mais novos têm de trabalhar pois têm ainda muito para aprender e fazer da vida

      • Por acaso esqueceu k foi por causa dos mais novos que os mais velhos foram infectados. Nos lares por exemplo foram os funcionários mais novos que infectaram.cuide se e muita saúde.

  3. ““agora os infectados são em média mais jovens, sobretudo população em idade activa”.”

    Este vírus ataca por idades? Ou matou os idosos todos e agora volta atacar os que existem mas, apenas a camada mais jovem e activa?

    Depois virá a terceira vaga que vai atacar as crianças? Será por naipes, um vírus de facto muito selectivo!

    Valha-me a santa!

    Onde andavam antes os jovens ? E porque não foram contaminados?

    Os meios onde andam? Ups , eles já sabiam, por isso as máscaras e equipamentos chegavam da china em 2021, eles sabem bem mais do que o que nos dizem, para o bem a para o mal!

    Não deixar de viver é o lema

    Covid19 : I’ll be back :/

    Uma palhaçada

    • O problema foi que na altura da primeira vaga, so testavam quem lá chegava em estado praticamente morto, logo cada teste significava quase uma fatalidade, criando a alusão de um virus nefasto.
      Na realidade, o único que este vírus tem de perigoso é o contagio, o gajo é implacável a contagiar, mas a grande maioria que morre, morreria também com uma pneumonia.

      Na altura não ouve rastreio e claro todos os jovens que apanharam e não tiveram sintomas, talvez uma febre ou diarreia, não foram testados e como tal não foram identificados, se não o numero de infectados era largamente superior.

      Enfim, á que continuar com o pânico ou ninguém vai comprar a vacina ou as mascaras … o negocio fala mais alto.

      Ninguém fala nos resultados deste pânico, o desemprego, a pobreza, as famílias que se vão desfazer, os filhos que se vão abandonar e as pessoas que se vão suicidar por falta de rendimentos / trabalho.
      Mas ainda temos uns quantos que acham que os subsídios vão durar para sempre…

  4. Portugal é um país recorrentemente atrasado e por isso o Covid 19 só chegou em 2020.
    1-A ideia de associar a juventude e idade activa à pandemia é de uma ingenuidade académica. A idade activa abrange jovens, adultos, idosos e até moribundos graças à burla da Segurança Social. Aliás a juventude não é justamente, em Portugal, o estrato activo mas sim aquele que mesmo sendo escasso é percentualmente o mais inactivo.
    2-Não se pode com seriedade falar de uma segunda vaga quando não existe a certeza de se ter passado a primeira. A confusão das estatísticas do governo foi de tal ordem que ninguém tem dados fidedignos para poder fazer, com honestidade tal afirmação a menos que seja político.

  5. Ora aqui está finalmente uma notícia que está feita com critério e responsabilidade e que se afasta do habitual “terrorismo” mediático tão em voga na maior parte dos meios. A ver pelo teor de algum comentário, o povo gosta mais do outro método.
    Como muitos especialistas tinham previsto (e até aconselhado) as populações têm que adquirir imunidade, que é a única forma de podermos chegar a conviver com este virus que, entretanto, irá também perdendo agressividade.

  6. eu estou preocupado com a corrupção do sistema poilitico português, que mina a nossa economia todos os anos, quando são distribuidos milhares de milhões de euros entre partidos, adminstrações locais e centrais com jobs for the boys, adjudicações por ajuste direto as empresas da famiia, contrataão de assessores e especialitas da familia, constante salto de poleiro em poleiro com regalias acumuladas, pensões milionárias, compadrios com o setor construção, banca, consultoras e afins. Todos os que não estão no sistema pagamos e todos empobrecemos diariamente.
    isto a proposito de que este virus não atinge só os mais pobres como é habitual em tantas outras maleitas da nossa sociedade mas esta praga da corrupção em Portugal nem assim terá fim. O virus comparado com os nossos politicos é um mal menor. A população e os media deveriam canalizar as energias para este problema da corrupção até acabarmos com ela e os outros problemas todos iriam tornar-se menores.

    • Parabéns, bem dirigido! além de termos que aprender a conviver com o vírus covid{19} não conseguimos conviver com germes e viroses(corruptos e malandros). Se alguém conseguir trazer os políticos da Suécia talvez nos safemos!

    • Ora aí está um comentário com bom senso. O Covid veio na altura certa para desviar (mais uma vez) a verdadeira praga da sociedade portuguesa – a corrupção que é transversal no estado e a falta de poder económico da população.
      Tudo o resto é secundário.
      Quanto ao covid, usem mascara e lavem as mãos. Não há mais a fazer.

  7. Diz a notícia que 3,2 % dos testes dão positivo. Ora isso não está praticamente dentro da margem de erro do PCR, que é o teste mais utilizado? Há mesmo uma pandemia de virus ou é só pandemia de medo?
    Carpe diem!

  8. Eu cá no meu cantinho rio-me do epíteto de sermos a sociedade mais informada de sempre. Nunca em nenhum outro momento da história da humanidade se viu tal carneirada como esta em que nos tornámos. O problema de termos os meios é que nos esquecemos dos princípios, divagamos nos intersticios, caminhando cobardemente para o fim.

  9. Quem escreveu este artigo não sabe do que fala, todos os numeros sem excepção estão a aumentar estamos com números 2x superiores aos de março há mais internamentos mais pessoas nos cuidados intensivos e até agora que estamos a ter 10 mortos ao dia não existiu na 1a vaga em que morriam no máximo 5 pessoas por dia, vamos atravessar uma fase complicada e há uma situação que ainda vai agravar mais estes números que é a vacina da gripe vamos facilmente chegar a 2000 novos casos ao dia, o confinamento não está a ser respeitado, os infetados continuam a sair de casa a ir aos supermercados não há controlo das autoridades de saúde e estão a ocupar a PSP com essa função (ridículo) abram os olhos enquanto é tempo Portugal não tem orçamento para um novo fecho total mas terá que ser feito as escolas não podem funcionar assim o comércio vai ser um antro de contaminados…..

  10. Porquê as pessoas só sabem criticar o que as pessoas dizem, em vez de se cuidarem,para não contaminar mais nimguem, enquanto não houver bom senso não vamos a lado nenhum.

  11. As pessoas só morrem uma vez. Se inicialmente a mortandade incidiu sobre os mais idosos, muitos carregados de outros problemas de saúde potencialmente graves, é normal que agora haja menos alvos fáceis para o vírus.

  12. Pergunta fria: Quanto tempo passou, desde o primeiro infectado ate ao primeiro obito?
    Refinando a pergunta: Quanto tempo passa em media, para que um infectado se transforme em obito?

    Dado o actual aumento de casos, não é ainda cedo, para avaliar os obitos consequentes deste aumento?
    pergunto eu, que não so iespecialista..

  13. Só desejo a estas egoístas e inconscientes pessoas que apregoam que o que se passa em termos de pandemia “é uma treta”; que nunca acabem numa UCI intubados, por terem adquirido este amiguinho invisível….que é uma “treta” segundo eles e elas !…….

  14. Essa grande empresa internacional chamada Covid. Uma gripe com aspirações comerciais a pandemia. O negócio não pode parar.
    Morrem de todo o tipo de doenças porque deixaram de ser assistidos mas depois dizem que a culpa é do Covid.

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