Muitas críticas, uma greve e até troncos à porta. Escolas reabrem com o medo no horizonte

Manuel de Almeida / Lusa

Os mais de 1,2 milhões de alunos dos 1.º ao 12.º anos de escolaridade estão, a partir desta quinta-feira, de regresso à escola para mais um ano lectivo que começa com novas regras por causa da pandemia de covid-19. Este “novo normal” ocorre entre receios e queixas de pais e professores.

Esta quinta-feira, 17 de Setembro, é o último dia estabelecido pelo Ministério da Educação (ME) para reiniciar as actividades lectivas presenciais.

Mais de 5.300 escolas públicas e cerca de mil privadas seguem, neste ano, um conjunto de regras definidas pelo ME e pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) devido à pandemia de covid-19.

O uso de máscaras é agora obrigatório para todos os funcionários, incluindo professores, assim como para os alunos a partir do 2.º ciclo, e as escolas têm circuitos de circulação.

Os alunos estarão agrupados em “bolhas” e caberá aos serviços de saúde decidir o que fazer se surgirem casos positivos de covid-10, sendo que a opção deverá sempre passar por enviar para casa apenas o grupo que esteve em contacto com o doente.

O ensino à distância deverá ser sempre a última opção e as escolas só vão fechar em último recurso, como já anunciou o Governo.

“É tudo ao molho e fé em Deus”

O distanciamento físico de pelo menos um metro é outra das medidas a cumprir, nomeadamente nas salas de aula. Porém, a DGS reforçou que só terá que ser cumprido “sempre que for possível”, pelo que, na prática, não está a verificar-se na maioria dos estabelecimentos por falta de condições.

As crianças continuam, em muitos agrupamentos, a dividir carteira com um colega, não havendo divisórias entre elas. A situação preocupa os pais, sobretudo ao nível do 1º ciclo, onde os alunos não precisam de usar máscara na escola.

É “tudo ao molho e fé em Deus”, como desabafa ao ZAP uma encarregada de educação de uma criança que frequenta uma Escola Básica do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas Fernando Pessoa, em Santa Maria da Feira.

Esta mãe de uma criança do 4º ano não entende que se permitam salas de aulas com 30 crianças e que, depois, o futebol durante o recreio, num espaço ao ar livre, esteja proibido.

Já outros pais temem as consequências psicológicas de tantas restrições para os seus filhos.

Nalgumas escolas, os intervalos entre aulas são de apenas 5 minutos, o que muitos pais consideram absurdo.

Escola fechada com troncos de árvores em Barcelos

Em Barcelos, na EB1 de Bárrio, em Roriz, os pais dos alunos vedaram a entrada no estabelecimento com troncos de árvores, protestando contra o facto de existir uma turma mista que junta crianças dos 1º e 2º anos.

Este ano é a primeira vez que há turmas mistas, não faz sentido nenhum sobretudo num ano como este de pandemia”, lamenta ao jornal O Minho a porta-voz do grupo de pais em protesto, Rosa Barbosa.

“O pior é que estamos num ano de covid-19 e estão 22 meninos fechados numa sala com uma outra sala completamente vazia”, acrescenta Rosa Barbosa.

“Não entendemos como há freguesias vizinhas que têm salas com seis, oito e dez meninos e em Roriz optaram por fechar uma sala num ano destes”, diz ainda esta mãe, notando que os alunos estão “separados com uma fita vermelha” na sala.

Falta de funcionários para garantir higienização

Outra das recomendações da DGS é a higienização frequente dos espaços, mas, para isso, alertam directores e sindicatos, faltam funcionários.

O ministro da Educação voltou a assegurar, esta semana, que o sistema está preparado para responder aos problemas, nomeadamente à falta de funcionários e docentes.

Tiago Brandão Rodrigues lembrou que há este ano mais 3.300 professores nas escolas, assim como mais 900 técnicos, desde psicólogos a terapeutas da fala.

Outro dos problemas prende-se com os trabalhadores que pertencem a grupos de risco, nomeadamente no caso dos professores que criticam não poder recorrer ao teletrabalho, sobrando-lhes apenas a baixa médica.

Tal como os restantes funcionários públicos, têm de meter baixa, recebendo o salário apenas durante os primeiros 30 dias. Depois, as faltas continuam a ser justificadas, mas deixam de receber.

Professores em greve pelo direito a não ir trabalhar

O novo ano lectivo é encarado com preocupação também pelos docentes com o Sindicato de Todos os Professores (STOP) a prolongar até esta sexta-feira uma greve para que os funcionários possam não ir trabalhar, caso considerem que não estão garantidas as condições de segurança.

A greve abrange “todos os trabalhadores docentes e não docentes, que exercem a sua actividade profissional no sector da Educação, da investigação científica e cultural e da formação profissional, que trabalhem por conta de outrem, em estabelecimentos públicos ou privados, a 18 de setembro de 2020”, lê-se no pré-aviso de greve.

O STOP também se queixa do que define como a “falta crónica de assistentes operacionais”, considerando que “se arrasta há vários anos (levando muitos à exaustão)”.

No actual contexto de pandemia, “com ainda mais tarefas para esses profissionais”, coloca-se “em risco a saúde de todos que trabalham e estudam nas escolas”, defende o o STOP em comunicado.

Para o sindicato, também é fundamental “a valorização destes profissionais da educação cada vez mais essenciais para a segurança e bem-estar” dos alunos e de todas as comunidades educativas.

O STOP pretende, assim, que todos os profissionais de educação integrados nos grupos de risco tenham direito ao teletrabalho ou a faltar de forma justificada.

A greve visa exigir ainda “uma significativa redução do número de alunos por turma”, para permitir “uma melhor qualidade de ensino, particularmente quando todos reconhecem que as aprendizagens de milhares de alunos foram severamente comprometidas no terceiro período”, na sequência da pandemia.

ZAP ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Quem critica sem pensar não está nem nunca esteve no terreno… Custa a todos o uso de máscaras, não apenas aos alunos e é muito complicado controlar constantemente jovens e crianças que, à primeira distração ou brecha, andam a agarrar-se uns aos outros e a tirar a máscara… Tentem vocês, PAIS (como eu sou tbm) sensibilizarem os vossos filhos para tentarem ter cuidado e evitarem comportamentos de risco, em vez de criticarem e insultarem professores e auxiliares por tentarem fazer o seu trabalho! É que a conversa que os alunos replicam nas escolas vem de algum lado, e não é da parte dos professores certamente… Temos de lutar contra isto, não uns contra os outros!

  2. Para o uso de máscara e restrições já todos devíamos de estar preparados e de ter preparado os nossos filhos, agora para o que não estávamos preparados era para um horário só da parte da tarde a sair todos os dias às 19h20 da escola (crianças com 12 e 13 anos), quando no mesmo agrupamento mas em outra escola está repartido, com apenas 3 dias a sair a esta hora.
    A escola está literalmente a proibir estas crianças de ter uma atividade extra (como muitos tinham). Há crianças de longe, crianças cujos pais saem cedo de casa e só regressam ao fim do dia: ficam sozinhas para fazerem os TPC’s, almoçarem e irem para a escola. Quantas crianças a refeição que têm é feita na escola?
    É inadmissível que turmas só tenham aulas de manhã e outras só há tarde. Não podem repartir, para todos terem os mesmos direitos, nem que sejam 2 / 3 dias por semana?
    As crianças estiveram fechadas, portaram-se à altura e agora são “proibidas” pela escola de ter uma vida normal (dentro dos constrangimentos inerentes).

  3. Os pais é que são os únicos culpados, porque é em casa que se educa os filhos e se mudam as atitudes e comportamentos dos mesmos.
    É os pais que devem os preparar para usar a máscara, distância de Segurança, lavar e desinfetar as mãos.
    Parece que estamos na ERA Medieval, barrar as portas e portões com troncos de árvores e ainda criticar os professores.
    Assim se vê a espécies de pais, é a falta de educação e assim transmitem aos filhos.
    É a lembrar no meu tempo de educação e respeito, nós crianças de 6 anos íamos para a escola/casa/Escola, sem os paizinhos nos irem buscar, seja ricos ou pobres, éramos todos iguais.
    Era assim o nosso exemplar comportamento na via pública ou na escola.
    De pequenino é que se troce o pepino e é em casa que os educa e é em casa os exemplos a seguir que as crianças o fazem nas escolas e nas ruas…
    E HOJE????????

    • concordo consigo.
      muitos pais pensam que a escola deve dar tudo às crianças
      na escola so se aprende portugues, matematica, etc. a boa educaçao ensina-se em casa.
      claro que os tempos sao outros e hoje é mais perigoso, mas antigamente andava-se uns 3km a pe de casa/escola, nao tinhamos os pais a esperarem-nos à porta de escola. brincava-se na rua, nao precisavamos de ter ocupaçao de tempos livres.
      mas quanto à escola, nao podemos ter um professor/auxiliar por cada aluno e a chamarem-nos a atençao para o uso de mascaras.
      vai ser dificil mas temos todos que compreender a situação
      será que os pais querem desempregar para tomarem conta dos filhos em casa porque as escolas estao fechadas?

      • Tem toda a razão, até porque muitos professores também não têm educação nenhuma. Acha mesmo que alguém aprenderia o que quer que fosse com o Mário Nogueira? O que vale é que ele também não é professor… embora os represente.

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