Salgado diz que volatilidade de ações e fuga de depósitos ditaram fim do BES

Manuel de Almeida / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

O antigo banqueiro Ricardo Salgado regressou esta tarde à comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES) e fará uma exposição inicial de cerca de uma hora antes de responder a perguntas.

Ricardo Salgado afirmou que só conheceu através da comunicação social a parte da auditoria forense da Deloitte já revelada, o que afirmou ser “inadmissível”.

“É verdadeiramente inadmissível que uma parte interessada, o Banco de Portugal, ande a revelar, gota a gota, elementos para que haja um julgamento”, declarou Salgado na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

Para o ex-banqueiro, os dados da auditoria forense – que apontam para várias desobediências às ordens do BdP – são “insuficientes”, até porque muitos dos erros apontados dizem respeito a informação que não foi obtida.

O antigo líder do BES afirmou ainda que nas reuniões que manteve com políticos em 2014 não pediu favores mas procurou alertar os responsáveis para o “risco sistémico” que a queda do banco poderia causar.

“Não fui pedir qualquer favor”, sinalizou o ex-banqueiro, acrescentando que procurou nas reuniões com responsáveis políticos – casos do Presidente da República e do primeiro-ministro, entre outros – garantir “apoio institucional” para o BES e alertar para um eventual “risco sistémico”.

“Infelizmente não estava enganado”, prosseguiu Salgado, que falava na comissão de inquérito à gestão do caso BES e GES.

Volatilidade de ações e fuga de depósitos ditaram fim do banco

O antigo líder do BES afirma que foi a volatilidade das ações e a fuga de depósitos que ditaram o fim do banco, e não os problemas detetados na holding Espírito Santo International (ESI) em 2013.

Volatilidade de ações e fuga depósitos. Foram estas circunstâncias que ditaram o fim do BES“, afiançou Salgado na comissão parlamentar de inquérito à gestão daquele banco e do GES.

Para o antigo líder da instituição, o aumento de capital de 2014, que teve “o melhor resultado de sempre” neste tipo de operações, comprova que “não houve nexo causal entre problema na ESI” e a posterior “quebra de confiança” no BES.

O ex-presidente do BES criticou as medidas impostas pelo Banco de Portugal e as acusações do governador, Carlos Costa.

“O ring fencing cego prejudicou o BES em vez de o proteger”, lançou Salgado, referindo-se ao perímetro de proteção ordenado pelo Banco de Portugal à gestão do BES então liderada pelo banqueiro.

Depois de já ter criticado o facto de só ter tido conhecimento dos resultados da auditoria forense à gestão do BES encomendada pelo Banco de Portugal pela comunicação social, Salgado referiu-se a várias questões que são levantadas neste âmbito e que apontam para gestão danosa, tentando desmontá-las.

Ricardo Salgado começou a falar cerca das 15h10. Antes de iniciar a sua intervenção, o presidente da comissão de inquérito, Fernando Negrão, pediu “perguntas claras” aos deputados e “respostas esclarecedoras” de Salgado, acrescentando que a exposição inicial do ex-banqueiro será de cerca de uma hora.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e a audição desta quinta-feira de Salgado é a primeira repetição de uma audição nesta comissão.

ZAP / Lusa

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