Salamandra pré-histórica gigante encontrada no Algarve

Joana Bruno

A nova espécie Metoposaurus algarvensis, encontrada no Algarve por Octávio Mateus et al (conceito artístico da ilustradora científica Joana Bruno).

Antes de os dinossauros terem surgido para dominar a Terra, um dos maiores predadores do planeta era um anfíbio semelhante a uma salamandra, que viveria nas zonas tropicais do super-continente Pangea. Restos fossilizados desse predador foram agora encontrados em Loulé, no Algarve, por uma equipa de arqueólogos.

Os fósseis, descobertos num leito de ossos com cerca de 40 cm de espessura, sugerem que a criatura teria mais de 2 metros de comprimento, pesaria cerca de 100 quilos, e teria uma cabeça achatada em forma de tampo de sanita.

A descoberta, publicada esta segunda-feira no Jornal de Paleontologia Vertebrada, foi feita por uma equipa de arqueólogos da qual fez parte o paleontologista português Octávio Mateus, investigador da Universidade de Lisboa e fundador do Museu da Lourinhã.

A nova espécie foi baptizada Metoposaurus algarvensis em honra do local da descoberta. Teria vivido há cerca de 230 milhões de anos, no Triássico Superior, e seria uma das maiores espécies conhecidas de metoposauros.

Embora o seu nome tenha herdado a terminação grega “sauro”, que significa “lagarto”,  estas criaturas são na realidade anfíbios.

Segundo os investigadores, citados pela revista Science, a área de escavações com apenas 4 m2, na qual foram encontrados 10 crânios da salamandra gigante e centenas de outros restos, sugere que as criaturas se manteriam concentradas na zona, e terão morrido quando o seu habitat secou.

Com membros demasiado franzinos para poder suportar o seu peso, a criatura deveria manter-se na água a maior parte do tempo, alimentando-se de pequenos ancestrais de dinossauros ou mamíferos que se aventurassem demasiado perto das margens.

Este é o primeiro anfíbio deste período descoberto na Península Ibérica, mas foram encontrados anteriormente depósitos fósseis de metoposauros semelhantes em regiões que são actualmente partes de África, Europa e América do Norte – o que poderá indicar que o clima na altura seria altamente imprevisível e dado a secas prolongadas.

Richard Butler, investigador da Universidade de Birmingham e um dos autores do estudo, explicou ao Telegraph que “os anfíbios modernos são relativamente pequenos e inofensivos”.

“Mas nos tempos do Triássico Superior estes predadores gigantes devem ter tornado os lagos e rios locais bastante desagradáveis para se viver“, acrescenta Butler.

ZAP

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5 COMENTÁRIOS

  1. …. 2 metros de cumprimento,….

    Os fósseis, descobertos num leito de ossos com cerca de 40 cm de espessura, sugerem que a criatura teria mais de 2 metros de cumprimento, ….

    Vá lá meninos, corrijam a gralha!

  2. não vejo onde esteja a gralha, desde quando comprimento é proporcional a diametro. por esse ponto de vista uma anaconda deveria ter 1.5 m de grosso

    • ò Xôr Jaquim

      Quando o assunto é medidas, escreve-se cOmprimento… com OOOOOOOOOOOOOO

      Quando há saudação, escreve-se ou dá-se um cUmprimento …. com UUUUUUUUUUUUUUU

      Perxebeu xôr Jaquim, ou quer que le faxa um dejeinho?!

  3. Realmente, depois da salamandra gigante, os predadores nunca mais deixaram o Algarve. Veremos quem se segue ao Zé Zé Camarinha 😉

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