Rui Moreira diz que monumento de homenagem do Ultramar é herança de Rio

Rui Moreira / Facebook

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira

A CDU/Porto viu recusada, esta segunda-feira, uma proposta para parar ou mudar o nome do monumento de homenagem aos combatentes no Ultramar, tendo o presidente da autarquia esclarecido que o compromisso foi assumido durante o mandato de Rui Rio.

A proposta, que dividiu o executivo, foi rejeitada com os votos contra da maioria municipal e do PSD e a abstenção de três dos quatro vereadores do PS, que deu liberdade de voto aos seus vereadores.

A recomendação, apresentada pela vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, propunha a paralisação da obra de instalação do monumento de homenagem aos combatentes no Ultramar ou que “no mínimo” fosse alterada a sua designação, defendendo que um investimento de 40 mil euros merecia um debate público.

Em causa está a iniciativa da Associação para o Monumento de Homenagem aos Militares do Porto que combateram no Ultramar, apoiada pela Câmara do Porto, cujos trabalhos, iniciados em janeiro e com conclusão prevista para o final de março, foram prolongados até 23 de abril, de acordo com a informação disponibilizada no site da GO Porto, entidade gestora da obra.

O Memorial do Porto aos Combatentes do Ultramar, cujo projeto foi assinado pelo arquiteto Rodrigo Brito, vai ser instalado em Lordelo do Ouro, ao lado da Capela do Senhor e Senhora da Ajuda e contempla a construção de uma praça hexagonal composta por cinco lápides e oito bancos, todos revestidos a granito.

Durante a discussão da proposta, Ilda Figueiredo salientou que a guerra colonial não afetou apenas quem esteve nesse combate, mas também os povos, pelo que sugeriu a alteração da sua designação para monumento de homenagem aos povos vítimas da guerra colonial.”

Numa declaração lida, o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, esclareceu que o município foi contactado pela Associação, ainda no mandato anterior, exprimindo o seu desejo de ver, no espaço público, edificado um monumento evocativo da memória dos ex-combatentes.

“Rui Rio havia-se comprometido nesse sentido”

“O executivo do Senhor Dr. Rui Rio havia-se comprometido nesse sentido, mas, por razões que não conhecemos, essa promessa não se tinha materializado. Entendi como justa esta aspiração”, salientou, acrescentando que, ainda no anterior mandato se estudaram soluções de implantação no espaço público, nomeadamente na envolvente do Forte de São João da Foz.

De acordo com o autarca, coube à Divisão Municipal de Projetos e Estudos Urbanísticos encontrar, em conjunto com a Associação e com o seu arquiteto, um local adequado à instalação desse monumento no espaço público, estando agora a GO Porto incumbida da sua realização.

Moreira contesta ainda o sentido da recomendação da CDU, salientando que há inúmeros monumentos, em diversas cidades do país, que homenageiam os combatentes na Guerra do Ultramar, “e não será a CDU a inibir a cidade do Porto de ter um monumento dessa natureza”.

“O monumento, de singela beleza, homenageia todos aqueles que, chamados a cumprir o seu dever cívico, combateram nessa guerra. Ninguém lhes perguntou se era justa, ou se não era. O que sabemos é que deixou chagas, feridas, mortos e mutilados. Que combateram pela Pátria. Entendemos, com toda a tolerância, que a CDU não tenha essa visão. Porque continua a defender uma ideologia que morreu. E todos os dias tenta reescrever a história”, disse.

Em resposta ao independente, a vereadora da CDU lamentou “a visão anticomunista e primária”, sublinhando a tolerância da proposta apresentada que, admitia, que fosse mudada apenas a designação atual do monumento, cuja conotação já era “condenada nos anos 60 e 70”.

Pelo PSD, Álvaro Almeida mostrou-se ao lado da CDU no que respeita ao tipo de assuntos que são debatidos na autarquia, mas indicou que na questão substantiva, considera que aqueles que defenderam o país, independentemente dos objetivos dessa guerra, devem ser homenageados.

A vereadora socialista e historiadora Maria João Castro, que votou a lado da CDU, disse, que em 2021 não faz sentido, a designação escolhida, desejando que se tivesse chegasse a um monumento que “unisse” todos.

Também o socialista Manuel Pizarro, que decidiu abster-se, questionou a designação do monumento, salientando que esta é uma iniciativa da sociedade civil, “mas que só é possível graças ao patrocínio da câmara”.

// Lusa

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9 COMENTÁRIOS

  1. Fiz uma comissão de serviço em Angola, durante dois anos, de 1966 a 1968. Nunca senti que estava a lutar por um sistema colonial ou pela exploração de um povo. Estava a lutar para permitir que o povo de Angola pudesse um dia livremente decidir se queria que Angola fosse independente ou se mantivesse institucionalmente ligada a Portugal. Infelizmente o 25 de Abril impediu que os angolanos se pudessem manifestar sobre esta questão, tendo sido reconhecida legitimidade apenas aos movimentos que tinham pegado em armas contra Portugal. Os outors partidos constituídos depois do 25 de Abril ficaram impedidos de participarnesse processo. O monumento aos que se bateram no Ultramar é perfeitamente justificado.

  2. “Estava a lutar para permitir que o povo de Angola pudesse um dia livremente decidir se queria que Angola fosse independente ou se mantivesse institucionalmente ligada a Portugal.”
    Isto deve ser piada porque ninguém é assim tão ingénuo… principalmente 50 anos depois!!

    • A unidade em que eu servi em Angola, e de que era oficial, era constituída por soldados angolanos. Conheci Angola e os angolanos melhor do que 95% dos militares portugueses que por lá passaram. Não sou ingénuo, sei apenas muito bem quais eram as razões da luta em Angola. Uma luta que foi atraiçoada por aqueles que reclamam ter libertado Portugal.

      • Em Angola praticamente nem havia guerra. Essa é que é a verdade. Em Angola a guerra esteve quase sempre ganha. Já na Guiné a história era bem diferente.

      • Se não és ingénuo nem estavas a brincar, o caso é bem mais grave!…
        Oficial, pois claro… devias fazer parte da pequeníssima minoria que vivia protegida pelo regime e que queria a todo custo manter Portugal e as colónias debaixo do seu controlo – enquanto o resto da população vivia miserávelmente (e em Portugal, pior!!) e ainda eram obrigados a ir para uma guerra para proteger os interesses de meia-dúzia de privilegiados pendurados na ditadura mais longa da Europa!…
        O mundo civilizado estava todo errado – os donos de Portugal e o regime que os protegia é que estavam certos e achavam que as colónias iam durar para sempre, quando as outras potências europeias já tinham perdido as suas!!
        O resultado desse brilhante raciocínio ainda se reflete no Portugal de hoje, com os Salgados a companhia como bons exemplos desses tempos onde poucos tinham tudo e a maoria nem sequer podia abrir a boca!
        .
        Os combatentes da guerra do Ultramar merecem monumentos e homenagens porque foram obrigados a ir para uma guerra que não lhes dizia nada por um regime opressor que, além de não os respeitar, os obrigou a ir para outro continente proteger o regime – nunca o seu povo – que, para as elites da altura valia ZERO e eram apenas “carne para canhão”!!

        • E curioso como com tantos descontentes tenha havido tãos poucos casos de deserção das forças armadas. Com exceção do Manuel Alegre e outros que tais…Até o Jerónimo de Sousa cumpriu o serviço militar e esteve na Guiné…

  3. É curioso estes tempos que vivemos… Bem, mudam-se os nomes e já está tudo bem? Como mudar de ponte Salazar para ponte 25 de abril?
    Falam pessoas que não combateram, não fazem a mínima ideia do que foi a guerra colonial, nem a interferência das potências da guerra fria.
    Se o Silva esteve a comandar flechas em Angola tem todo o meu respeito e admiração. Isto para quem sabe quem eram os flechas!

    • Não eram flechas, eram sodados de uma unidade da guarnição normal, sediada na então Nova Lisboa. E tivemos um ano em zona de operações no leste de Angola.

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