Rio acusa PS de se comportar como “dono disto tudo” (e diz que também tem um “Centeno”)

Mário Cruz / Lusa

No último debate a dois antes das legislativas de 6 outubro, os líderes do PSD e PS trocaram esta segunda-feira críticas – em tom leve e cordial -, recordando telhados de vidro de cada força política e comparando os “Centenos” de cada um.

Rui Rio acusou os socialistas de se comportarem no Governo como “dono disto tudo”, com o secretário-geral do PS, António Costa, a rejeitar a “acusação infundada”, recusando receber lições de ética dos sociais-democratas.

No segundo e último frente a frente, organizado pelas rádios Antena 1, Rádio Renascença e TSF, Rui Rio e António Costa foram questionados sobre a recente demissão do secretário de Estado da Proteção Civil, Artur Neves, depois de ter sido constituído arguido na investigação ao negócio das golas antifumo.

Rui Rio recusou comentar o caso concreto de Artur Neves por estar em investigação, mas fez o que disse ser “uma apreciação global” e política.

“O PS desde sempre tem um tique: quanto está no poder olha para o Estado como se fosse dono disto tudo (…) O que distingue o Governo de António Costa relativamente ao passado é que temos não só casos de nomeações de militantes e simpatizantes do PS para altos cargos públicos, mas também dos próprios familiares. Excede um pouco o que no passado tinha acontecido”, acusou.

Na resposta, António Costa considerou esta acusação “absolutamente infundada”, quer em relação à história do PS, quer ao presente, apontando que o atual Executivo até nomeou pessoas do PSD para altos cargos públicos por as considerar capazes.

O secretário geral do PS aproveitou ainda esta intervenção para lançar uma farpa ao PSD: “Há uma coisa que no PS não existe: proclamações de banho de ética que depois é à medida do freguês”, afirmou Costa, recusando receber lições de ética de Rio ou do PSD.

O secretário-geral do PS e primeiro-ministro defendeu que o Governo tem aplicado a regra do anterior Executivo de que os altos titulares de cargo públicos são nomeados pela CRESAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública), e considerou que o chamado familygate “assenta numa grande confusão”.

“De um conjunto de 62 gabinetes, com mais de 500 pessoas, há três casos de nomeações familiares, sendo que nenhum foi nomeado por ser familiar”, defendeu.

Costa recorda nomeação familiar de Rio na CM Porto

Neste ponto, Costa apontou que Rio, quando era presidente da Câmara do Porto, nomeou para a administração do teatro Rivoli uma irmã do seu vice-presidente, dizendo que o fez “seguramente porque entendeu que era competente”.

“Não tenho nada a apontar ao dr. Rui Rio. Agora, eu nunca dei lições de ética a ninguém, porque presumo que os outros são pelo menos tão sérios e honestos como eu, mas também não recebo lições de ética de ninguém – nem sequer do dr. Rui Rio, por quem tenho muita estima — muito menos do PSD em geral”, reiterou.

O presidente do PSD não respondeu em concreto à questão da nomeação para o Rivoli e defendeu que, quando chegou à liderança dos sociais-democratas, nunca disse que ia dar “lições de ética, mas ia praticar a ética”.

“O primeiro ponto é salvaguardar o princípio da presunção de inocência. Por isso, não procurei chacinar o secretário de Estado (…) O que era populista era dizer, se é arguido vai para a rua, mas isso não é ética nenhuma, é uma cobardia”, criticou.

Rio recordou que todos os candidatos a deputados do PSD assinaram um compromisso de honra, segundo o qual se forem condenados por algum crime em primeira instância suspendem funções e, com trânsito em julgado, abandonam. “É arguido e logo sai fora? Isso era pôr o Ministério Público a mandar as listas do PSD“, afirmou.

O líder do PSD admitiu que o partido também tem “telhados de vidro” e “não é virgem” em matéria nomeações – “nenhum partido é” -, mas defendeu que nunca o fez com “a mesma intensidade que o PS”. “As pedras que atirou aos telhados do PS afinal foram parar a outros telhados”, ironizou Costa, com Rio a responder, entre risos, que “no PS é que está a chover em casa, porque os telhados partiram”.

Em relação ao caso concreto de Artur Neves, o líder socialista salientou que nunca o demitiria por ter sido constituído arguido, e justificou o louvor público que lhe fez pelo contributo para a implementação da reforma da prevenção e combate aos incêndios.

Não tiro nunca conclusões antecipadas, como nunca ninguém deve tirar”, afirmou, recordando que, além da investigação do Ministério Público, decorre também um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna ao processo da aquisição das golas, cuja conclusão “está por dias ou semanas”.

“Se houve alguma incorreção e ilegalidade, as autoridades competentes irão julgar, até lá devemos presumir a inocência”, defendeu.

O “Centeno” de Rio

Foi nas matérias económicas que Rio e Costa falaram dos seus “Centenos”, numa espécie de disputa em que os candidatos defenderam qual seria o melhor responsável pela Finanaças, tal como escreve o jornal Público e o Jornal de Negócios.

O líder do PSD voltou a falar da degradação das contas públicas. Na reposta, António Costa contrapôs o argumento, dando conta que o que faz balancear o défice externo foi a importação de maquinaria, e neste ano o peso dos aviões da TAP.

“A balança externa continua positiva, agora, essa diminuição [dos valores positivos da balança] deve-se ao seguinte, ao aumento de importações de maquinaria porque as empresas estão a modernizar-se. Se tem o quadro veja a composição”, disse a Rio.

Rio disse não ter o quadro em causa, mas defendeu “o aumento do peso das exportações o PIB é vital. Devíamos ultrapassar os 50% e chegar aos 60%, passou de 42% para 44%, crescimento mínimo” – e foi aqui que chegou a disputa dos “Centenos”.

O social democrata disse que conseguiu estes dados através do seu “Centeno”, referindo-se a Joaquim Sarmento, o seu responsável pelas Finanças.

Também tenho o meu Centeno“, atirou. Costa não tardou a responder, apontando a preferência dos portugueses: “Mas olhe que não troco o meu pelo seu. Os portugueses preferem o meu Centeno”.

O tema dos Centeno voltaria à discussão com Rio a deixar no ar que Mário Centeno pode ficar como responsável das Finanças num futuro Governo socialista enquanto for presidente do Eurogrupo, ou seja, até meados de 2020. Face à insinuação, Costa não entrou em grandes detalhes, dizendo apenas que “seria melhor 6 meses do meu Centeno do que 4 anos” do “Centeno” de Rio.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. António Costa o traidor, perdeu as eleições mas fez tudo para ser 1.º Ministro, foi o principio de criação de uma DITADURA, como se vê hoje a Censura que há na Comunicação Social e a Directora foi moderadora da RTP1 no Debate com António Costa o traidor e Rui Rio, a qual beneficiou António Costa.
    Essa ainda é familia de António Costa, deve ser corrida, porque os canais têm de repeitar o povo…
    Estamos muito pior em tudo que antes do 25 de Abril de 1974 e a ganância e o abuso de poder já se sente se nada for feito cairemos no abismo….
    Eu não confio em António Costa o traidor, sou socialista sim, mas sou democrata e não sou corrupto…por isso não voto em PS, não voto em traidores e Maçons…
    Esses não são socialista são sim Xuxulistas e maçons.
    VIVA PORTUGAL sem abutres e hienas

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