A religião pode ter dificultado o progresso científico e económico em França no século XX

Segundo um novo estudo da Universidade Bocconi, a religião pode ter influenciado de forma negativa a difusão do conhecimento e o desenvolvimento económico em França, sobretudo durante a Segunda Revolução Industrial (1870-1914).

Esta é uma conclusão do novo estudo de Mara Squicciarini, que foi publicado na American Economic Review em novembro.

Ao se opor à introdução da educação técnica nas escolas primárias, a Igreja Católica  impediu a acumulação de mão de obra qualificada nas áreas mais religiosas do país. Níveis mais altos de educação religiosa traduziram-se em empregos industriais significativamente mais baixos 10 a 15 anos depois, quando os alunos ingressaram no mercado de trabalho.

“Estas descobertas têm implicações importantes para o desenvolvimento económico hoje”, garante a professora Squicciarini.

“As máquinas industriais mais sofisticadas da Segunda Revolução Industrial exigiam uma força de trabalho tecnicamente qualificada. Consequentemente, o Estado francês teve um papel ativo na promoção de um currículo mais técnico para formar uma força de trabalho qualificada, o que não foi bom para a economia, pois foram necessários investimentos extra”, explica a autora do estudo.

Na época, a Igreja estava a promover um programa conservador e anticientífico, que dificultava a introdução do currículo técnico e destacava a educação religiosa, enquanto que as escolas seculares se tornavam cada vez mais modernas e profissionais, refere o estudo.

A intensidade de uma região está associada à difusão do ensino religioso e esta, por sua vez, está associada a um menor desenvolvimento industrial, diz o Phys.

Ainda assim, o desenvolvimento económico de regiões com alta ou baixa religiosidade não começou divergiu muito até à Segunda Revolução Industrial, altura em que os currículos escolares e a acumulação de mão de obra da população passaram a contar para o desenvolvimento industrial.

Estes resultados sugerem que a relação entre religião e desenvolvimento económico pode não ser sempre negativa. Em vez disso, varia com o tempo e torna-se negativa quando a religião impede a absorção de conhecimento economicamente útil.

  ZAP //

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