Reino Unido já começou a vacinar. William Shakespeare foi um dos primeiros a receber a injeção

Jacob King / EPA

William Shakespeare, primeiro homem a receber a vacina contra a covid-19 no Reino Unido

As autoridades de saúde do Reino Unido disponibilizaram ontem as primeiras doses de vacina contra a covid-19, dando início a um programa de imunização global que deverá ser impulsionado à medida que mais soros forem sendo aprovados.

A primeira dose foi administrada num dos hospitais de uma rede espalhada por todo o país, onde a fase inicial do programa já foi apelidada de Dia-V, anunciaram as autoridades sanitárias.

A primeira pessoa do Reino Unido a receber a vacina contra a covid-19, desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer e a sua associada alemã BioNTech, foi uma mulher de 90 anos. Margaret Keenan foi filmada enquanto lhe era administrada a vacina, por volta das 06:30, no Hospital Universitário de Coventry, no centro de Inglaterra.

Os reguladores britânicos deram na semana passada luz verde a esta vacina, que desde ontem começou a ser administrada aos grupos de risco do Reino Unido.

O país obteve este avanço no projeto de vacinação, depois de, em 2 de dezembro, os reguladores britânicos terem dado autorização de emergência para a vacina produzida pelo fabricante americano de medicamentos Pfizer e pela empresa alemã BioNTech.

As autoridades dos EUA e da União Europeia estão ainda a rever a vacina, a par de duas outras preparações “rivais”, desenvolvidas pela empresa americana de biotecnologia Moderna, e por uma colaboração entre a Universidade de Oxford e o fabricante de medicamentos AstraZeneca.

No sábado, a Rússia começou a vacinar milhares de médicos, professores e outros grupos de risco em dezenas de centros em Moscovo, com a sua vacina Sputnik V. Este programa está a ser encarado de forma diferente, uma vez que a Rússia autorizou o uso da vacina no verão, após ter sido testada em apenas algumas dezenas de pessoas.

Os primeiros carregamentos da vacina Pfizer-BioNTech foram entregues no domingo a um grupo selecionado de hospitais do Reino Unido.

Numa dessas instalações, o Croydon University Hospital, a sul de Londres, os membros do pessoal não puderam sequer tocar nos frascos, mas ficaram entusiasmados só por já os terem apenas no edifício.

A vacina não vai chegar tão depressa quanto seria desejável ao Reino Unido, que conta com mais de 61.000 mortes – mais do que qualquer outro país da Europa – e mais de 1,7 milhões de casos de covid-19.

As 800.000 doses são apenas uma fração do que é necessário. O Governo está a visar mais de 25 milhões de pessoas, cerca de 40% da população, na primeira fase do seu programa de vacinação, dando prioridade às pessoas com maior risco de contrair a doença.

O segundo grupo será o das pessoas com mais de 80 anos e trabalhadores em lares. O programa irá sendo expandido à medida que a oferta aumentar.

Em Inglaterra, a vacina será entregue em 50 centros hospitalares na primeira fase do programa, esperando-se que mais hospitais a disponibilizem à medida que o programa se for desenvolvendo.

A Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales estão a fazer os seus próprios planos no âmbito do sistema de administração descentralizada do Reino Unido.

As questões logísticas estão a atrasar a distribuição da vacina Pfizer, porque esta tem de ser armazenada a uma temperatura negativa muito baixa: -70 graus Celsius.

As autoridades também estão a concentrar-se nos pontos de distribuição em grande escala porque cada caixa de vacinas contém 975 doses e não querem desperdiçar nenhuma. O Reino Unido concordou em comprar milhões de doses a sete produtores diferentes.

Os governos de todo o mundo estão a fazer acordos com múltiplos criadores para garantir que os produtos que acabam por ser aprovados para uso generalizado sejam entregues.

Depois de Margaret Keenan, foi vacinado o primeiro homem, de 81 anos, que se chama William Shakespeare, homónimo do poeta inglês.

O idoso afirmou estar muito “muito feliz”. “É incrível observar a vacina, é incrível ver este tremendo impulso para toda a nação, mas não podemos relaxar”, declarou. Mas ainda “não derrotamos o vírus”, destacou, antes de pedir a todos que aceitem a injeção sem medo.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Se não morrer de Covid ou de qualquer outra doença morre da vacina certamente. Com 90 anos já nada tem a perder.
    E é mentira que foi a primeira a ser vacinada pois a Rússia já começou a vacinar há dias atrás ! Mas por que razão não é notícia? Porque os laboratórios russos não fazem parte do grande lobby internacional que é este Covid !

    • Caro leitor,
      Em primeiro lugar, tenha por favor atenção quando acusa gratuitamente alguém de mentir.
      A nossa notícia não diz que a senhora foi a primeira pessoa no Mundo a ser vacinada. Diz que o Reino Unido começou a vacinar, e que esta senhora foi a primeira.
      Em segundo lugar, se não esteve atento às notícias que o ZAP publicou nas últimas semanas, abstenha-se por favor de sentenciar o que foi ou não notícia, ou pesquise primeiro para ter a certeza das afirmações que faz.
      O ZAP deu no dia 6 notícia de que a Rússia já começou a vacinar, e publicou nas últimas semanas inúmeras notícias acerca do desenvolvimento das diversas vacinas russas .

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