“Não dá para escolher.” Se alguém recusar ser vacinado com a AstraZeneca, vai para o fim da lista

Hannibal Hanschke / AFP

Na conferência de imprensa desta quinta-feira, Graça Freitas não respondeu à questão. O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo esclareceu, no entanto, que quem recusar tomar a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 perderá a vez e terá que ficar à espera.

Esta quinta-feira, na conferência de imprensa do anúncio da retoma da vacina da AstraZeneca na próxima segunda-feira, Graça Freitas deu uma resposta pouco esclarecedora quando questionada sobre o que irá acontecer se alguém se recusar a ser vacinado com a vacina da AstraZeneca.

Segundo o Diário de Notícias, questionada se os cidadãos podem escolher outro fabricante, a diretora-geral da Saúde disse que “é uma hipótese que as pessoas não devem colocar”, uma vez que a “alternativa é ficarem desprotegidos de uma doença grave que pode ser letal”.

Contudo, de acordo com o Público, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force para o plano de vacinação, esclareceu que quem recusar tomar a vacina da AstraZeneca perderá a vez e terá que ficar à espera. Na última fase da operação, será imunizado com a vacina que estiver disponível.

“O princípio no processo de vacinação é a não escolha da vacina, porque as vacinas aprovadas são igualmente boas e seguras”, justificou o responsável.

Portugal decidiu ontem retomar a vacinação com o fármaco da AstraZeneca já na segunda-feira. No entanto, mesmo antes da interrupção, os profissionais já estavam a ser confrontados com recusas de algumas pessoas que queriam ser imunizadas com as outras vacinas disponíveis, a da Pfizer e a da Moderna.

“Explicamos que vão ter que ficar à espera ou a aguardar que mude a regra da atribuição. Já tivemos médicos e médicos dentistas, por exemplo, a recusar-se, mas a regra é simples: não dá para escolher. Seria ingerível. Se as pessoas não aceitam a regra, e têm esse direito, vão ter que esperar. Serão vacinadas no Verão ou depois do Verão”, explicou ao diário José Luís Biscaia, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego.

Diogo Urjais, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, confirmou. “Já houve rejeições antes e agora deverá haver mais. Mas recusar é impossível à partida. A orientação é: o utente não escolhe a vacina. Não podemos eliminar a pessoa da lista, o que dizemos é que vai ter que esperar, correndo o risco de não ser vacinada.”

Rui Ivo, presidente do Infarmed, considera as conclusões da Agência Europeia do Medicamento (EMA) sobre a segurança e eficácia da vacina “claras quanto aos dois aspetos principais”.

“Os benefícios da vacina superam claramente qualquer risco de reação adversa. Isso foi muito claro nas conclusões do comité. Também foi referido que a vacina não está associada ao aumento geral do risco de coágulos sanguíneos na sua administração”, referiu.

Da mesma forma, o primeiro-ministro considera que o regulador europeu esclareceu “todas as dúvidas” sobre a vacina da AstraZeneca, considerando-a segura. O Diário de Notícias avança também que António Costa pediu a união dos Estados-membros em torno da Comissão Europeia.

“A EMA esclareceu todas as dúvidas sobre a vacina da AstraZeneca, considerando-a segura e eficaz contra a covid-19”, escreveu o governante no Twitter.

Do ponto de vista político, enfatizou, “é fundamental manter uma ação coordenada entre os Estados-membros da União Europeia, unidos em torno da Comissão Europeia, para reforçar a confiança dos europeus, indispensável ao sucesso do processo de vacinação”.

Em entrevista ao Expresso, o virologista Pedro Simas explicou que, “em termos científicos, não era razão para suspender [o uso da vacina da AstraZeneca], mas não adianta ter uma vacina segura se as pessoas desconfiam dela e não se querem vacinar”.

“Foi importante fazer esta pausa para eliminar qualquer tipo de especulação infundada”, considerou o especialista.

“Acho que as dúvidas das pessoas devem ficar dissipadas. A EMA é uma agência séria, além de que também tivemos os ensaios clínicos de fase 1, 2 e 3 que revelaram que a vacina é segura. As pessoas devem sentir-se seguras, até porque a EMA está a sugerir que, do ponto de vista médico, seja tida uma atenção especial para possíveis desenvolvimentos destas tromboembolias, que são situações muitíssimo raras”, disse.

A Agência Europeia do Medicamento assegurou, esta quinta-feira, que a vacina da AstraZeneca “é segura e eficaz”, não estando também associada aos casos de coágulos sanguíneos detetados, que levaram à suspensão do seu uso.

Agora, três dias depois da suspensão do uso da vacina, as autoridades de saúde portuguesas anunciaram que vão retomar o seu uso na próxima segunda-feira.

Liliana Malainho, ZAP //

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33 COMENTÁRIOS

  1. Os políticos não têem problemas. De Certeza que não vão ser vacinados com a astrazeneca. O Zé povinho devia ter coragem e dizer não. Mas todos. Só para mostrar a força.
    Mas o Zé povinho já é conhecido por estar a eapera por uma manhã de nevoeiro..Portugal Horizontal.

    • Pois não vão… os políticos já foram vacinados com a vacina AZ!!
      E, com tantas certezas, tens a certeza que a Terra é plana?
      Agora imagina se o “povinnho” fosse todo tão “iluminado” como tu!…

  2. Então vou para o fim da fila mais a minha família. Qual o problema? Tomar uma vacina não segura e não eficaz contra varias variantes de vírus…. Engraçado os ingleses estão a usar a pfizer e a vender para os outros a astreca….

    • Quem não confia na Ciência e nos reguladores da Saúde vai mesmo para o fim da fila. Eu aceito ser vacinado com qualquer uma, a da Astrazena incluída.

      • Os alemães também acreditavam que estavam a ganhar a guerra só porque o hitler dizia quando tinham os aliados quase a chegar a Berlim….. Queres outra, os tais reguladores que diziam que o vírus não era transmissível e era pouco provável que chegasse a Portugal… Terceira a África do Sul testou a vacina e descartou porque apresentava apenas 30% de eficácia nos casos ligeiros a sua variantes…. Depois veio os casos de morte provocados pela mesma. Se queres jogar a roleta russa é contigo. Eu espero pela outras o tempo que for preciso, posso bem viver com uma máscara e lavar as mãos

  3. Tudo pela saúde das pessoas..
    Dizem eles.
    Faz lembrar na 2º Guerra mundial quando distribuíam soro porque a morfina já tinha acabado.

    O que interessa é as pessoas pensarem que estão vacinadas

  4. A continuar assim, qualquer dia quem não gostar do pão “mal cozido” vai para o fim da fila…depois se ainda sobrou algum tem de comer esse…ja o Camilo de Oliveira e a Ivone Silva cantavam “ao governo”…. Ai Agostinho, Ai Agostinha, Que rico vinho, Vai uma pinguinha, Este País perdeu o tino, a armar ao fino, a armar ao fino, Este País é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso.

    • “isto é que vai uma crise,
      Isto é que vai uma crise…
      Anda tudo fazer pouco
      Da gente.
      Anda tudo a fazer pouco
      Da gente.”

  5. Eu percebo que a taxa de incidência é baixa e ronda 1PPM, mas a quem calha ter uma trombose, essa estatística “sabe a 100% de probabilidade”. Se calhar no grupo de pessoas que têm trombofililias valorizáveis essa taxa de incidência passa a pontos percentuais. Alguém sabe qual é o número neste grupo de pessoas?! Eventualmente que não, a resposta é “vão para o fim da fila”.
    Para alguém que tem múltiplas trombofilias e já passou por uma TVP, como a minha esposa, esta estatística não é muito tranquilizadora. A este tipo de pessoas deveria ser dada uma verdadeira possibilidade de escolha. Vale o que vale pois admito que se calhar “não percebemos” o que estamos a escolher.
    Só se refere a probabilidades sem pensar o que isso representa, quem felizmente não sabe o que é ter um acidente vascular e a tremendo impacto que tem na qualidade de vida.
    Isto de se mandar para o fim da fila, na realidade parece dar às pessoas uma possibilidade de escolha, mas na realidade roça a violação de princípios básicos de liberdade. Ou sim e levas esta, ou então levas mesmo esta.
    Quando a politica substitui a ciência, é aterrador. Coitados dos que adoecerem e precisarem.

    • A sua esposa tem que informar que é doente de risco e infelizmente todas as vacinas têm o risco de causar trombos sanguíneos, mas a incidência é mínima, 5 pessoas por cada 5 milhões de vacinados.

  6. Sem comentários. É certo que as condções adversas são superiores às outras vacinas. Faça-se uma leitura do que é publicado pela classe científica, e logo se tirarão os resultados. Por isso a vacinação com esta vacina era uma interrogação a partir da idade de 70 anos, que o labortório não mostrava resultados válidos. Se morrerem muitos vacinados, não há problema. Se estamos em democracia a vontado do utente deve ser respeitada.

  7. Não ter escolha irá ser sempre difícil de aceitar, nos medicamentos há quase sempre escolha quer de marca quer genéricos e havendo várias vacinas irá ser difícil aceitar não poder escolher!
    Por outro lado para agilizar a administração da vacina por toda a população é muito complicado permitir escolha pois iria com certeza atrasar e muito todo o processo.
    É quase sempre impossível de satisfazer todos!

  8. Cientistas noruegueses encontraram a ligação da vacina da AstraZeneca com as mortes por trombose verificadas. Não cito, porque está em inglês.

    Assim sendo, a única resposta possível é parar com o uso desta vacina e substituí-la por outras existentes, nomeadamente as vacinas russas e chinesas que não têm estes efeitos secundários. Mas em Portugal é assim: “Ou tomas esta porcaria ou não tomas nenhuma vacina. E se morreres, paciência, que é só uma anomalia estatística.”

    • Outra correção para adicionar á do sr Osório: “Ou tomas esta porcaria ou não tomas nenhuma vacina”. Não! Se não queres tomar esta, paciência… Terás de esperar uma próxima oportunidade (que poderá demorar). Eu sei… Não é justo. Mas também é verdade que, não havendo muitas, é necessário racioná-las, por isso não é possível, para já, escolher qual quer.

      Nota: Mas, não deixa de ser curioso que ninguém pensa na vacina da Johnson & Johnson. Esta vacina tem cerca de 60% de eficácia contrapondo com mais de 90% das outras! E, então, quando o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo diz: “porque as vacinas aprovadas são igualmente boas e seguras”? Talvez até sejam seguras (?) mas igualmente boas? Será que o homem chumbou a matemática?

  9. Esta conversa toda tem sido das mais incríveis que se pode imaginar. Todos os medicamento, repito TODOS os medicamentos, têm efeitos secundários. Por exemplo, há dias falaram na pílula anticoncetiva que provoca efeitos adversos numa percentagem muito maior do que os desta vacina. É por isso que a pararam? Um simples antinflamatório, como comprimidos para as dores, pode provocar hemorragias externas ou, muito mais grave, internas. Pararam com eles por isso?

    O problema é que alguém teve conhecimento desses casos e logo os espalhou porque adoram levantar questões, começando por alguns jornalistas que são os piores nesse aspeto! Descobrem algo de errado, ou aparentemente errado, e logo fazem uma conversa enorme de volta disso levantando problemas ou que não existem ou que são insignificantes.

    É claro que isto não contenta os que tiveram problemas graves. Mas então a solução é parar com a vacina, sendo os problemas resultantes da paragem bastante maiores? Não me parece! Não vou comprar mais facas para minha casa porque já houve mortes associadas ao uso de facas. Não vou mais andar de carro porque as mortes associadas ao uso dos carros são constantes e diárias. Não vou mais dormir na cama porque as mortes na cama são constantes. É muito perigoso viver porque estamos em perigo constante de morrer. Tomem juízo!

    Se me perguntar se vou levar a vacina, a resposta é óbvia, é claro que vou quando chegar a minha vez!

    • O problema da Astrazeneca não são os efeitos secundários como o senhor explicou muito bem. O problema é outro: a sua baixa eficácia, como deve saber… Já agora qual o preço por unidade relativamente às outras marcas? O Governo nunca se mostrou disponível para vacinar os professores e funcionários das escolas; agora até os ameaça se eles recusarem levar com a AstraZeneca. Porque será?

  10. Nunca tomei a vacina da gripe. E Já há uns anos que não me gripo…Qual a receita? A devida prevenção…

    E esta? O tempo o dirá! De qualquer modo, para já, vou utilizar a mesma receita da gripe: PREVENÇÃO! PREVENÇÂO e MAIS PREVENÇÂO…

    • Exato! Confinamento, confinamento e mais confinamento, não aproximar das pessoas, não há abraços nem beijos, afastamento constante de todos, pelo menos um metro e meio. Máscaras sempre que sair à rua, lavagem das mãos com frequência e tudo o resto a que se assiste e se faz agora. Viver assim até ao fim da vida. Será a melhor maneira?

      Eu também nunca levei a vacina da gripe. Por vezes tenho gripe, talvez uma vez por ano, que cura e passa eventualmente com algum medicamento anti-gripe. Mas parece-me que a Covid não é assim tão simples!

      De qualquer modo, Lena, desejo-lhe boa sorte!

  11. Para começar os governos deveriam cancelar a vacina da Astrazeneca e exigir a devolução do dinheiro por incumprimento, haja coragem.
    E basta de mentiras! Já morreram pelo menos duas pesoas em Portugal, uma vizinha que estava bem e tomou a vacina, e uma enfermeira que morreu e foi noticiada com não tendo a ver com a vacina.Basta de mentiras e haja coragem.

  12. Os militares são vacinados com a AstraZeneca? O problema da AstraZeneca não são os efeitos secundários… O problema é sua baixa eficácia em que pouco adianta tomá-la! O Governo comprou grandes quantidades desta vacina, agora tem de a despachar…

  13. No tempo do Salazar tínhamos a ditadura porque este tentava impedir a todo o custo que cá chegasse a de Moscovo, agora vivemos em “democracia” e a ditadura já chegou ao sistema de saúde! Estou cada vez mais confuso, já não sei quais são os maiores ditadores! Entretanto, existem outras vacinas para além das que nos impõem ou oferecem como cada um queira interpretar a situação, mas não abrem caminho a mais nada apesar de as vacinações estarem atrasadas, porque será?

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