Reacção em cadeia: Irlanda e Escócia já falam em referendo, Espanha quer Gibraltar

SammCox / Flickr

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O voto dos britânicos a favor do Brexit esteve longe de ser unânime: Ingleses e galeses querem sair, escoceses, irlandeses e gibraltinos preferiam ficar. E no seio da União Europeia, surgem as primeiras vozes a pedir referendos.

De acordo com dados do Telegraph, o Reino Unido dividiu-se: o ‘brexit’ venceu na Inglaterra, com 53,2%, e no País do Gales, com 51,7%, enquanto que na Escócia (62%) e na Irlanda do Norte (55,7%) a maioria votou a favor da permanência no bloco.

No enclave britânico de Gibraltar, uma península de sete quilómetros quadrados no sul de Espanha, 92% dos eleitores escolheram a permanência na União Europeia.

Na sequência dos resultados do referendo, a Espanha propôs já a soberania partilhada com o Reino Unido do enclave britânico, que assim continuaria a ter acesso ao mercado único da União Europeia mesmo com o Brexit.

“A fórmula de co-soberania — para ser claro, ter a bandeira espanhola hasteada no Rochedo — está agora mais próxima do que nunca”, disse José Manuel García-Margallo, ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol.

Cedida ao Reino Unido em 1713, a soberania de Gibraltar é há décadas disputada por Madrid, que a considera como uma colónia britânica e pretende a reintegração do território em Espanha.

Saída da Irlanda do Norte e reunificação da Irlanda

Na Irlanda, primeiro-ministro irlandês Enda Kenny afirmou que a saída do Reino Unido da União Europeia, vai ter “consequências muito significativas” para a Irlanda, o Reino Unido e a UE.

A declaração foi divulgada num breve comunicado emitido após a confirmação da vitória dos partidários da saída do Reino Unido da UE no referendo britânico de quinta-feira, com 52 por cento, contra 48% a favor da permanência.

Enda Kennytem previsto presidir hoje de manhã a uma reunião de emergência do governo e falará depois à imprensa sobre os resultados do referendo.

O presidente honorário do partido republicano irlandês Sinn Fein, Declan Kearney, afirmou hoje que a vitória do “Brexit” deve ser seguida da convocatória na Irlanda do Norte de um referendo sobre a reunificação da Irlanda.

O Governo britânico perdeu qualquer mandato que tivesse para representar os interesses políticos dos norte-irlandeses”, disse o dirigente do Sinn Fein, antigo braço político do IRA, Exército Republicano Irlandês.

Na Irlanda do Norte, 55,78% dos eleitores votaram pela permanência do Reino Unido na UE, contra 44,22% que apoiaram a saída da União.

Escócia vê o seu futuro na União Europeia

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, já afirmou que a Escócia vê o seu futuro como “parte da União Europeia”.

“A Escócia vê o seu futuro como parte da UE”, afirmou a primeira-ministra, em declarações à BBC.

A Escócia votou de forma clara e decisiva para permanecer como parte da União Europeia, 62% contra 38%”, declarou Nicola Sturgeon.

Sturgeon já tinha indicado que caso o Brexit ganhasse, tal poderia precipitar um novo referendo sobre a independência da Escócia.

Há dois anos, os escoceses rejeitaram  a independência do Reino Unido por uma diferença de menos de 400 mil votos em mais de 3,6 milhões de eleitores.

A saída do Reino Unido da União Europeia ameaça ter como consequência, a prazo, a saída dos escoceses do reino e um futuro pedido de adesão da Escócia – se a União Europeia ainda existir.

ZAP / Lusa

8 COMENTÁRIOS

  1. Se Gibraltar passar a ter soberania partilhada com a Inglaterra, resta-nos voltar exigir a devolução de Olivença! Algo que de uma maneira ou de outra nos foi reconhecido em tratados, que os espanhóis convenientemente esquecem.
    Pena os nossos pulhíticos se esquecerem dessa questão.

  2. Boa ideia!
    Que Gibraltar passe para a Espanha, Olivença para Portugal, a Catalunha e o País Basco independentes, a Irlanda unificada, a Escócia livre do Reino Unido e a União Europeia com estes todos e transformada numa federação como os EUA, para nós europeus não andarmos atrapalhados com as desigualdades que sempre existem.

    • Plenamente de acordo no que toca a restituições dos territórios aos seus verdadeiros donos, nem espanhóis nem ingleses têm o direito de subjugar seja quem for quer pela força das armas ou da manipulação de ameaças politicas, o tempo do colonialismo já deveria ter cessado.

  3. Confusão? Adaptação a novas realidades. Quanto a federações sou contra, não gosto de passar de cavalo para burro. Deixar de pertencer a um Estado Soberano para pertencer a uma provinciazeca de segunda como esta Europa, versus Alemanha e outras querem? Não obrigada. Enquanto tiver voz sou sempre contra a Europa federalista. Gosto de conversar com amigos, combinar coisas em conjunto, mas gosto de estar em casa sem interferências e ordens do exterior, se é que me entendem. A minha casa é Portugal e não gosto de devassa.

  4. Pois…
    Só mesmo um palerma como o Cameron para não ver as consequências do referendo nesta altura…
    Se convenceram a Escócia a não sair do RU para ficar na UE (e agora saem da UE!), é obvio que a Escócia não vai ficar no RU!:..
    .
    Sim, Gibraltar volta para Espanha, quando Olivença voltar para Portugal, quando deixarem Ceuta e Melilla, etc ,etc..

  5. Notem o que está escrito: “Cedida ao Reino Unido em 1713, a soberania de Gibraltar é há décadas disputada por Madrid, que a considera como uma colónia britânica e pretende a reintegração do território em Espanha”.
    Ora PORTUGAL nunca cedeu o distrito de Olivença a Espanha.
    Esse distrito foi ocupado por tropas espanholas covardemente e oportunisticamente, na sequencia da designada guerra das maçãs. Tratados e convençoes internacionais, assinados por representantes Portugueses espanhois Austriacos etc etc, convencionaram confirmaram e ratificaram que TERRITORIO DISTRITO de OLIVENÇA era Territorio Portugues.
    Desde entao NUNCA entregue a soberania a Portugal, porque ESPANHA não tem caracter a cumprir seus compromissos internacionais.
    Portanto só apoiaria a entrega de Gibraltar, que Espanha cedeu a Inglaterra em 1703, SE e SÓ SE Distrito de Olivença regressasse DE PLENO à soberania Portuguesa.

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