“Rally” da PJ apanhou inspectores do Fisco a receber luvas em restaurantes

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A Polícia Judiciária fez um verdadeiro “rally-restaurantes” por Lisboa para apanhar em flagrante vários inspectores das Finanças suspeitos de corrupção. Os almoços e jantares com empresários, em que terão recebido “luvas”, são prova determinante no processo que envolve 45 arguidos.

O Ministério Público (MP) acusou, na semana passada, 45 pessoas, entre as quais 13 funcionários da Autoridade Tributária, de crimes de corrupção, falsidade informática, acesso ilegítimo, abuso de poder, tráfico de influência, fraude fiscal, falsas declarações e detenção de arma proibida.

Esta investigação, que decorreu ao longo de vários meses, levou vários inspectores da Polícia Judiciária a vigiarem e a fotografarem os funcionários do fisco suspeitos em almoços e jantares com os alegados corruptores, num “autêntico rally-restaurantes em Lisboa”, conta o Diário de Notícias.

O jornal, que teve acesso ao processo, avança que estes encontros em restaurantes constituem uma das principais provas contra os arguidos, que terão sido fotografados a receber “luvas” de empresários.

O DN cita, nomeadamente, um caso ocorrido no restaurante “A Tiraninha” em que um funcionário do Serviço de Finanças de Lisboa terá recebido um “maço de notas dobradas ao meio” de um jogador de futebol, perante o olhar atento de dois inspectores da Unidade Nacional Contra a Corrupção (UNCC) da PJ numa mesa ao lado.

Um chefe de Finanças de Alvalade, um dos principais arguidos do processo, terá também sido apanhado neste périplo da PJ por restaurantes lisboetas. Nas suas contas bancárias, os investigadores detectaram a entrada de “17 mil euros em depósitos em numerário”, de “oito mil euros noutros depósitos” e de “cinco mil euros em cheques”, realça o DN.

Outro chefe de finanças já reformado e que está acusado de 11 crimes terá igualmente, sido fotografado em vários encontros com empresários, em restaurantes, e terá ainda, sido escutado “a passar informação fiscal a alguns deles sobre empresas e pessoas com quem aqueles tinham ou poderiam fazer negócios”, sustenta o jornal.

O esquema de corrupção estaria “disseminado por vários serviços das Finanças”, avança o DN, citando o processo de acusação do MP que considera que os inspectores do fisco envolvidos tinham “uma espécie de clientes privados”.

E, em vez de atenderem os “normais contribuintes”, passavam a maior parte dos dias de trabalho “disponíveis apenas para os contribuintes eleitos “pagadores””, com a promessa de que teriam uma “resolução célere e eficaz e até abreviada e favorável das sua contendas fiscais”.

Dos autos do processo fazem ainda parte imagens de câmaras de segurança de centros comerciais, onde os arguidos se terão encontrado com os tais “clientes”.

ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Se isto fosse um país normal as coisas passar-se-iam +- assim:
    Processo disciplinar e criminal (e outros) aos inspectores;
    Pena de prisão efectiva dos “inspectores”;
    Entrega dos valores “cobrados” ao cofre do Estado penhorando os bens se já o tiverem gasto;
    Pagamento de multas;
    Despedimento;
    Processo crime aos “clientes”;
    Pagamento de multas com penhora dos bens pessoais se necessário;
    Pena de prisão efectiva.

    • “Se isto fosse um país normal” nada disso que diz acontecia porque estes srs não se atreveriam a fazer o que fizeram se tivéssemos prendidotodos os bpn, bes, offshores, marqueses, todos. porquê mão pesada com estes se utilizámos mão com luva de algodão com aqueles que roubaram à bruta.

  2. Antes de iniciar o meu comentário, desejava informar que não trabalho no setor da justiça. Por outro lado e tendo consciência das limitações económico financeiras de Portugal continuo a considerar que este é onde é mais premente investir. As ideias do Sr.PJ são, na minha opinião muito válidas porque elas sugerem uma justiça que desincentivaria futuros crimes que a notícia relata. Temos que exigir aos nossos governantes que tenham a coragem e vontade de implementar uma “revolução da justiça”, mas nunca que essa alteração incentive o surgimento de justiceiros.

    • O exemplo vem de cima porque, em cima começam-se também por limitar os meios ao dispor da Justiça para esta trabalhar, de forma a condicionar a acção da mesma.
      Também não trabalho na Justiça, mas noutra área onde lhe posso afirmar, são os governos e oposições com desculpas do orçamento do estado, que impossibilitam a contratação/existência de mais inspectores, evitando assim uma acção inspectiva e legal eficaz e célere.
      O Tribunal de Contas não tem inspectores/auditores suficientes, por isso as declarações de património dos políticos são vistas com anos de atraso (a quem interessa isso?).
      As direcções gerais que deviam fiscalizar diversos ministérios/serviços têm falta de pessoal nesta área tb.
      Até na DGAL que fiscaliza a administração local se passa o mesmo.
      RESULTADO, muitas vezes só com denúncias, senão quando (se) lá chegam já a coisa prescreveu!

  3. Viva o 25 de Abril, passem, passem, senhores da PJ, aqui em Santo Estêvão de Briteiros, GMR, vão encontrar muitos corruptos não só das finanças como da câmara de Guimarães, da GNR da Póvoa de Lanhoso e Caldas das Taipas e também da Brigada de trânsito, as visitas por aqui aos domingos de manhã, são aos pares e às mãos cheias e são sempre para o mesmo, a bem da nação.

  4. e depois falam dos offshores…..que piada….é para verem que com ou sem offshores sempre haverá corrupção, onde há o ser humano há corrupção.

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