Podemos anuncia abstenção e inviabiliza governo de Pedro Sánchez

Party of European Socialists / Flickr

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol

O Congresso dos Deputados espanhol volta a reunir-se esta quinta-feira, para a segunda votação da investidura de Pedro Sánchez.

Na quinta-feira, as negociações entre o PSOE e o Unidas Podemos falharam.  O debate regressa ao parlamento às 13h30, hora local, 12h30 em Lisboa. Pedro Sánchez terá 10 minutos para voltar a apelar ao apoio dos restantes partidos. Depois, cada um dos líderes na oposição tomará o púlpito, com intervenções que terão um tempo máximo de cinco minutos. Quando terminarem, Sánchez poderá responder a cada um deles.

Em 2016, o debate na segunda votação de investidura durou 1h50. Só depois de todos os discursos poderá ser feita a votação — provavelmente já depois das 14h, hora de Lisboa.

A coligação Unidas Podemos vai abster-se, avança o El País. A decisão foi tomada nos últimos minutos. A decisão impossibilita a investidura de Sanchéz.

Os bascos da coligação EH Bildu e os catalães da ERC anunciaram esta manhã que vão abster-se. Numa conferência de imprensa conjunta explicaram que é uma forma de evitar um governo de direita.

Nem por ação nem por omissão daremos à direita a oportunidade de chegar ao poder”, disse Mertxe Aizpurua, porta-voz da EH Bildu. Ambas as forças políticas garantem que foi sempre esse o seu compromisso. “Dissemos que não bloquearíamos, que não passaríamos cheques em branco e que não abriríamos a porta à direita”.

Na mesma conferência de imprensa em que anunciou a sua abstenção, a Esquerda Republicana Catalã apelou a um entendimento entre Pedro Sánchez e Pablo Iglesias, sublinhando que têm apenas “quatro horas para decidir o futuro da esquerda” no país. O porta-voz, Gabriel Rufián, acusou os dois líderes de serem “uns irresponsáveis”, por poderem provocar novas eleições, o que seria “negligente”.

O porta-voz da ERC dá ainda sugestões para a forma como as posições podem voltar a aproximar-se: Sánchez deve levantar o veto que impôs ao nome de Iglesias como membro do Governo, porque “foi um erro”. Já a Iglesias diz que “ter quatro ministérios é um êxito extraordinário”: “Aceite-o! Tem quatro anos para mostrar que são melhores”.

“Se não chegam a acordo, significará a morte política do senhor Iglesias e do senhor Sánchez. Pedimos-lhes responsabilidade. Façam o favor de sentar-se à mesa de negociações. Recusamos aceitar que fracassou”, disse Rúfian.

Também Joan Baldoví fez saber que o Compromís vai abster-se na votação. O partido admitia um voto a favor, mas diz que não poderá fazê-lo porque o PSOE não quis negociar. “Estão a fazer pouco para somar outros votos”, disse Baldoví, em declarações à TVE.

Podemos fez nova proposta, mas PSOE recusou

O Podemos enviou, esta manhã, ao PSOE uma nova proposta na tentativa de desbloquear o impasse que se vive para a formação de governo. Na quarta-feira, fontes do Unidas Podemos já tinham afirmado ao jornal espanhol El País que não pretendiam “entrar no Governo a qualquer preço”, mas sim ter influência real nas áreas sociais.

Além da vice-presidência dos Direitos Sociais e Igualdade, Iglesias pede agora o Ministério da Saúde e Consumo, do Trabalho e da Ciência e Universidades.

Mas a resposta foi muito rápida. A PSOE recusou a proposta de última hora apresentada pelo Unidas Podemos, avança o El País, que cita fontes socialistas. “Recordamos que não há pastas de primeira nem de segunda categoria. Todos os ministérios contribuem para melhorar a vida dos cidadãos e formam parte do Conselho de Ministros de Espanha”.

O PSOE mantém, assim, a última proposta que apresentou — e que foi recusada pelo Unidas Podemos.

PSOE e Unidas Podemos têm até às 14h30 (13h30 de Lisboa) para tentar chegar a um acordo de última hora que permita o primeiro executivo de coligação em Espanha desde a Guerra Civil de 1936-1939. “Não tenho muitas esperanças, mas é verdade que temos até ao fim da manhã”, disse o chefe das negociações do Unidas Podemos, depois de acusar, mais uma vez, os socialistas de terem “rompido” as negociações.

Por seu lado, a vice-primeira-ministra, Carmen Calvo, que negocia em nome dos socialistas acusou a extrema-esquerda de querer fazer a gestão de “mais do que metade do Orçamento” Geral do Estado”, o que, segundo ela, é “absolutamente irrealista”.

O parlamento espanhol chumbou na terça-feira, numa primeira votação, a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro por 170 votos contra, 124 a favor e 52 abstenções. Na segunda volta que tem lugar esta quinta-feira apenas vai precisar de ter mais votos a favor do que contra (maioria simples), com o sucesso das negociações com a extrema-esquerda a ser essencial para a sua investidura.

A votação de terça-feira iniciou um período de dois meses (até 23 de setembro) em que ainda é possível formar um novo executivo, antes da dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições, que se realizariam a 10 de novembro. Se isso acontecer, seria a quarta vez em quatro anos que os espanhóis seriam chamados a votar para o parlamento.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Sanchez lá pensava que, como os ultra esquerdas de Portugal, conseguia o voto do Podemos pela oferta de alguns rebuçados.

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