PS nacional impõe filho de dinossauro do PSD como candidato à Maia. “Inexplicável e duvidoso”

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Mário Cruz / Lusa

O secretário-geral do Partido Socialista e atual primeiro-ministro, António Costa, com o presidente do PS, Carlos César

Alguns dias depois da polémica com a escolha do candidato do PS à Câmara do Porto devido a divergências internas, há mais um caso semelhante na Maia. Teresa Almadanim retirou-se da corrida depois de ter sido escolhida pela concelhia, mas o PS nacional escolheu Francisco Vieira de Carvalho.

Francisco Vieira de Carvalho, filho de José Vieira de Carvalho, histórico autarca do PSD, volta a ser o candidato do PS à Câmara da Maia. Será a sua terceira tentativa de chegar à presidência da autarquia depois de ter falhado esse objectivo nas duas anteriores eleições.

O nome de Vieira de Carvalho foi anunciado pela distrital do Porto depois de Teresa Almadanim se ter retirado da corrida após ter sido informada de que o PS nacional não confirmou o seu nome como cabeça de lista.

Teresa Almadanim tinha sido escolhida “pelo Presidente da Concelhia, por unanimidade dos Membros do Secretariado Concelhio, pela maioria dos membros da Comissão Política Concelhia, por cinco das seis secções do PS Maia, pela Juventude Socialista e pelo único Presidente de Junta eleito no concelho”, como aponta um comunicado do PS da Maia.

Contudo, o PS nacional assumiu o processo e decidiu avançar com o nome de Francisco Vieira de Carvalho “contra a vontade da concelhia e da distrital”, como sustenta a estrutura do partido local em comunicado citado pelo Notícias da Maia.

“Práticas de autocracia interna”

O líder da Comissão Política concelhia, Paulo Rocha, considera, em declarações ao Expresso, que a decisão da Comissão Permanente do PS revela “falta de conhecimento da realidade local” e vai contra a “matriz de valores e princípios do PS, indo atrás de soluções de facilitismo básico“.

Além disso, vai ao encontro de “práticas de autocracia interna”, frisa ainda Paulo Rocha.

No anúncio de Vieira de Carvalho como candidato, a distrital do PS justifica a escolha com o facto de ele ter conseguido 36,6% dos votos nas últimas autárquicas, “ficando a 3%” do candidato vencedor, António Silva Tiago que liderou a coligação PSD/CDS-PP.

Silva Tiago conseguiu seis mandatos contra cinco mandatos de Vieira de Carvalho.

Para Paulo Rocha, é evidente que a candidatura de Francisco Vieira de Carvalho “estagnou ou até poderá regredir“, pois diz que, “em vez de ter feito oposição política credível” como vereador, preferiu “fazer marcação à Câmara da Maia com processos judiciais”, por alegadas dívidas fiscais de uma empresa municipal, tendo perdido todos em tribunal, como nota ao Expresso.

Além disso, causa algum desconforto o processo movido por Francisco Vieira de Carvalho contra a construtora Lúcios, exigindo o pagamento de 361 mil euros relativos a alegadas comissões a que diz ter direito em negócios.

O Jornal de Notícias reportou que a empresa Yorkdream, detida pelo candidato do PS, assinou um acordo de colaboração com a Lúcios para ajudar a angariar projectos junto de entidades públicas e privadas.

Francisco Vieira de Carvalho perdeu o processo no Tribunal Cível do Porto que o obrigou a devolver 3 mil euros à construtora e qualificou a sua acção de lóbi como estando “próxima do tráfico de influências“.

“Decisão inexplicável e duvidosa”

Paulo Rocha faz ainda uma comparação da realidade na Maia com o que aconteceu no Porto, lembrando que o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, disse, a propósito da candidatura do PS à Câmara da Invicta, que o partido “respeitava” as decisões das bases.

É estranho que, num espaço de poucos dias, o mesmo protagonista mude de ideias e avoque o processo na Maia”, salienta o líder da Concelhia citado pelo Expresso.

“Queremos acreditar que não há coincidências, mas os dois pesos e as duas medidas adoptadas pelo secretário-geral adjunto nestes dois processos deixam-nos, no mínimo, a reflectir”, aponta um comunicado da concelhia divulgado pelo Notícias da Maia.

“Esta decisão, inexplicável, duvidosa quanto aos seus objectivos, decidida por menos elementos do que aqueles que na concelhia votaram a designação da cidadã Teresa Almadanim” pode “pôr em causa um projecto verdadeiramente socialista, um projecto vencedor, reconhecido pela sociedade maiata que, ao longo dos últimos meses, foi apoiando de forma entusiástica a candidata” como “uma aposta vencedora e rejuvenescedora para o concelho da Maia”, salienta o mesmo comunicado.

Teresa Almadanim retirou-se “por respeito”

Teresa Almadanim anunciou a retirada da sua candidatura depois de ter tido “conhecimento pelo presidente da Concelhia da Maia” de que o seu nome “não foi confirmado” pelas estruturas nacionais do PS.

“Esta é uma tomada de posição pessoal, mas feita de acordo com o que decidiu a nacional do PS”, apontou, realçando que decidiu afastar-se “de imediato”, quer “pelo respeito pelas estruturas dirigentes Concelhia e Distrital”, quer “pelo respeito que merecem os militantes e simpatizantes” que a apoiaram nos últimos tempos.

A professora universitária referiu ainda que tem o “dever de respeitar” as suas próprias “integridade e moral”.

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Além disso, frisou que “coloca à frente de qualquer polémica os interesses dos maiatos e da Maia”.

A candidatura de Teresa Almadanim, de 50 anos, que é, actualmente, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Paraguai-Portugal, foi anunciada em Maio passado.

Até ao momento, são conhecidas as candidaturas à Câmara da Maia do actual presidente, António Silva Tiago (PSD/CDS-PP), do jornalista Alfredo Maia (CDU), do mediador de seguros Silvestre Pereira (Bloco de Esquerda) e do empresário André Pedro Almeida (Chega).

A escolha dos candidatos autárquicos tem dado pano para mangas, não apenas no PS, e já houve 12 desistências. No caso do PS, cinco candidatos abandonaram a corrida.

  ZAP // Lusa

1 Comment

  1. A política não parece ser coisa séria, mas apenas um tacho muito desejável onde tudo vale para o obter! Quanto mais avançamos, mais descrentes ficamos acerca de políticos!

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