Primeiras doses só chegam para 25% dos profissionais. Privados não sabem quando se podem vacinar

Giuseppe Lami / EPA

Os cinco centros hospitalares escolhidos para a primeira fase de vacinação em Portugal querem vacinar o máximo de profissionais de saúde já este domingo. No entanto, as primeiras doses só chegam para 25%.

De acordo com o semanário Expresso, o objetivo seria começar a vacinar no domingo médicos, enfermeiros, assistentes técnicos e operacionais, mas as primeiras 9.750 doses não são suficientes para todos.

“Cada hospital tem um teto definido de cerca de 25% do total de elementos”, disse Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, em declarações ao semanário. “Foi perguntado quem queria ser vacinado no domingo e na segunda-feira e a adesão foi esmagadora, pelo que vão ter de existir prioridades. A urgência e as enfermarias covid estão na primeira linha, mas não só.”

Porém, para Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, as prio­ridades deviam ser outras. “A maioria dos profissionais infetados não está nos Cuidados Intensivos, por exemplo, porque está muito bem protegida. Está noutros serviços. No Hospital de São João, onde trabalho, metade dos meus colegas da urologia foi infetada”, disse o bastonário ao Expresso.

O responsável defende que os primeiros a ser vacinados deviam ser os profissionais de saúde mais velhos e com doenças de risco – e não só os que estão na linha da frente.

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, confirmou que, na reunião da task force que coordena a vacinação, não foram apresentados critérios para prio­rizar os profissionais a vacinar, tendo apenas sido referidas as áreas mais sensíveis.

Segundo o bastonário Miguel Pavão, entre os médicos dentistas, a ordem do setor definiu que os primeiros a ser inoculados são os que têm mais de 50 anos e que fazem parte de grupos de risco.

Além disso, os cerca de 200 que trabalham no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não terão prioridade em relação aos do privado.

Alexandre Lourenço sublinhou ainda a necessidade de dar prio­ridade aos cuidados primários. “Faz sentido abrir aos centros de saúde, desde logo vacinando os profissionais das áreas dedicadas à covid, porque há graves problemas de acesso. A estratégia de vacinação não pode ser só para proteger, tem de ser também para reabilitar o sistema de saúde”, alertou.

Privado não sabe quando pode vacinar profissionais

O Expresso adianta ainda que os cerca de 15 mil profissionais de saúde que trabalham no setor privado não têm informação sobre a sua inclusão nos beneficiários da vacina.

Esta omissão foi criticada assim que foi apresentada a estratégia nacio­nal para a administração da vacina através de uma carta enviada no dia 10 de dezembro pelo Conselho Estratégico Nacional da Saúde da Confederação Empresarial de Portugal ao primeiro-ministro, com conhecimento da ministra da Saúde e do coor­denador da task force para a vacinação – e continua sem resposta.

A missiva questiona ainda o Governo sobre a vacinação dos doentes de risco internados nos hospitais privados a pedido do SNS.

“Estamos preocupados, porque as unidades privadas não foram incluídas na vacinação contra a gripe e tememos que essa volte a ser a intenção para a vacina contra a pandemia”, disse Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, ao Expresso.

Segundo o semanário, há hospitais privados com protocolos com o Estado para receber doentes que, até agora, não foram contactados para incluir os respetivos profissionais de saúde no plano de vacinação.

Além dos hospitais, também os laboratórios privados que manuseiem amostras respiratórias para o diagnóstico, cujos profissionais são prioritários, ainda “aguardam instruções” sobre os critérios a definir para saber quem vacinar primeiro.

Maria Campos, ZAP //

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