Prédio Coutinho já está a ser demolido. Ministro critica os 9 moradores que resistem

Abel F.Dantas / ZAP

Os trabalhos de demolição do Edifício Jardim, conhecido como prédio Coutinho, em Viana do Castelo, já começaram. No interior, há ainda nove moradores.

A Sociedade VianaPolis iniciou pouco depois das 08h30 desta sexta-feira os trabalhos de desconstrução das frações desocupadas no prédio Coutinho, em Viana do Castelo, sendo que no interior do edifício permanecem nove moradores, que se recusam a entregar seis habitações.

Segundo fonte da VianaPolis, uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi acionada para prestar auxílio a um dos moradores do 5.º andar, que não se sentiu bem.



No exterior do prédio, onde a policia alargou desde quinta-feira o perímetro de segurança, conseguem-se ouvir as marteladas que vêm do interior do edifício, composto por um total de 105 frações.

O prazo para os moradores abandonarem as suas casas terminou na segunda-feira, mas vários ainda se recusam a entregar as chaves do seu apartamento. Os habitantes estão a viver há quatro dias sem água e há três dias sem gás, depois de ter sido dada a ordem para o corte. Na quarta-feira, um médico visitou os moradores, a pedido do advogado, e alertou para existência de um “problema de saúde pública” no prédio.

A sociedade impediu ainda a “entrada de qualquer pessoa não autorizada pela VianaPolis no edifício”, apesar de ter garantido a “saída livre e sem qualquer restrição de pessoas e bens”.

Na quinta-feira, a VianaPolis anunciou que os trabalhos de demolição do prédio iriam começar a qualquer momento. Agora, o edifício encontra-se cercado pela polícia e por seguranças.

Ao Observador, Fernanda Rocha, moradora do 2.º andar do prédio, garante que não vai abandonar o edifício. “Olhe, não saímos porque estamos à espera da resposta do tribunal. Estou com o meu marido. Vivemos aqui desde que o prédio foi feito, há quarenta e tal anos. Paguei 1.100 contos pelo apartamento. Não, não vou sair.”

Entretanto, por volta das 16 horas, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, entrou no prédio Coutinho. No entanto, não prestou quaisquer declarações aos jornalistas no local.

Segundo a jornalista Joana Ascensão, do Observador, os advogados dos moradores, Francisco Vellozo Ferreira e Magalhães Sant’Ana, temem que possa ser executada uma ação de despejo forçado.

O Edifício Jardim, localmente conhecido como prédio Coutinho, tem desconstrução prevista desde 2000, ao abrigo do programa Polis, mas a batalha judicial iniciada pelos moradores travou aquele projeto iniciado quando era António Guterres primeiro-ministro e José Sócrates ministro do Ambiente.

Para o local onde está instalado o edifício está prevista a construção do novo mercado municipal da cidade.

“Os abusados somos mesmo nós, os poderes públicos”

O Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes, quebrou o silêncio sobre o Prédio Coutinho. Abordado pelos jornalistas, o governante sublinhou que “este é um processo com 19 anos”, e que na altura se traçou um plano de pormenor onde se decidiram “duas coisas importantes que vale a pena recordar”.

“O antigo mercado já tinha as condições que devia ter e era necessário fazer um novo e o Prédio Coutinho era, num cidade tão bonita como Viana do Castelo, um abcesso urbano que não fazia qualquer sentido”, sustentou.

O Ministro do Ambiente garantiu ainda que a VianaPólis procedeu à construção de “dois prédios em Viana do Castelo, de belíssima arquitetura e harmonia com aquilo que é o próprio centro histórico”, de forma a que os habitantes pudessem ser realojados.

“Estamos a falar de cerca de 100 frações e aproximadamente 100 famílias fizeram uma de três opções: localizar-se num prédio novo com melhores condições de habitabilidade que o Prédio Coutinho; optar pela vista de mar, e por isso mudaram-se para a Marina; e outras optaram por uma indemnização”, afirmou, citado pelo Jornal Económico.

Contudo, Matos Fernandes sustentou que “aqui os abusados somos mesmo nós, os poderes públicos”, embora as pessoas saibam há 19 anos “que têm de sair de lá. Intentaram, num estado de direito, como é normal, um conjunto de ações em tribunal e perderam todas”.

As pessoas não podem estar ali, o prédio é um edifício público e foi expropriado e tem de começar a ser desconstruído”, afirmou. “Os poderes públicos não podem deixar de defender o interesse público”, revelou Matos Fernandes, sublinhando que além de os habitantes que permanecem no prédio correrem o risco de estar a cometer um crime, “têm mesmo de sair dali, porque o interesse público tem de prevalecer”.

O Ministro do Ambiente realçou ainda que “há 19 anos que estamos a faltar à palavra acordada com os comerciantes”, uma vez que estes viram o mercado onde trabalhavam ser demolido, perante a promessa que um mercado naquele novo local.

O ministro voltou a apelar aos habitantes para saírem, porque “as garantias ainda estão de pé”. O ministro reiterou ainda que a indemnização, fixada em 1,9 milhões de euros, continua disponível para levantamento.

Advogado acusa VianaPolis de “abuso de poder”

O advogado dos últimos nove moradores no prédio Coutinho acusou a Sociedade VianaPolis de “abuso de poder” e garantiu que a sociedade será “responsabilizada criminalmente” pelos danos que causados àquelas pessoas. Magalhães Sant’Ana referia-se à interrupção do fornecimento de eletricidade ao edifício Jardim.

“É uma situação perfeitamente aberrante. Estamos perante uma situação de abuso de poder, cometido pelos decisores da VianaPolis, e um atentado ao Estado de direito democrático. Responsabilizaremos criminalmente a VianaPolis por tudo o que acontecer e que possa provocar danos aos nossos constituintes”, afirmou, citado pela Renascença.

Questionado sobre a participação que a VianaPolis anunciou à Ordem dos Advogados, por incumprimento da conduta profissional e deontológica, disse “não ter fundamento rigorosamente nenhum”.

“Não dou qualquer importância a isso. A VianaPolis é livre de apresentar as queixas que quiser, que nós cá estaremos depois para responder. Estamos a exercer o nosso trabalho com todo o zelo e todo o empenho no interesse das pessoas e é o que continuaremos a fazer”, argumentou.

ZAP // Lusa

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29 COMENTÁRIOS

  1. … existe muito interesse em demolir o que é dos outros. Portugal um dos países mais corruptos da UE, e é nestes atos que vemos estes casos não no imediato .

  2. Pois sim Sr Ministro (do cão…).
    Interesse de quem? Público? Diga lá outra vez.
    E onde está que permitiu a sua construção?
    Isso é que me interessave mesmo, mesmo saber…

    • O prédio foi construído ainda no Estado Novo! Era bom que estudassem um bocadinho do assunto antes de mandar postas de pescada!

      • E era para ter sido demolido logo em 1975 e depois só metade, mas alguns “interesses” (que não o interesse público), conseguiu adiar isso até agora!…

      • E como foi feito antes do estado novo já nem há discussão… Vamos lá deitar abaixo tudo o que foi feito antes do estado novo. É que a seguir a 74 mudaram todos os arquitetos e engenheiros e todas as decisões foram radicalmente diferentes e melhores…

        • Pois, realmente “não há discussão”!…
          Começou a falar-se demolir o prédio em 1975 e estamos em 2019!…
          É, se calhar, 44 anos ainda é pouco tempo para “discussões”…
          Enfim…

          • Se calhar um diferendo de 44 anos mostra que o interesse público não é tão evidente assim. Ainda mais se ó 24 anos depois é que avançam com o processo.
            Mas gosto da sua arte de defletir e fugir à argumentação. É uma técnica muito utilizada por quem pretende manipular os outros.

  3. Os moradores que resistem devem ter visto o filme “O Milagre da Rua 8” (*batteries not included) e devem estar de certeza à espera que cheguem os ETzinhos.

    “Vocês têm que sair daqui, conforme já o sabem há 19 anos.”
    “Não, não vamos sair. Recusamo-nos a sair e se acontecer alguma coisa de mal a culpa não é nossa por termos desobedecido à lei. É vossa porque nos tiraram as condições para aqui vivermos.”
    “Mas vocês têm outra casa melhor que esta à disposição.”
    “Não quero saber disso. Não saímos daqui e acabou a conversa.”

    • É, eles sabem muito…
      E claro que depois há palermas que nada sabem sobre o caso e que, ao ver certas “noticias”, ficam a pensar que os tais “moradores” são uns pobres coitadinhos!…

  4. O Ministro neste caso, tem razão. Claro que por questões de clubismo ideológico (uma paixão de ofusca a razão), há sempre pessoas que nunca vão dar razão a um ministro que seja do clube oposto. Mas qualquer pessoa com dois dedos de testa vê que o Estado mais do que compensou as pessoas. Deu-lhes casas novas, melhores, maiores e mais modernas, com ou sem vista para o mar e deu ainda opção de indemnização. Esqueceu-se foi de dizer que também lavava o rabinho destes casmurros com água de rosas.

    Existe um interesse de saúde pública em mudar o mercado para ali (para quem se interroga sobre qual o interesse público em causa). Além disso o prédio é horroroso e um aborto paisagístico. Enfim… Nem vale a pena gastar o meu latim porque já se sabe como isto vai acabar: uma daquelas peixeiradas de faca e alguidar à moda do Bolhão, com a polícia a arrastar aquela malta dali pra fora aos berros. Não havia necessidade…

    • Não precisam de dar razão ao ministro: são quase 20 anos com TODAS as sentenças a dar razão a VianaPolis!!
      Toda a gente de Viana e arredores sabe o que se passa ali: ganância de alguns “moradores” (alguns nem lá moravam!!), querem mamar o mais possível, quando já lhes deram MUITO mais do que os apartamentos valem!…

          • Da notícia, 1.900.000 € de indemnização para mais de 100 fogos. Em média dá 19.000€. À data de hoje, 19.000€ por um qualquer apartamento não paga o realojamento.
            Não deve ter casa própria ou então é muito hipócrita e cínico.

            • Tu estás a brincar ou és mesmo assim tão lerdo?!
              Vê se acordas para a vida ou então aceita as tuas limitações evita escrever disparates!!
              Será assim tão dificil fazer uma pesquisa em vez de começares logo a inventar numeros?!
              Enfim…
              “A VianaPolis oferece-me 200 mil euros pelo apartamento. Hoje, para comprar um apartamento destes, nessa zona da cidade, são precisos cerca 400 mil euros. O que é que vou comprar com 200 mil euros? Têm que nos pagar o verdadeiro valor dos apartamentos e não querem. Se pagassem mais ou menos o que estou a pedir, entre 350 a 380 mil euros, até saía”, disse à Lusa Francisco Joaquim da Rocha.
              tsf.pt/portugal/sociedade/interior/amp/o-adeus-ao-predio-coutinho-moradores-prometem-luta-ate-ao-ultimo-momento-11038882.html

    • Vê-se que não conhecem a qualidade destes apartamentos, nem a fraca qualidade dos apartamentos que construíram para os alojar. Deviam tirar uma foto a esses prédios “novos” e colocar ao lado da deste prédio, com mais de 40 anos, e quase 20, sem manutenção. Os prédios “novos” estão com um aspeto deplorável. Aliás já foram construídos fracotes, para espezinhar as pessoas que moravam no Edifício Jardim, e de quem tanta inveja havia.
      Quem autorizou deitar o EDIFÍCIO JARDIM abaixo, devia ficar sem teto, também, a ver se gostava.
      Há tantas ABERRAÇÕES no nosso país, e continuam.
      Enfim, a INVEJA é tudo o que explica deitar abaixo um prédio destes, e deitar fora estes milhões todos, quando há tanta casa, no nosso país, sem SANEAMENTO BÁSICO !!!!

      E estamos numa democracia, governada por Socialistas!!!

  5. Cortar a água e o gás??? Não deixar familiares dos moradores???? Mesmo havendo um processo legal em curso o ministro vem dar a ámen à actuação da VianaPolis (que tem a lata de denunciar um advogado qque os seus constituintes à Ordem????)
    Mas, neste país já vale tudo, independentemente do edifício ser uma aberração que alguém, nalgum momento, e há muitos anos aprovou?
    Se isto estivesse a acontecer com a sede de recolha de gatos ou cães ou qualquer outro animal já PAN andava aos saltos, como é com pessoas…

    • Mas qual “processo legal” em curso?!
      Se não sabes NADA sobre o caso, porque escreves disparates?!
      O prédio é propriedade da VianaPolis e os “moradores” estão lá auto-sequestrados ilegalmente!!
      E já estão a abusar da sorte!…

  6. Eu….., se fossem teus familiares ou a tua casa, certamente que não estavas a portar-te como um galo capão.
    A Câmara e a VianaPolis, não conseguiram arranjar mais nenhum local para construir o Mercado, vamos esperar para ver essa Obra.

    • Quem me dera!!
      Mas tu não sabes nada…
      Há mais de 20 anos muitos “moradores” compraram apartamentos (e nem lá moravam) propositadamente para depois receberem umas boas massas com a demolição!…
      O problema não é o mercado; é mesmo o prédio…

  7. Considero os actuais moradores deste prédio uns heróis, no fundo estao a defender os interesses de nos todos.
    O liberalismo hoje em dia nao me perece ao de há 40 anos atrás, no fundo o movimento para a verdadeira liberdade que sentimos na altura do 25 de Abril. A grande diferença passou a ser que os liberais de hoje nao percebem que estao a perder a liberdade que os antigos liberais conseguiram conquistar. Essa atitude que tudo será permitido parece-me muito limitada.
    Esta situação certamente de partiu de pessoas com digamos inveja ou algo parecido por alguém tem tao bonita vista. O prédio nao esta a gerar prejuízo pessoal para mais ninguem a nao ser para os moradores pelo o que me apercebi.
    Pensamento do liberal moderno será que prefere ver local mais natural, sentimento desligado do sofrimento que pode causar de modo como se fosse para castigar. Sim verdade, tenho reparado que estao muito egocêntricos, o que podemos imaginar se nao houver amparo o que vai acontecer aos filhos destes.
    No entanto o grande problema do liberalismo estao no jornalismo, ou melhor a forma que o jornalismo esta a ser praticado. Esses liberais, com o ego muitas vezes na ponta da garganta, andam a entregar ao outros a sua maneira de pensar, por vezes na verdade escrevem muito bem tendo uma recepção calorosa aprofundando o liberalismo dos leitores para para um mau balanço.
    O liberalismo em excesso cria o efeito contrario.
    No meu ver o liberalismo será a luta pela liberdade, mas quando nao se ve que se esta a abusar da liberdade a perda poderá ser a única maneira de haver noção. Nao gostaria que isso acontecesse, por isso se me derem a opção em me intitular de liberal ou conservador, nao tenho problemas nenhuma em escolher conservador, na verdade esta na maneira de pensar. A democracia esta mal interpretada se os políticos pensam que da direito a tirar a casa as pessoas. Sim, houve muitas situacoes, muito mais drásticas que esta, no entanto será esta que temos entre maos de momento. As pessoas pagaram para alem de agirem em boa fe na comunidade, pelo que aparentam contavam viver os momentos que anteciparam no conforto que emocionalmente sentem como lar, tem direito a ter lugar a isso, nem sequer fizeram nada do que saibamos que mereçam ser escorraçados.
    Situação semelhante houve na Costa da Caparica, olhamos para as grandes ideias liberais, apetece dizer parabens, agora consegue-se ver a areais onde antes haviam lares, lares das pessoas da terra, das pessoas ligadas ao mar, que sofereram um corte drástico na forma de vida a que estavam habituados. Agora o que temos nao tem muito haver com o que tínhamos, a vida da Costa onde ate nas noites de Inverno prosperava hoje em dia nem nos dias de fim de semana de verao se compara. Liberalismo que da direito a tirar a casa as pessoas, pois eu nao lutarei por este chamado liberalismo que de liberdade só vejo ter restado o nome.

    • Hahahaaaaa!… isso é que é falar sem dizer nada!!
      É preciso “coragem” para escrever tantos disparates acerca de um caso sobre o qual, claramente, sabes ZERO!
      Viana não é a Costa e já na altura do 25 de Abril o prédio era para ir abaixo.

  8. Não é ético nem decente expropriar pessoas das suas casas por causa da estética do prédio onde vivem. Jamais poderá ser ético ou decente colocar a estética antes e acima das pessoas, da sua saúde e do seu bem estar.
    Além disso, a destruição dum valioso património em bom estado de conservação como é o Prédio Coutinho, por causa da sua estética, é chocante e inaceitável num país com tantas carências. 
    https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Coutinho

  9. Não é ético nem decente expropriar pessoas das suas casas por causa da estética do prédio onde vivem. Jamais poderá ser ético ou decente colocar a estética antes e acima das pessoas, da sua saúde e do seu bem estar.
    Além disso, a destruição dum valioso património em bom estado de conservação como é o Prédio Coutinho, por causa da sua estética, é chocante e inaceitável num país com tantas carências.
    https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Coutinho

  10. Cada um sabe de si…. Eu questiono: será que todos os moradores que já sairam do prédio estão todos errados?
    Quais os verdadeiros motivos que prendem os resistentes às suas casas?
    Já agora gostaria de saber melhor o que realmente se passa. ..

  11. Este ‘eu’ pelos vistos é o único que sabe do assunto. Pacóvio idiota, também querias chuchar e ficaste a ver navios. E agora atacas os outros….

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