Praias vão ter lotação máxima com fuzileiros a vigiar e torniquetes à entrada

hoomygumb / Flickr

Praia do Tamariz, Estoril

Está a ser preparado um manual para o regresso das pessoas às praias, a partir do momento em que se comecem a aliviar as medidas de confinamento, e é certo que a entrada dos banhistas vai ser controlada. A Polícia Marítima deverá contar com o apoio dos fuzileiros da Marinha na supervisão das regras e poderá haver torniquetes à entrada para impedir o excesso de pessoas.

O regresso ao novo normal está a ser preparado em diversos sectores da sociedade e da economia portuguesa. E quando se aproxima o Verão, a forma como se vai controlar o regresso das pessoas às praias está a preocupar as autoridades, fruto dos desafios que oferece.

A coordenadora nacional do programa Bandeira Azul da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), Catarina Gonçalves, avança, desde já, em entrevista à Rádio Observador, que as praias vão ter uma lotação máxima, salientando que as pessoas terão que cumprir as normas da Direcção-Geral da Saúde (DGS) quanto ao distanciamento social.

O uso de máscaras pelos banhistas “vai ter de ser regulamentado”, refere ainda a responsável, notando que deverá ser obrigatório no âmbito da frequência de restaurantes e bares de praia.

As autoridades estão ainda a discutir como será feito o controlo das pessoas às praias. Em cima da mesa está a analisar-se a possibilidade de “colocação de torniquetes” à entrada para contar o número de pessoas no areal, impondo uma lotação máxima, como apurou o Correio da Manhã (CM) junto de fonte conhecedora do processo.

O CM acrescenta que GNR, PSP e Polícia Municipal também deverão controlar os acessos dos carros às praias, com o bloqueio de estradas e/ou de estacionamentos, bem como com o controlo dos transportes públicos, designadamente comboios e autocarros, que são usados por muitas pessoas para se deslocarem às zonas balneares.

A situação pode colocar diversos constrangimentos a quem quer deslocar-se à praia, bem como às autoridades, não sendo de fácil controlo, como admite a fonte referida ao CM.

“Podemos estabelecer um número máximo de pessoas em determinada praia, calculando pela sua área segura [longe das arribas e acima da maré alta]. Mas e se as pessoas, como costume no Algarve, nadarem de uma praia para outra? Não podemos ter um polícia e uma lancha em cada praia”, questiona esta fonte conhecedora do processo.

Especula-se ainda a possibilidade de implementar medidas para os cidadãos saberem, antes de saírem de casa, para que praias podem deslocar-se, em função de eventuais lotações esgotadas.

Entretanto, o Governo deverá autorizar a Polícia Marítima a reforçar as suas patrulhas com mais fuzileiros da Marinha para fiscalizar os paredões e os areais. Os fuzileiros já participam no patrulhamento das praias através do projecto Sea Watch.

Outra preocupação são os nadadores-salvadores que vão ter um papel muito importante, indo para além da habitual intervenção de socorro. Não se sabe se vão usar máscaras ou não, nem como devem intervir numa emergência. Os responsáveis da área estão preocupados com as suas próprias condições de segurança.

Os concessionários deverão ter de reduzir o número de camas, chapéus e toldos que disponibilizam aos banhistas, de modo a promover maior distanciamento entre eles.

Mas perante tantas medidas de controlo, muitas pessoas poderão acabar por procurar praias não vigiadas, o que aumentará os riscos de segurança.

O processo é, em si, complexo, como admite a coordenadora nacional do programa Bandeira Azul. “A praia é gerida por várias entidades. Estamos a falar de um local em que temos de sensibilizar todos os utentes para serem aliados destes esforços. Caso contrário, não vamos conseguir”, sustenta Catarina Gonçalves na Rádio Observador.

ZAP ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Chegará a altura em que teremos de pagar para podermos dar um mergulho de mar.
    Triste infancia terão as próximas gerações, pricipalmente as mais desfavorecidas, pois não terão embarcações para poderem ir ao largo dar um mergulho

  2. Devagarinho nos vão controlando!
    Depois virá o pagamento!
    Só não percebo (percebendo) porque o 25 de Abril e 1º de Maio não colocam torniquetes

  3. Acho que isto é tudo em exagero e hà até “Zandingas” que preveem o que irá acontecer nos próximos meses se a vida alguma coisas nos ensina é que as previsões são quase sempre erradas.
    Vamos com calma e deixem-se de péssimos bacocos.

  4. O dia nasce e o sol desponta
    Lá fora os pardais cantam
    Os humanos ainda engaiolados
    Enquanto seus males espantam

  5. Eu espero poder ir à praia mas se não for, paciência. Eu preocupo-me é se há saúde, hospitais a funcionar, emprego e comida na mesa. Quando isto passar, a praia vai estar no mesmo sitio. Se adoecermos ou morrermos, nem praia nem coisa nenhuma interessa.

    • Isso é o que você pensa não os ponha à prova…aliás os FZE não vão para atirar em ninguém vão estar para manter a ordem e zelar por todos os estorninhos que tentam sair da linha…..

  6. De que adianta estas medidas higiénico-sanitárias restritivas, se depois vamos ter os cães dos banhistas a chafurdar, urinar e defecar por todo lado. Ou os fuzileiros, (ao contrário da policia marítima), vão garantir o cumprimento da Lei e impedir a entrada de animais nas praias?!

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