Polícias saem à rua para reivindicar promessas do Governo. Chega e mais seis partidos vão ao protesto

José Sena Goulão / Lusa

Elementos das forças de segurança (PSP e GNR) manifestam-se esta quinta-feira, em Lisboa, para pressionarem o novo Governo a cumprir as reivindicações da classe e as promessas do anterior Executivo.

Sob o lema “tolerância zero”, a manifestação conjunta é organizada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR). Inicia-se às 13h00 no Marquês de Pombal e ruma até à Assembleia da República, com concentração marcada para as 16h00.

As forças de segurança reivindicam, entre outras exigências, melhores salários para a classe social, bem como melhor condições de trabalho.

Apesar de o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, se ter reunido na quinta-feira passada com os sindicatos mais representativos da PSP e na segunda-feira com a APG/GNR, as estruturas decidiram manter o protesto.

Em declarações ao semanário Expresso, o presidente da APG, César Nogueira, disse ter esperança que esta “maior manifestação de sempre das polícias”.

Esta quarta-feira, na véspera do protesto, a segurança foi reforçada junto à escadaria do Parlamento. Foram colocados blocos de cimento junto às grades da Assembleia da República e o estacionamento junto ao espaço foi limitado, relata a SIC Notícias, que fala em medidas de segurança inéditas.

As forças políticas também não se alhearam a este protestos. Segundo o Expresso, há sete partidos que vão ao protesto cumprimentar os manifestantes, entre os quais o PCP, o Bloco de Esquerda, o CDS, Os Verdes, Iniciativa Liberal, Chega e Livre.

O semanário recorda ainda que, no ano passado, quando foi levada a cabo uma manifestação semelhante da mesma classe profissional, apenas os bloquistas e comunistas apareceram para saudar as forças policiais.

PS e PSD ficam de fora. Numa nota enviada ao Expresso, os sociais democratas explicam que não vão apresentar cumprimentos aos manifestante, uma vez que “o PSD não tem a tradição de o fazer nem nunca o fez no passado, não vive destas aparições”.

A posição dos socialistas é natural por se tratar do partido que suporta o Governo. O PAN não respondeu ao semanário sobre este tema.

CDS e Chega levaram o assunto ao Parlamento

Recentemente, CDS e Chega levaram o assunto das carreiras das forças de segurança ao Parlamento. Os centristas apresentaram esta quarta-feira um projeto de lei que agrava as penas para crimes contra agentes das forças de segurança e uma resolução para seja atribuído um subsídio de risco a estes profissionais.

Se Portugal tem “um problema sistemático de ofensas a quem exerce autoridade, seja nas ruas ou nas escolas, tem de haver uma resposta política”, justificou Telmo Correia.

Além destas duas iniciativas, o CDS sugeriu ainda a criação de um grupo de trabalho, no Parlamento, para avaliar as condições de trabalho das forças de segurança em Portugal. O deputado centrista fez um duro ataque ao Governo pelo que considera falta de medidas tomadas para resolver os problemas das forças de segurança.

“Se agredir um polícia é agredir o Estado, como disse o ministro [da Administração Interna], ignorar anos a fio as reivindicações justas dos agentes das forças de segurança, é o quê? É obviamente pôr em causa o Estado e a liberdade de todos. E é isso que este Governo tem feito”, acrescentou.

Também o Chega, pela voz do seu deputado único André Ventura, falou esta quarta-feira no Parlamento sobre as forças de segurança, acusando o primeiro-ministro, António Costa, de mentir no primeiro debate quinzenal, que ocorreu a semana passada.

André Ventura tinha questionado António Costa sobre alegadas situações em que os agentes se viam obrigados a comprar o seu próprio material de trabalho, como por exemplo algemas, gás pimenta e coletes de proteção. Costa disse que a situação não correspondia à realidade, aconselhando Ventura a arranjar um informador melhor.

Nesta quinta-feira, conta o jornal Público, o deputado do Chega levou em mão fotocópias e faturas que polícias lhe enviaram para provar que tiveram mesmo de comprar o seu equipamento. Durante a sua intervenção, que durou cerca de três minutos e meio e que terminou sem quaisquer questões ou comentários das outras bancadas, Ventura disse que se vai juntar à manifestação “sem medo”.

“Estamos certo da história e não do lado dos que escondem a verdade”, disse, considerando ainda que há uma “enorme sombra” a pairar sobre o Governo.

Parece haver vontade de diálogo, diz Marcelo

O Presidente da República disse esta quarta-feira não estar preocupado com a manifestação, considerando que que parece haver vontade de diálogo entre Governo e associações representativas das forças de segurança.

“Eu não vejo razão nenhuma para estar preocupado, se houver a vontade, que parece haver, de contacto, de diálogo entre o Governo, de um lado, e as entidades associativas, sobre o estatuto das forças de segurança, que se deteriorou de facto, ao longo dos últimos dez anos”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Lisboa.

“É público e notório que o Governo tem vindo nos últimos dias a ter contactos com associações representativas no domínio das forças de segurança, e penso que sobre o estatuto das forças de segurança no futuro”, referiu, a este propósito.

O que pedem as forças de segurança

O gabinete de Eduardo Cabrita afirmou, em comunicado, que está em “preparação, em diálogo com os sindicatos e as associações profissionais, a nova Lei de Programação das Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança do MAI [Ministério da Administração Interna], para a período pós-2021, dando continuidade ao diploma que, desde 2017, permitiu instituir um novo modelo de gestão estrutural e plurianual de investimentos a realizar nas várias valências operacionais”.

Propõe ainda a definição de um Programa Plurianual de Admissões, “por forma a garantir o rejuvenescimento das Forças de Segurança”, a “preparação de um diploma específico sobre Segurança e Saúde no Trabalho aplicável às Forças de Segurança” e a “análise e revisão de suplementos remuneratórios, incluindo a questão do pagamento faseado dos suplementos suspensos entre 2011 e 2018”.

Estas são também as reivindicações das organizações que esta quinta-feira se manifestam, contudo, os seus líderes consideram que estas propostas não são suficientes ainda para desmarcar a manifestação, reiterando que o primeiro-ministro e o próprio ministro ao longo dos quatro anos da legislatura anterior tiveram tempo de analisar e estudar os problemas e que agora é tempo de agir o mais brevemente possível.

Entre as reivindicações que motivaram o protesto e além dos aumentos salariais está também a atualização dos suplementos remuneratórios, que “há mais de 10 anos que não são revistos”, o pagamento de um subsídio de risco e mais e melhor equipamento de proteção pessoal. Os polícias exigem também uma fiscalização das condições de higiene, saúde e segurança no trabalho e que seja cumprido o estatuto na parte referente à pré-aposentação aos 55 anos.

A ASPP/PSP e a APG/GNR sublinharam que o novo Governo “não pode escudar-se na falta de conhecimento dos problemas nem desvalorizar as promessas feitas nos últimos quatro anos”, lamentando que, até ao momento, não tenha sido dada “uma palavra sobre o futuro destas instituições”.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. O que é que os fascizóides do PCP, Bloco de Esquerda, Os Verdes, e Livre vão fazer à manifestação? Que me lembre são esses os partidos que se põem do lado dos criminosos e dos bandidos e contra as forças policiais.

Criada para prevenir a guerra, a ONU enfrenta um mundo profundamente polarizado

Criada após a Segunda Guerra Mundial para evitar novos conflitos, a Organização das Nações Unidas (ONU) comemora esta segunda-feira o 75.º aniversário, num mundo polarizado que enfrenta uma pandemia, conflitos regionais, uma economia em declínio …

Mulher cai de carro em movimento enquanto grava vídeo para o Snapchat

Uma mulher, que ocupava o lugar do passageiro de um carro em movimento, caiu numa auto-estrada enquanto filmava um vídeo para a rede social Snapchat, no Reino Unido. Segundo a CNN, a mulher estava pendurada na …

Nos Estados Unidos, a venda de discos em vinil ultrapassou a de CD pela primeira vez desde 1986

Pela primeira vez desde 1986, as vendas de discos de vinil ultrapassaram as vendas de CD nos Estados Unidos em 2020. Os números foram apresentados na semana passada pela Associação Americana da Indústria de Gravação, …

Mourinho espera ganhar sem jogar

Tottenham iria defrontar o Leyton Orient mas também no Reino Unido há jogos de futebol em causa por causa do coronavírus. O encontro entre Leyton Orient e Tottenham, relativo à terceira eliminatória da Taça da Liga …

A máfia italiana tem uma nova arma de recrutamento: o TikTok

Os jovens membros da Camorra, organização criminosa aliada à máfia siciliana, estão a recorrer ao TikTok para divulgar o seu estilo de vida e recrutar novos membros. Em maio, um vídeo foi publicado no TikTok que …

Os três segredos para ter um bom sistema imunológico são gratuitos, avisa Fauci

Manter o sistema imunológico saudável é um dos fatores-chave para lidar com a covid-19, o que não implica necessariamente a toma de suplementos vitamínicos. Há uns tempos, quando confrontado com o facto de a atriz Jennifer …

Pinguim encontrado morto no Brasil com uma máscara inteira no estômago

Um espécime de pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) foi encontrado morto numa popular praia brasileira e a autópsia ao corpo revelou que o animal tinha no seu estômago uma máscara de proteção facial N95. O animal foi …

Trump quer restabelecer sanções ao Irão. ONU rejeita apoiar posição norte-americana

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que somente apoiará a restituição de sanções ao Irão, exigidas pelos Estados Unidos (EUA), se receber luz verde do Conselho de Segurança. Numa carta dirigida …

Designer holandês desenvolve "caixão vivo" feito com fibras de fungos

Um corpo humano pode demorar cerca de uma década a decompor-se dentro de um caixão. Com o Living Cocoon, o tempo é reduzido para dois ou três anos. Bob Hendrikx, biodesigner fundador da Loop, desenvolveu e …

Relógio em Nova Iorque mostra o tempo restante para reverter efeitos do aquecimento global

O Metronome, icónico relógio digital de Nova Iorque, deixou de mostrar o tempo do dia-a-dia e mostra agora o tempo restante que o nosso planeta tem para reverter os efeitos do aquecimento global. O relógio digital …