Eduardo Cabrita diz que polícias compram equipamento “porque querem”

António Cotrim / Lusa

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita

O ministro da Administração Interna afirmou que os agentes policiais que compram equipamento de proteção do seu próprio bolso fazem-no porque o querem.

Numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, divulgada este fim-de-semana, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, foi questionado sobre as notícias que dão conta de agentes policiais “que compram equipamento de proteção do seu próprio bolso”.

Compram porque o querem e não têm nenhuma necessidade de o fazer. É preciso dizê-lo com toda a transparência. Há matérias que são diferentes, que são fardamento, em que há um subsídio. Mas o que é considerado como necessário pelos comandos é aquilo que é atribuído”, respondeu o governante.

Apesar desta afirmação, Cabrita não consegue garantir que não existam falhas de material. “Não posso nunca garantir isso. Isso dito assim seria confrontado amanhã com um ‘Cá está, há aqui!’. (…) Falta muita coisa nas nossas forças de segurança e é necessário recuperar e, por isso, temos padrões tão exigentes como aqueles que estão neste Orçamento do Estado”.

No debate no Parlamento, na quarta-feira, o ministro anunciou o recrutamento de cerca de 10 mil elementos para as forças e serviços de segurança até 2023 no âmbito do plano plurianual da admissão.

O governante precisou que estas admissões serão feitas “em função das saídas previstas” — cerca de oito mil pessoas — e “das alterações do modelo operacional”, destacando que as polícias vão ter “programado atempadamente aquilo que são as necessidades de contratação”.

PSD critica ministro. Chega pede a sua demissão

Em nota enviada à agência Lusa, o grupo parlamentar do PSD “repudia” estas declarações, considerando que “revelam desfaçatez, falta de respeito pelas forças de segurança e um desconhecimento atroz da realidade que estas forças enfrentam”.

“Dizer que os polícias só compram material porque querem é troçar de quem lida no dia a dia com esta evidência, é negar a falta de equipamentos suficientes e de qualidade, e é uma tentativa despudorada de manipulação da opinião pública”, criticam os sociais-democratas, acusando Eduardo Cabrita de revelar “falta de sentido de Estado e de responsabilidade que o cargo que ocupa exigem”.

Na mesma nota, o grupo parlamentar do PSD considera que o recente debate na especialidade do Orçamento do Estado com o ministro da Administração Interna confirmou “a necessidade de garantir meios, equipamentos e pessoal nas forças de segurança”.

“As lamentáveis declarações de hoje do MAI desmentem as declarações das forças de segurança e são atentatórias do decoro e do sentido de verdade com que deve exercer o seu cargo”, refere.

No caso do Chega, o comunicado que chegou à Lusa, nas palavras do deputado André Ventura, considera que as declarações do ministro “são uma autêntica vergonha política e institucional e uma profunda humilhação para os milhares de homens e mulheres polícias que se veem obrigados a gastar o seu próprio dinheiro para que possam trabalhar em segurança”.

Com estas declarações, considera Ventura, o ministro “perdeu toda a confiança do setor e dos portugueses para continuar a liderar politicamente a administração interna do país”, e deve pedir a demissão do cargo ou ser demitido pelo primeiro-ministro.

“A inércia neste caso, que agravará ainda mais a tensão entre Governo e forças policiais, será da exclusiva responsabilidade do Governo do Partido Socialista”, afirma o deputado.

ZAP // Lusa

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