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Pode haver países com “vinte ou trinta vezes mais infeções”, alerta matemático

Mário Oliveira / SEMCOM

O autor do novo livro “As Leis do Contágio” estima que possa haver países com “vinte ou trinta vezes mais infeções” do que os dados oficiais mostram.

O matemático Adam Kucharsk, professor na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, lançou um novo livro, chamado “As Leis do Contágio”, onde analisa fenómenos virais de vários tipos. Embora tenha sido escrito antes da pandemia de covid-19, a edição em português já menciona a doença.

Em declarações ao Expresso, o autor britânico considera que os “modelos foram particularmente úteis para compreender certas características da infeção”, apesar de que alguns funcionam melhor do que outros. “Como é uma doença nova, em muitos aspetos é difícil usar modelos”, reconhece.

“Os modelos podem ser muito úteis” numa estima inicial, segundo Kucharsk. No entanto, “já não o são tanto quando tentam fazer previsões sobre um futuro distante”.

Kucharsk salienta que cada caso é um caso e não há um conjunto de medidas modelo a adotar por todos os países. Como tal, cada país “terá de perceber como vai lidar com a situação” e “adotar uma combinação que mantenha os surtos controlados a um nível que satisfaça os governos”.

O especialista diz ainda que manter a economia confinada pode ter “impactos enormes”. A prioridade é evitar que os sistema de saúde fiquem rapidamente sobrecarregados, como assistimos em alguns países.

“Estimámos que na Europa, no pico da primeira onda, talvez só quatro ou cinco por cento dos casos sintomáticos eram reportados”, alertou Kucharsk, admitindo que há uma grande possibilidade de o número de infeções ser bastante superior ao reportado nos dados oficiais.

“Não acho que haja países com metade das suas populações infetadas sem o saberem, mas pode bem acontecer que haja vinte ou trinta vezes mais infeções do que os dados sugerem”, disse, em declarações ao Expresso.

E que implicações tem isso para a chamada “imunidade de rebanho”? Kucharsk entende que a percentagem continua a ser relativamente baixa: menos do que 10%. Esta é uma percentagem “abaixo dos patamares em que imunidade de rebanho começa a parar as infeções”, entre 50% e 60%.

  ZAP //

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