Plantas sob ameaça usam “linguagem universal” para alertar as outras

dakiny / Flickr

Uma abelha numa goldenrod do Canadá (Solidago altissima)

Embora não funcione como com os animais, sabemos que, quando necessário, as plantas também aumentam a sua resposta defensiva, libertando compostos orgânicos voláteis e mal cheirosos.

Agora, escreve o Science Alert, uma nova investigação lançou novas luzes sobre o que é que esses compostos fazem. O objetivo é sinalizar a ameaça iminente para outras plantas que estão próximas, permitindo que também estas fiquem na defensiva.

O novo estudo, publicado em setembro na revista científica Current Biology, focou-se na goldenrod do Canadá — Solidago altissima —, uma espécie de planta generalizada em grande parte do Canadá, Estados Unidos e norte do México.

Os cientistas descobriram que os compostos químicos libertados são mais parecidos em plantas com histórico de ataques, independentemente de estarem ou não relacionados. Por outras palavras, é como se as plantas tivessem uma ‘linguagem’ universal em áreas nas quais estão sob pressão de predação, para permitir um melhor aviso às outras.

Os investigadores conduziram experimentos no ambiente natural das plantas (um campo), usando plantas individuais em vasos. No centro de cada grupo, uma única planta foi danificada pelo escaravelho Trirhabda virgata.

A planta danificada foi coberta com uma manga de tecido, fazendo com que fosse possível eliminar a comunicação tátil e radicular. Além disso, como controlo, o mesmo experimento foi realizado com plantas não danificadas no centro.

Depois de várias semanas, a equipa analisou os danos feitos pelos insetos e controlou as emissões de compostos das plantas, cobrindo-as numa manga de polietileno, puxando e filtrando o ar. Os investigadores também procuraram compostos nas plantas recetoras em torno das plantas danificadas e de controlo que poderiam mostrar uma reação defensiva.

A equipa descobriu que as plantas no grupo de dano estavam mais protegidas dos escaravelhos do que as do grupo de controlo, confirmando que os compostos emitidos fizeram com que as plantas recetoras preparassem as suas defesas.

Ainda não há certezas de como é que as plantas recebem a mensagem, mas os cientistas acreditam que os sinais químicos emitidos podem interagir de alguma forma com as membranas celulares.

De qualquer forma, a equipa já conseguiu perceber os efeitos de algumas dessas defesas. Por exemplo, o cheiro emitido pela relva danificada pode atrair vespas parasitas. Se essa relva está a ser mastigada por insetos, essas vespas podem ajudar a defendê-la colocando os seus ovos nos insetos.

E algumas plantas emitem compostos que repelem ativamente os predadores, tal como a planta do tabaco que repele traças femininas, impedindo-a de colocar os seus ovos (que depois resultariam em lagartas esfomeadas que procuram folhas para mastigar).

ZAP //

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