Plano do hidrogénio vai sair “muito caro” aos portugueses

Os fundadores da Tertúlia Energia defendem que o plano do hidrogénio do Governo tem várias lacunas e vai custar “muito caro” aos consumidores portugueses.

Num artigo publicado no jonal ECO, os fundadores da Tertúlia Energia, Abel Mateus, Luís Mira Amaral e Pedro Clemente Nunes, destacam os principais erros da aposta do Governo no hidrogénio e garantem que esse plano vai sair “muito caro” aos consumidores portugueses.

O Governo olha para o plano do hidrogénio como uma solução para a descarbonização da economia. No entanto, os gestores da Tertúlia Energia consideram que este é um problema a nível mundial, que só se resolverá quando os grandes poluidores como a China, os EUA e o Japão reduzirem as suas emissões de CO2.



“Parece que querem fazer crer que Portugal ao descarbonizar vai limpar a atmosfera por cima do território nacional, o que é um mito”, escrevem os especialistas.

Além disso, são apontados “custos enormes” para os consumidores portugueses, que não vão poder ser suportados depois da crise provocada pela pandemia de covid-19.

No Manifesto para a Recuperação Económica lê-se que o hidrogénio verde irá ficar ao mesmo preço do hidrogénio produzido a partir de gás natural em 2030 e muito mais barato em 2050. Como tal, os fundadores da Tertúlia Energia defendem que o investimento no hidrogénio só deverá ser feito, pelo menos, a partir de 2030.

Os autores do artigo de opinião comparam este investimento precoce ao incentivo feito por José Sócrates e Manuel Pinho, para se investir nas eólicas e nas solares em 2005.

“Se se tivessem feito hoje estes investimentos (como muitos países o estão a fazer), a preços 60% mais baratos para as eólicas e 20 vezes mais baratos para a energia solar, teriam poupado aos consumidores uma grande parte dos 22 mil milhões de euros em rendas excessivas e tecnologias imaturas”, lê-se no ECO.

Adicionalmente, os autores salientam que o manifesto não aborda os enormes custos que teria a utilização do hidrogénio para substituir o gás natural nas centrais termoelétricas.

“A insistência na Estratégia do Hidrogénio do Governo é como se alguém dissesse a um filho a quem lhe ardeu a casa: não te preocupes porque te vou oferecer um Ferrari!“, atiram os autores.

  ZAP //

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25 COMENTÁRIOS

  1. Lá vem o ‘lobby’ do petroil tentar assustar a malta.
    Os mesmos do costume.

    Anda muito petroleiro em pânico com a revolução energética que o mundo atravessa.

    • Não acho que seja isso, temos que decidir entre carros movidos com hidrogénio ou elétrico, pelos vistos é a segunda opção que vai pela frente… por enquanto. Mas visto os perigos do hidrogénio não acho que muda!
      Por isso a aposta na produção de hidrogénio é errada.

    • Falas do que não sabes e por isso dizes asneira e ainda induzes as pessoas em erro.
      Pesquisa mais sobre hidrogénio e verás que todo o processo de captação transporte e armazenamento tem custos enormes… isto não é o mesmo que transportar gasolina…
      O carro eléctrico é muito mais eficiente… Ainda para mais o mercado de hidrogénio está mais baixo que o eléctrico.
      Para não falar que esta história toda de hidrogénio em Portugal cheira a mais um monte de merda socialista para meter a mão no dinheiro dos contribuintes.

      • Em relação à frase final estou de acordo. No entanto, o futuro da indústria automóvel está no hidrogénio. E o hidrogénio possibilita ainda conservar energia produzida através do sol, água,… O petróleo é um paradigma com os dias contados. A solução do hidrogénio é correta. Agora, feita como está a ser… cheira-me aos esquemas de sempre.

      • Há para aí uma grande confusão. Hidrogénio e motor elétrico não são duas alternativas da mesma coisa.
        O hidrogénio é um combustível e o motor elétrico é um tipo de motor que é alimentado com eletricidade. O grande problema dos motores elétricos é a forma de obter energia e as baterias actuais são um cancro maior que o petróleo, quer queiram quer não.
        Mas há uma alternativa super limpa que são as células de combustível que são “baterias” que produzem energia elétrica e usam como combustível o hidrogénio.

  2. No artigo fala-se nos grandes poluidores por emissões de CO2, e eu concordo que se deva criticar essas gentes que poluem à vontade porque têm petróleo barato, mas não se fala nos grandes crimes ambientais com as desflorestações constantes que sofrem as grandes florestas, os nosso “pulmões”, nem se fala nos grandes incêndios que devoram o parque florestal a uma velocidade abismal.
    É que as plantas absorvem CO2 e expelem oxigénio, aquilo que nos começa a faltar para respirarmos.
    Penso que há muito mais a fazer para além de se apostar no combustível “verde”…
    É que os automóveis eléctricos também são poluidores indirectamente, a energia eléctrica, para ser produzida, também usa muitos poluentes, até carvão…

  3. Não metam politica partidária no meio disto e, façam por se educar, lendo o que é “isso do hidogénio” num artigo do ECO
    https://eco.sapo.pt/especiais/qual-e-a-melhor-opcao-para-portugal-hidrogenio-verde-ou-azul/?fbclid=IwAR2zkUCreA8km8kbd_VzE2nMUvQbRWN4ACV7-FCzmjbMt3lRscCYQjelrsM
    e, se realmente quiserem perceber mais alguma coisa consultem, entre outros
    https://www.iea.org/reports/the-future-of-hydrogen
    ou
    https://www.energy.gov/eere/fuelcells/hydrogen-fuel-basics

    !!! aqui não se está a falar (para já) em carros a fuel cell 🙂

  4. Pelo que percebi até agora, sem indagar a fundo o assunto, o governo quer utilizar uma fonte de energia que é obtida a partir de outras (combustíveis fósseis ou a partir da electricidade das centrais solares, eólicas, etc). Então mas se nós, a determinado momento, já temos a electricidade com que podemos alimentar o que quer que seja, vamos transformá-la em hidrogénio para quê? Para aumentar os custos de produção, transporte, etc? Bom, há que dar dinheiro a ganhar a alguém…

    • O grande problema da energia é a sua conservação. A maioria das fontes primárias não são armazenáveis. Os combustíveis fósseis são. A energia hídrica em grande medida também o é.
      O hidrogénio funcionará como uma “bateria”, isto é, uma forma de conservar energia que de outro modo, sendo produzida e não sendo consumida de imediato, seria perdida. A energia solar, eólica poderá assim ser “guardada” através do hidrogénio.

      • Falando de veículos, a electricidade armazena-se nas baterias, cada vez mais evoluídas. Não é preciso o hidrogénio para nada. Tanto que os construtores que pensaram nisso, estão a abandonar a ideia.

        • Quando há excesso de produção de energia eléctrica, o excesso que não se armazena perde-se. Essa perda é tão grande que para a evitar bombeia-se água para cima para re-encher barragens. Ou seja: Há ocasiões em que o excesso de produção é tão grande que justifica a construção de barragens e maquinaria de propósito apenas para esta bombagem.
          Isto significa que o volume de energia envolvido está muito para além do que consegue ser armazenado por tecnologia de baterias actual.
          As variáveis a ter em conta são: Quanta energia é preciso armazenar? Quanta consegue ser armazenada com baterias? Quanta consegue ser armazenada com hidrogénio? Quanto custa cada opção? Qual a evolução previsível destes valores à medida que se implementam industrialmente as novas tecnologias que estão agora a em fase de desenvolvimento no laboratório?

  5. Pela minha parte e considerando toda a polémica gerada à volta do hidrogénio quer por conhecedores, quer por curiosos, penso que tudo isto irá terminar em nada, há boa maneira portuguesa onde cada qual discute para o seu lado sem a capacidade de se sentarem à volta de uma mesa e discutir e esclarecer as coisas sem subterfúgios e chegarem a uma conclusão válida. Comparo, por exemplo, com o caso aeroporto, há anos a ser discutido e agora que pensam em fazer ainda nem sequer têm a permissão do local exato, entre outros detalhes.

  6. Oh Tuga troglodita inteligente… tu é que vais pagar.. e os resultados são para as grandes companhias… e quem entra nas negociatas!!!. Ainda não enxergaste?!!!!!! Súcialixo, é “quanto pior… melhor!!!! Lá dizia o Vladimir Ilyich Ulianov… e continuação a ser propagandeado pelos raivosos e venenosos ignorantes… as culpas pelos erros são sempre dos outros…Não sabes quem foi o gajo, pois não?!!! Sim é esse mesmo, Lénine!!!! Não o António … o Vladimir, carago!!!!

  7. Ainda não percebeste que é o loby do petróleo que vai estar no negócio do hidrogénio, assim como foram os mesmos que estão no fotovoltaico e na eólica. São sempre os mesmos a sugar os contribuintes.
    Este negócio do hidrogénio é mais um assalto ao bolso dos portugueses pelos mesmos do costume costume

  8. É uma vergonha que alguns negociadores mores no governo (caugh caugh Galamba & comp. cagh cagh), estejam a levar os dinheiros dos contribuintes para investimentos de risco que apenas visam trazer lucro às petrolíferas, que uma vez que deixam de vender gasolina/gasóleo, querem passar a vender outra coisa (hidrogénio).
    Há bombas de hidrogénio a explodir em pontos de teste europeus, isto mostra quão perigosa é a sua armazenagem.

    https://observador.pt/opiniao/o-incrivelmente-estupido-hidrogenio-de-galamba/

  9. Não se esqueçam que Mira Amaral era, na altura, o ministro que disse que Portugal nunca poderia ter uma marca automóvel (na altura existia a UMM) dando preferência aos acordos da Toyota através da Salvador Caetano.
    Com essa linha de pensamento não poderia existir qq empresa competitiva de de qualidade em Portugal (lembrem-se que M. Amaral também era Banco BIC/BIG).
    Sobre o promotor do Hidrogénio Verde, o Galamba, tem exactamente tudo como a sede de empresa do Lítio numa junta de freguesia PS da zona de prospecção. Ou seja, Galamba é um homem do Sócrates.
    Detratores e defensores políticos/gestores não são propriamente uma opinião aconselhável a considerar como “LIMPA”.

  10. Ninguém percebe que aqui não está em discussão o hidrogénio ser melhor que o elétrico, ou se o hidrogénio é bonito e cheiroso… A questão aqui é andarmos a investir nas coisas antes do tempo como se fossemos um país rico, quando os países ricos andam a adiar o investimento até que a tecnologia esteja mais madura e barata.
    Não tem nada a ver com petróleos, tem a ver com tempos.
    E o mesmo que uma empresa que ainda não tem carregadores para carros eléctricos, comprar uma frota deles e deixar parados a porta porque não tem como os alimentar… e simplesmente parvo

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